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12.05.12 Lavanderia e Controle Infecções Hospitalares

A  lavanderia e o controle de infecções hospitalares.

As autoras desenvolveram um trabalho abordando as etapas e cuidados necessários em uma lavanderia hospitalar, boas práticas aplicadas previnem infeccao hospitalar, reduzem contaminação cruzada em ambientes hospitalares.

Autoras: Adélia Aparecida Marçal dos Santos Médica, chefe da Unidade de Controle de Infecção em Serviços de Saúde
Eni Rosa Aires Borba Mesiano Enfermeira, assessora da Unidade de Controle de Infecção em Serviços de Saúde
Provida Provendo Soluções Preservando Vidas. Eficiente Contra Bactérias, Vírus e Fungos. Prevenção deveria ser Obrigação.

INTRODUÇÃO

O esforço empregado para a reutilização de roupas hospitalares normalmente apresenta um balanço de custo-benefício favorável e, quando bem implantada, possibilita uma prestação de serviços com segurança e qualidade.

Quando um paciente é recebido em um leito limpo, às vezes é difícil imaginar que as roupas que estão sendo utilizadas já serviram a outros. Quando um campo cirúrgico é aberto, impecavelmente estéril, nem sempre lembramos que, horas antes, ele provavelmente estava coberto de sangue, secreções e líquidos diversos.

Mas a sensação de bem estar e confiança, ao utilizarmos as roupas hospitalares, será o resultado do bom desempenho da lavanderia no cumprimento de seu principal objetivo: transformar a roupa suja e contaminada em roupa limpa, na quantidade necessária, em um tempo adequado e com segurança. As roupas não precisam estar estéreis ao final deste processo, mas necessitam estar higienicamente limpas, livres da quantidade de microrganismos patogênicos necessária para causar doença.

É importante observar que além de higienizar, a lavagem também deve ser realizada de forma a garantir a manutenção das características físicas das roupas e ainda assegurar a eliminação de substâncias irritantes ou alergênicas, incluindo os sabões, amaciantes, desinfetantes e removedores de manchas utilizados durante o processo.

Tendo em vista estes objetivos, uma lavanderia hospitalar precisa utilizar produtos de composição confiável e máquinas condizentes com o porte e o tipo de atendimento realizado no hospital, deve possuir área física adequada e manter programas de educação continuada para seus funcionários (1).

Em conjunto com o serviço de controle de infecções hospitalares, a lavanderia deve atualizar as rotinas periodicamente, desenvolver e aplicar normas de prevenção de acidentes e de transmissão de doenças. A atuação conjunta destes setores possibilita a diminuição dos riscos de reutilização de roupas e o ajuste dos processos para a obtenção da qualidade adequada.

EPIDEMIOLOGIA

A roupa suja geralmente contém uma grande quantidade de microrganismos. Na literatura especializada, existem relatos com contagens que vão de 106 até 108 bactérias por 100 cm2 de tecido. Os principais patógenos encontrados são bastonetes gram negativos (BGN), destacando-se enterobactérias e Pseudomonas spp. Os gram positivos mais comuns são Staphylococcus sp. (2). A presença de vírus como o HBV ou HIV está associada à presença de sangue ou secreções.

A agitação da roupa suja e molhada pode contaminar o ar através da suspensão de partículas e da formação de aerossóis. O contato direto com estas roupas pode contaminar também equipamentos, as mãos e os uniformes dos profissionais de saúde. Mas as mesmas bactérias presentes nas roupas são freqüentemente agentes etiológicos de infecções nosocomiais, estando também presentes no ambiente hospitalar. As tentativas de eliminar ou reduzir estes mesmos tipos de microrganismos presentes no ambiente não resultaram em uma diminuição no risco de infecções hospitalares. Além disso, numerosos estudos epidemiológicos demonstram que a fonte mais comum para as infecções hospitalares é o meio animado, principalmente as mãos dos profissionais da área de saúde. Portanto, desde que sejam observadas todas as medidas para evitar a contaminação dos profissionais e do meio ambiente, considera-se desprezível o papel das roupas como fonte habitual de infecções (3).

