24.03.14 Nano Sílica em Alimentos e Saúde.

Muitas vezes as pessoas  perguntam quanto seguro é o Nanoclean Liquid Glass ou Vidro Líquido.  O nome químico para o principal constituinte do nosso produto é dióxido de silício e o símbolo químico é SiO2,  e que é de fato , classificado como um aditivo alimentar . Sim, é verdade! Nanoclean Liquid Glass ou Nanoclean Vidro Líquido é feito de dióxido de silício e  realmente você encontra Dióxido de Silício em alimentos.

 

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Controle Infecção Hospitalar

Controle Infecção Hospitalar.

Provida Provendo Soluções Preservando Vidas. Eficiente Contra Bactérias, Vírus e Fungos. Prevenção deveria ser Obrigação!

 

Caderno C

Métodos de Proteção Anti-Infecciosa

Diretor-Presidente

 

Gonzalo Vecina Neto

 

Diretores

 

Luiz Carlos Wanderley Lima

Luiz Felipe Moreira Lima

Luiz Milton Veloso Costa

Ricardo Oliva

 

Adjunto:

 

Claudio Maierovitch P. Henriques

 

Gerente-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde

 

Lucila Pedroso da Cruz

 

 

Chefe da Unidade de Controle de Infecção em Serviços de Saúde

 

Glória Maria Andrade

 

Equipe Técnica:

 

Eni Rosa Borba Mesiano

Maria do Carmo Freitas da Costa

Maria do Carmo Ramalho Rodrigues de Almeida

 

Coordenação geral:

Consultor em Controle de Infecção Hospitalar

 

 

Antonio Tadeu Fernandes

 

Colaboradores:

 

Adolfo Edison Manrique

Ana Paola Castagnari

Anna Sara Levyn

Carlos Emílio Levy

Esperança Santos de Abreu

Fernando Aurélio Calligaris Galvanese

Kazuko Uchikawa Graziano

Lara Gurgel Fernandes Tavora

Lígia Bueno Assumpção

Luis Carlos Barradas Barata

Maria Cristina Gabrielloni

Maria Olivia Vaz Fernandes

Martha Oliveira Ramalho

Mônica Velhote

Rúbia Aparecida Lacerda

Talib Moysés Moussallem

 

Edição de Design Gráfico

Gerência de Comunicação Multimídia

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Site: www.anvisa.gov.br

Copyright@ ANVISA, 2000

 

 

Apresentação

 

 

Historicamente, no Brasil, o Controle das Infecções Hospitalares teve seu marco

referencial com a Portaria MS nº 196, de 24 de junho de 1993, que instituiu a implantação

de Comissões de Controle de Infecções Hospitalares em todos os hospitais do país,

independente de sua natureza jurídica .

 

Na ocasião, o Ministério da Saúde optou por treinar os profissionais de saúde

credenciando Centros de Treinamento (CTs) para ministrar o Curso de Introdução ao

Controle de Infecção Hospitalar.

 

Atualmente, as diretrizes gerais para o Controle das Infecções em Serviços de

Saúde são delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), na

Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde , através da Unidade de Controle

de Infecções em Serviços de Saúde (UCISA), e novo impulso tem sido dado no sentido de

enfrentar a problemática das infecções relacionadas à assistência .

 

Com a finalidade de capacitar profissionais de saúde para o controle das infecções

em serviços de saúde, a Anvisa está apresentando o Curso Básico de Controle de

Infecção Hospitalar, elaborado conforme orientações das legislações pertinentes à

matéria.

 

O curso é composto de uma série de 5 cadernos e um manual do monitor,

constando de uma parte teórica e outra de exercícios de reforço, com carga horária total

de 40 horas/aula.

 

O objetivo é oferecer subsídios aos profissionais da área da saúde que garantam o

desenvolvimento das atividades voltadas para o Controle das Infecções Hospitalares,

beneficiando a sociedade através do uso de medidas de proteção e promoção à saúde.

 

Sugerimos que os temas desenvolvidos sejam aprofundados, complementados e

adequados a cada realidade local. Esse constitui nosso maior esforço.

 

É importante que nessa trajetória, em busca do avanço nos conhecimentos sobre o

assunto, sejam estabelecidas parcerias visando uma cooperação técnica e a

interdisciplinaridade nas ações.