Fortalecendo a idéia de que a adesão às rotinas e normas para a lavagem das roupas é fundamental para evitar a transmissão de doenças, foram publicados alguns estudos de surtos relacionando as roupas sujas como fonte dos patógenos (ver quadro 1 ao final do documento). Nos casos relatados, a transmissão provavelmente ocorreu através do contato direto ou pela inalação de aerossóis criados durante a manipulação das roupas contaminadas, sendo claro que as recomendações para a prevenção destas formas de transmissão foram negligenciadas.

ÁREA FÍSICA:

Em relação à estrutura física, a lavanderia de Serviços de Saúde, sempre que possível, deverá localizar-se no pavimento térreo, próximo à área de produção de vapor, por razões de economia. É importante que ela esteja distante das unidades de internação de pacientes pelo ruído e poluição microbiana. O acesso e a circulação devem ser restritos aos funcionários do setor.

O cálculo para o dimensionamento de uma lavanderia de Serviços de Saúde é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) do Ministério da Saúde, através da RDC 50 de 21 de fevereiro de 2002 (18)que considera como ponto mais importante o volume de roupa a ser processada.

Também de acordo com as normas da ANVISA, deverão ser previstas as seguintes zonas de trabalho em uma lavanderia (17).

a) Sala para Recebimento, Pesagem, Classificação e Lavagem (área suja) representando 25% da área total da lavanderia devendo conter depósito de material de limpeza e banheiro privativo..

b) Salão de Processamento da Roupa, que representa a área limpa, sendo composto de:

- Área para Centrifugação

- Área para Secagem

- Área para Costura

- Área de Passagem

- Área de Separação e Dobragem

Essas áreas representam 45% da área total da lavanderia devendo conter um depósito de material de limpeza.

O salão de processamento também conta com área para armazenamento e distribuição de roupa limpa, representando 30% da área total.

No aspecto funcional, a lavanderia é dividida em duas áreas: suja e limpa. Na área suja, considerada contaminada, as roupas usadas são recebidas, pesadas, separadas pelo grau de sujidade, pelo tipo de tecido, cor e estocadas até o início do processo de lavagem. Na área limpa, as roupas lavadas são centrifugadas, secas, passadas, separadas e armazenadas até o momento de sua distribuição.

A agitação da roupa suja e molhada na área de separação pode contaminar o ar através da suspensão de partículas e da formação de aerossóis. A barreira física entre as áreas evita a contaminação do ambiente no restante da lavanderia e das roupas já lavadas. Esta separação deve ser conseguida de forma eficaz com o uso de lavadoras de barreira, com dupla abertura. A roupa contaminada é depositada pelo lado da área suja e, ao final do ciclo de lavagem e descontaminação, é retirada pela porta que abre para a área limpa. O sistema de travamento automático impede que as duas portas se abram ao mesmo tempo, isolando completamente os dois ambientes. Em adição, deve-se usar um sistema de ventilação que produza pressão negativa dentro da área suja, o que impede a saída do ar contaminado para o restante do hospital, principalmente para os andares superiores (7). A eliminação do ar para o ambiente deve ocorrer após a sua passagem por filtros e, a saída do duto, deve ser de tal forma que não atinja outras janelas.

Em todas as lavanderias, o calor excessivo gerado pelas máquinas favorece a desidratação dos profissionais. Por esta razão recomenda-se a instalação de bebedouros nas proximidades, mas é importante observar que todos os funcionários devem ser orientados para não se servirem de líquidos e alimentos dentro das áreas da lavanderia. Antes de saírem do setor, os profissionais devem sempre higienizar as mãos. Para tanto, deve existir lavatório(s) na área de processamento.


COLETA

A coleta dos lençóis nos leitos, das toalhas, campos cirúrgicos e outras roupas hospitalares representa o início do ciclo de processamento da roupa suja e do risco de aquisição ocupacional de doenças infecciosas. O grau de contaminação da roupa é determinado principalmente pelo estado de continência do paciente e pelos tipos de procedimentos aos quais ele foi submetido. As roupas sujas, molhadas com sangue, secreções ou excreções devem ser coletadas com o auxílio de luvas de procedimento. Se o grau de umidade for excessivo, é necessário vestir também um capote para evitar a contaminação do uniforme do profissional. Para prevenir a contaminação do ar, a roupa suja deve ser coletada com um mínimo de agitação possível.

As roupas não devem ser pré-lavadas ou submetidas a qualquer processo de descontaminação antes de serem encaminhadas à lavanderia. A coleta de roupas provenientes de setores de isolamento deve ser feita da mesma forma que no restante do hospital (8). Nestes setores, os EPIs devem ser utilizados de acordo com a recomendação referente ao tipo de isolamento e ao grau de sujidade e umidade das roupas.

Durante a coleta, as roupas mais limpas e secas devem ser utilizadas para envolver os tecidos mais sujos ou molhados, servindo como uma primeira barreira. Um cuidado adicional precisa ser observado para assegurar que instrumentos cirúrgicos, agulhas ou outros materiais não sejam recolhidos junto com a roupa suja. Dentro dos estabelecimentos de saúde, os ferimentos acidentais com objetos perfurocortantes contaminados constituem um importante mecanismo na transmissão ocupacional de doenças como hepatite B e AIDS (9). A educação para a prevenção destes acidentes deve envolver, além dos funcionários da lavanderia, os profissionais da enfermagem, do serviço de limpeza e a equipe médica.

As roupas devem ser ensacadas no local da coleta. Para isto, podem ser usados sacos plásticos ou de tecidos, dependendo da quantidade e do grau de sujidade das roupas. O objetivo do ensacamento é impedir o vazamento de líquidos e a contaminação do ambiente e do funcionário durante o transporte. Os sacos de pano são apropriados para a grande maioria das roupas sujas geradas em um hospital. As roupas muito molhadas, geralmente provenientes dos blocos cirúrgicos e dos setores de trauma, devem ser coletadas em sacos plásticos de uso único. Da mesma forma devem ser coletadas as roupas contaminadas com ectoparasitos. É importante ressaltar que os sacos devem ser preenchidos de forma a permitir que fiquem bem fechados para a estocagem ou para o transporte.

Os sacos duplos foram recomendados durante algum tempo, na tentativa de proporcionar uma proteção extra contra a contaminação, mas caíram em desuso com a demonstração de que a carga bacteriana encontrada no saco externo era semelhante àquelas obtidas na coleta com sacos únicos (10).

A utilização de sacos solúveis foi considerada como um recurso válido para diminuir os riscos de contaminação, durante a separação das roupas sujas (11). Eles foram desenvolvidos para serem depositados diretamente nas máquinas, contendo a roupa suja como foi coletada. Mas para que os sacos se dissolvam, é necessário submeter o fardo de roupa a um ciclo com água quente. Ao ser submetido ao calor, o material orgânico presente nos tecidos penetra ainda mais nas fibras, tornando difícil a retirada destes resíduos e facilitando a formação de manchas. Após este processo adicional com água quente, as roupas ainda precisam ser retiradas da máquina, separadas e submetidas a um ciclo completo de lavagem, o que aumenta os custos e o tempo de processamento. Outra desvantagem do uso de sacos solúveis é um risco maior de inclusão de materiais estranhos misturados às roupas, o que aumenta a chance de danos às máquinas e de acidentes com os funcionários. Por todos estes inconvenientes e pelo próprio custo individual, o uso de sacos solúveis tem se tornado inviável.

TRANSPORTE PARA A LAVANDERIA

Os sacos de roupa suja devem ser transportadas de tal forma, que o seu conteúdo não contamine o funcionário ou o ambiente. O horário para o transporte deve ser programado de acordo com o funcionamento do hospital e é importante que as roupas sujas permaneçam o menor tempo possível estocadas nos setores. Surtos de infecções já foram descritos, relacionando a estocagem prolongada da roupa suja em sacos plásticos como um dos mecanismos que possibilitaram a multiplicação de microrganismos esporulados, possibilitando a persistência destes patógenos no tecido já lavado (12). A remoção de manchas também fica dificultada pela demora, sendo que a proliferação de fungos na roupa úmida pode produzir pigmentos que se aderem fortemente ao tecido.

Se a área física da lavanderia é adequada e o transporte respeita as normas de acondicionamento, não há necessidade de horários diferenciados para impedir o cruzamento de roupas limpas e sujas. Quando o local de recebimento da roupa suja for próximo ao setor de distribuição da roupa limpa, o risco de recontaminação do material já processado aumenta. Nestas circunstâncias, a separação funcional das roupas poderá ser conseguida com o uso de embalagens para o material limpo e com o correto acondicionamento da roupa suja durante a coleta.

A utilização de carros exclusivos para o transporte de roupa suja é altamente recomendada. Os carros de transporte devem ser confeccionados com material leve, devem ter superfícies lisas para facilitar a lavagem e possuir um sistema para escoamento de água. É recomendável que os carros possuam tampa, mas sua utilização não dispensa o correto ensacamento das roupas. Após o turno de trabalho, os carros devem ser submetidos à lavagem com água e sabão seguida e desinfecção com álcool a 70% ou hipoclorito a 1%, dependendo do tipo de material utilizado em sua estrutura.

Os hampers também podem ser usados no transporte, desde que as roupas estejam corretamente ensacadas. A embalagem adequada evita que ocorra a contaminação do ambiente e do saco do hamper, que deve ser lavado após cada coleta. Como a capacidade de armazenagem dos hampers é pequena, é necessário redobrar o cuidado para não comprimir as roupas na tentativa de compactar os sacos, evitando acidentes com objetos estranhos ou espirros de líquidos e vazamentos.

Os tubos de queda ou chutes tem seu uso limitado pelo perigo de incêndio e acidentes, estrago dos envoltórios, dificuldade de controle da roupa, dificuldade de limpeza e odores assim como, por serem fontes de aerossóis. Já foi demonstrado que este recurso pode provocar a contaminação do ambiente, até mesmo em outros andares do prédio, pois este sistema promove a dispersão de microrganismos no ambiente através do deslocamento de correntes de ar em seu interior. O movimento do ar quente, por convecção, e também através da compressão exercida nos tubos, com sacos de roupa funcionando como êmbolos, empurram o ar contaminado para outros setores (7). Quando o seu uso não puder ser evitado, os chutes devem ter superfície lisa, de preferência tubular e com o mínimo de emendas, também devem possuir sistemas de vedação eficientes e portas com travas. As tubulações não devem ter as aberturas posicionadas diretamente nos corredores, mas em ante-salas com revestimento lavável. Além disto, é necessário que o sistema seja destinado exclusivamente ao transporte de roupa suja e que sejam limpos e desinfetados diariamente.

Independente da rotina utilizada, os funcionários que transportam a roupa suja devem usar sempre os equipamentos de proteção individual: avental, máscara, botas e luvas de borracha.

Pesagem, separação e classificação

 

PESAGEM

A pesagem, a separação e a classificação prévia da roupa são fundamentais para que o processo de lavagem ocorra da forma mais econômica e eficaz. Os diferentes tipos de tecidos e o grau de sujidade das roupas irão determinar o ciclo adequado e as substâncias químicas que serão utilizadas no processo de lavagem. Como a separação envolve o manuseio direto das roupas, agrupá-las de acordo com suas características constitui-se na atividade de maior risco para a aquisição ocupacional de infecções. O funcionário que faz a separação da roupa deve usar máscara, avental, gorro, botas e luvas de borracha cobrindo os braços. Os óculos de proteção são recomendados sempre que houver manuseio de roupa muito molhada. Para diminuir a contaminação dos profissionais e do ar, a roupa suja deve ser manuseada com um mínimo de agitação possível. Além disto, para evitar acidentes com objetos perfurocortantes inadvertidamente coletados, é recomendável puxar as roupas pelas pontas, cuidadosamente, sem apertar nem recolher várias peças de uma vez.

Embora pouco freqüentes, as infecções adquiridas durante o processo de separação da roupa normalmente são relacionadas a três fatores principais: negligência no uso dos equipamentos de proteção individual, descaso em relação às precauções apropriadas e não adesão à rotina de lavagem das mãos. Para combater este importante risco ocupacional, é preciso realizar campanhas freqüentes de esclarecimento sobre as formas de transmissão das doenças infecciosas no ambiente de trabalho. Também é fundamental organizar a notificação sistemática dos casos de acidentes aos setores de origem de roupas com presença de objetos estranhos (13). Associada a estes cuidados, a vacinação dos profissionais contribui significativamente na prevenção de doenças transmitidas através do ar, sangue e fluidos corporais. As vacinas atualmente recomendadas para os profissionais da área de saúde são aquelas contra hepatite B, influenza, sarampo, rubéola, pólio e caxumba (14). Além destas, outras imunizações devem ser consideradas, dependendo de fatores individuais. A profilaxia contra pneumococo e hemófilo deve ser considerada para os profissionais acima de 65 anos ou portadores de doença pulmonar crônica. Também devem estar em dia as vacinas que compõem o esquema básico para a população em geral, com destaque para a antitetânica.

LAVAGEM

Não há um padrão para o grau de contaminação aceitável da roupa limpa. Os microrganismos contaminantes são diferentes entre si na habilidade de aderirem aos tecidos e sobreviverem ao processo de lavagem da roupa. As formulações dos sabões, detergentes e desinfetantes devem ser especificadas de modo que o ciclo seja capaz de remover a sujidade e impedir a roupa de atuar como fonte de transmissão de doenças.

Um ciclo completo de lavagem de roupa com sujidade pesada, por exemplo, inclui umectação , enxágües, lavagem, alvejamento, enxágües, acidulação e amaciamento. A desinfecção ocorre durante o processo. A roupa com sujidade leve está liberada das primeiras etapas do processamento, quais sejam, umectação, primeiros enxágües e pré-lavagem sendo seu ciclo iniciado já na etapa de lavagem.

O hipoclorito é o produto de eleição para a etapa de desinfecção da roupa, sendo disponível em formulações sólidas de hipoclorito de cálcio ou como hipoclorito de sódio líquido. Este desinfetante possui um amplo espectro de ação e seu custo é baixo, mas para que a inativação dos microrganismos possa ser assegurada, é necessário utilizar dosagens que proporcionem um teor residual mínimo de 100 partes por milhão (15). É importante ressaltar que o hipoclorito perde sua capacidade bactericida quando adicionado ao sabão ou detergente, sendo esta associação usada apenas para o alvejamento da roupa. O hipoclorito também é inativado por matéria orgânica, devendo ser usado com a função de desinfetante somente após a roupa ter sido lavada com sabão ou detergente e enxaguada.

A utilização da água quente para lavagem das roupas facilita a remoção da sujeira e a diminuição da carga bacteriana dos tecidos. Com a elevação dos custos do aquecimento da água, principalmente a partir dos anos 70, seu uso foi racionalizado apenas para a fase de lavagem, ou quando o uso de produtos químicos exigir temperaturas altas para a sua ativação ( por exemplo, perborato de sódio e peróxido de hidrogênio). Em um estudo bem controlado, Blaser et all demonstrou que o conteúdo bacteriano da roupa suja poderia ser reduzido igualmente por ciclos de água quente ou fria (2). Neste estudo, partindo de contagens como 106 a 108 ufc/100cm2 de tecido, a contaminação foi reduzida em 3 log10 na pré-lavagem sem produtos químicos, usando apenas a agitação, diluição e drenagem da água. Quando os produtos químicos foram adicionados à água fria (22°C), houve uma queda de 3 log10 na carga bacteriana. O processo de secagem da roupa contribuiu ainda com uma diminuição de 1 a 2 log10 na contagem, gerando roupas com qualidade de higienização comparáveis àquelas processadas em temperaturas elevadas.

Nos processos em que a água quente é empregada, o tempo de duração de um ciclo de lavagem é fundamental para que haja uma redução adequada da carga bacteriana, sendo necessária uma exposição não menos que 25 minutos com temperatura de, no mínimo, 71°C. Em temperaturas baixas, de 21 a 50°C, o uso de doses controladas de produtos químicos apropriados é o fator mais importante para garantir esta redução. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle de Doenças e Prevenção, CDC, referência mundial para assuntos de controle de doenças infecciosas, recomenda os dois tipos de ciclo, desde que observadas as especificações dos produtos químicos e suas concentrações apropriadas. As doses destes produtos químicos e o tempo de cada parte do ciclo devem ser ajustados pela qualidade da carga, tipo de tecido a ser lavado e grau de sujidade, de acordo com o a maquinaria empregada e as indicações de seus fabricantes.

No Brasil, muitos hospitais já utilizam sistemas de lavagem com água fria e dosadores automáticos para os produtos químicos. A eficiência do processo e a diminuição dos custos com o aquecimento da água incentivam as mudanças de maquinaria e de área física para a adequação a este sistema.

Após a lavagem e alvejamento, o enxágüe generoso é fundamental para reduzir o risco de irritação da pele pelos resíduos químicos. Além disso, o uso de um produto ácido fraco (amaciante) no final do enxágüe neutraliza a alcalinidade dos sabões e modifica rapidamente o pH da água, exercendo uma ação bactericida adicional.

Ao final do turno de funcionamento, a maquinaria da lavanderia deve receber limpeza e desinfecção de acordo com as recomendações do fabricante. Também é importante a existência de rotinas de limpeza e desinfecção do ambiente específicas para cada zona de trabalho.

ARMAZENAMENTO.

Na lavanderia, as roupas limpas devem ser armazenadas de forma a prevenir a sua contaminação. Para que seja mantida a condição higiênica das roupas, elas podem ser envolvidas por sacos plásticos ou de pano. Nos locais de alta rotatividade das peças, o simples empilhamento em armários pode ser suficiente. Os armários destinados à guarda da roupa devem ser fechados, devem possuir superfícies laváveis e devem ser rotineiramente limpos e desinfetados. Desde que corretamente acondicionadas, não há um tempo máximo pré-determinado para a estocagem das roupas.

As roupas limpas devem ser distribuídas de forma que cheguem às unidades sem acréscimo de microrganismos ou sujidade. Carros com tampa, semelhantes aos utilizados para o transporte de roupas sujas, podem ser utilizados para proteger as roupas limpas durante a distribuição. O transporte manual das roupas facilita a contaminação das peças por microrganismos presentes no ambiente, na roupa do profissional e principalmente em suas mãos. O correto acondicionamento das peças nas rouparias dos setores de uso, é importante para manter as suas características e deve obedecer às mesmas normas que o armazenamento na lavanderia.

ESTERILIZAÇÃO DAS ROUPAS

É necessária a esterilização das roupas utilizadas em procedimentos cirúrgicos ou outros procedimentos críticos (16). Apesar de ser discutível a necessidade de roupas estéreis nos berçários, a esterilização pode ser indicada na tentativa de debelar surtos de infecções com possibilidade de estarem relacionados à contaminação das roupas, retornando ao normal posteriormente (7). A esterilização das peças é conseguida através de autoclavagem a vapor, após o processamento adequado. É importante ressaltar que a presença de resíduos químicos, matéria orgânica ou corpos estranhos compromete o processo de esterilização.

ROUPAS DESCARTÁVEIS

A padronização de peças descartáveis para uso hospitalar deve considerar não apenas o custo, mas também a qualidade da matéria prima empregada, o tipo de população assistida, o número de clientes e a capacidade do hospital em manter um estoque regular destes materiais. As toalhas de papel são um dos itens descartáveis mais importantes em um hospital e nunca podem faltar, pois são imprescindíveis para a realização da principal ação de controle das infecções hospitalares: a higienização das mãos.

Em diversos tipos de procedimentos, desde a assistência a pacientes em isolamento, até na realização de cirurgias complexas em imunossuprimidos, a utilização de roupas em perfeito estado de conservação é essencial para prevenir a contaminação dos pacientes e dos profissionais. Nestes casos, quando o desgaste da lavagem impossibilita a reutilização das peças com absoluta segurança, o uso de roupas descartáveis é o mais indicado. Nos serviços de urgência e trauma, o uso de lençóis descartáveis tem se mostrado um recurso eficaz na redução de custos com mão-de-obra e com produtos para lavanderia, além de contribuírem para agilizar o atendimento. Artigos como máscaras, gorros, propés, compressas e fraldas podem ser tão frágeis que ficam esgarçados e furados, sem condições de uso, após poucos ciclos de lavagem, tornando o uso de descartáveis mais econômico e seguro.

A disponibilidade, em escala industrial, de campos cirúrgicos, capotes, uniformes e outras peças descartáveis vem reduzido de forma significativa o custo destes artigos, possibilitando o seu uso mais freqüente. A opção por descartáveis, durante reformas na lavanderia, em ocasiões de pane nas máquinas, falta de água ou outras situações, pode ser uma solução rápida e eficiente, mesmo em locais onde o seu uso rotineiro não é padronizado.


CONCLUSÃO

O contato direto com as secreções e fluidos corporais presentes nas roupas sujas e a aspiração do ar contaminado por aerossóis gerados pela agitação das peças constituem os principais mecanismos de transmissão de doenças infecciosas durante o processamento destas roupas.

A contaminação dos funcionários e do ambiente tem maior probabilidade de ocorrer nas seguintes situações: no momento em que as peças são retiradas de seus locais de uso; durante o transporte, quando o ensacamento não for realizado corretamente; se houver cruzamento real de roupas sujas e limpas; e quando a utilização dos EPIs for negligenciada.

Desde que adequadamente manuseadas e processadas, as roupas não constituem um risco aumentado na transmissão de doenças. A contaminação pode ser evitada pelo manuseio cuidadoso das peças, com a adoção das precauções para fluidos e secreções corporais aplicadas a todas as roupas, independente da origem, e com o processamento das roupas obedecendo as rotinas técnicas.

Para conseguir a adesão dos profissionais às normas estabelecidas, é indispensável um programa permanente de educação continuada, enfatizando os riscos de transmissão de doenças infecciosas e parasitárias, as diversas formas de contaminação e as medidas necessárias para a proteção individual e de equipe no ambiente hospitalar.

Leitura Recomendada

1. Barrie, D. How hospital linen and laundry services are provided. J Hosp Infect 1994 Jul; 27(3):219-35.

2. Blaser MJ, Smith PF, Cody HJ et al. Killing of fabric-associated bacteria in hospital laundry by low-temperature washing. J Infect Dis.1984 Jan;149(1):48-57.

3. Hospitals and other health-care settings: section 6 - laundry. In Fried A, O’Carrol PW, eds. CDC Prevention Guidelines - A Guide to Action. Williams & Wilkins, 1997:1269-70.

4. Joint Committee on Healthcare Laundry Guidelines 1993. Guidelines for Healthcare Linen Service. Hallandale, FL: Textil Rental Services Association of America, 1993

5. Ministério da Saúde. Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde. Brasília 1994: 78.

6. Mezzomo AA. Lavanderia Hospitalar - Organização e Técnica. Centro São Camilo de Desenvolvimento em Administração da Saúde, 1980: 38.

7. McDonald LL, Pugliese G. Laundry Service In: Mayhall CG, ed. Hospital Epidemiology and Infection Control. W & W, 1996: 805-8.

8. Weinstein S, Gantz N, Pelletier O et al. Bacterial surface contamination of patient’s linen: isolation precautions versus standard care. Am J Infect Control 1989; 17:264-267

9. Belkin NL. Bloodborne pathogens. AORN J 1993 May; 57(5):1056-8.

10.Maki DG, Alvarado C, Hassemer C. Double-bagging of items from isolated rooms is unnecessary as an infection control measure: a comparative study of surface contamination with single- and double-bagging. Infec Control 1986; 11:535-7

11.Paredes Estublier G. Experiences with water-soluble bags in commercial laundry for hospital use. Rev Enferm 1993 Mar; 16(175):45.

12.Barrie D, Hoffman PN, Wilson JA et al. Contamination of hospital linen by Bacillus cereus, Epidemiol Infect 1994 Oct; 113(2): 297-306.

13.Burken MI, Preston W, Atkinson SE. Reducing laundry linen sharps contamination: employee safety management. Infect Control Hosp Epidemiol 1994 Feb: 15(2):71-2.

14.Immunizations - General Recomendations. In Fried A, O’Carrol PW, eds. CDC Prevention Guidelines - A Guide to Action. Williams & Wilkins, 1997:1269-70.

15.Rutala WA, Cole EC, Thomann CA et al. Stability and bactericidal activity of chlorine solutions. Infect Control Hosp Epidemiol. 1998; 19:323-327.

16. Markowitz BM; Main BC; Bowden DS et all. Support services in the operating room. Dimens Oncol Nurs 1991 Spring; 5(1): 27-30.

17 – Ministério da saúde – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de Lavanderia em Serviços (em prelo).

18 – Ministério da saúde – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC 50 de 21 de fevereiro de 2002, (DOU de 20 de março de 2002. Dispõe sobre o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.

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