 

Gonzalo Vecina Neto

 

 

Curso Básico de Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno A: Epidemiologia para o Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno A 1: Conceitos e Cadeia Epidemiológica das Infecções Hospitalares

Caderno A 2: Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares

Caderno A 3: Controle e Investigação de Surtos de Infecção Hospitalar

Caderno A 4: Conceitos e Critérios Diagnósticos das Infecções Hospitalares

 

Caderno B: Principais Síndromes Infecciosas Hospitalares

 

Caderno B 1: Infecção do trato urinário, sítio cirúrgico e pneumonia

Caderno B 2: Infecção do acesso vascular, corrente sangüínea. Infecção em pacientes

especiais (queimados, renais crônicos e neonatos)

 

Caderno C: Métodos de Proteção Anti-infecciosa

 

Caderno C 1: Limpeza, Esterilização e Desinfecção de Artigos e Anti-sepsia

Caderno C 2: Precauções Padrão, Isolamento e Saúde Ocupacional

 

Caderno D: Microbiologia Aplicada ao Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno D 1: Antimicrobianos e o controle de infecção

Caderno D 2: Laboratório de Microbiologia

 

Caderno E: Programa do Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno E 1: Setores de Apoio e o Controle de Infecção Hospitalar

Caderno E 2: Organização do Controle de Infecção Hospitalar

 

Manual do Monitor

 

Pré teste de Avaliação

Gabarito

 

 

Sumário

 

Caderno C: Métodos de Proteção Anti-infecciosa

 

Caderno C 1

Limpeza, Esterilização e Desinfecção de Artigos e Anti-sepsia 07

Caderno de Respostas 33

Caderno C 2:

Precauções Padrão, Isolamento e Saúde Ocupacional 37

Caderno de Respostas 81

Bibliografia 84

 

 

Caderno C1

 

 

Limpeza, Esterilização e Desinfecção de Artigos

e Anti-Sepsia

 

 

Introdução

 

Sem dúvida alguma, as infecções hospitalares constituem um grave problema

de saúde pública, tanto pela sua abrangência como pelos elevados custos sociais e

econômicos. O conhecimento e a conscientização dos vários riscos de transmissão

de infecções, das limitações dos processos de desinfecção e de esterilização e das

dificuldades de processamento inerentes à natureza de cada artigo são

imprescindíveis para que se possa tomar as devidas precauções.

 

O conhecimento e a divulgação dos métodos de proteção anti-infecciosa são

relevantes uma vez que, a atuação do profissional de saúde está na

interdependência do material que está sendo usado, como veículo de transmissão

de infecção tanto para o paciente como na manipulação dos artigos sem os devidos

cuidados.

 

Classificação de artigos segundo o risco e potencial de contaminação

 

A variedade de materiais utilizados nos estabelecimentos de saúde pode ser

classificada segundo riscos potenciais de transmissão de infecções para os

pacientes, em três categorias: críticos, semi-críticos e não críticos.

Artigos críticos

 

Os artigos destinados aos procedimentos invasivos em pele e mucosas

adjacentes, nos tecidos subepiteliais e no sistema vascular, bem como todos os que

estejam diretamente conectados com este sistema, são classificados em artigos

críticos. Estes requerem esterilização. Ex. agulhas, cateteres intravenosos,

materiais de implante, etc.

Artigos semi-críticos

 

Os artigos que entram em contato com a pele não íntegra, porém, restrito às

camadas da pele ou com mucosas íntegras são chamados de artigos semi-críticos

e requerem desinfecção de médio ou de alto nível ou esterilização. Ex. cânula

endotraqueal, equipamento respiratório, espéculo vaginal, sonda nasogástrica, etc.

 

 

Artigos não críticos

 

Os artigos destinados ao contato com a pele íntegra e também os que não

entram em contato direto com o paciente são chamados artigos não-críticos e

requerem limpeza ou desinfecção de baixo ou médio nível, dependendo do uso a

que se destinam ou do último uso realizado. Ex. termômetro, materiais usados em

banho de leito como bacias, cuba rim, estetoscópio, roupas de cama do paciente,

etc.

 

Indubitavelmente esse esquema de classificação lógica tem sido útil como guia

na escolha adequada dos métodos de proteção anti-infecciosa. Porém, na prática, a

escolha não é tão simples quanto parece e muitas dúvidas surgem especialmente

em relação aos artigos semi-críticos. Por exemplo, os equipamentos de endoscopia

digestiva seriam a principio artigos semi-críticos, requerendo a desinfecção. No

entanto, o risco de traumas durante o procedimento não é pequeno, especialmente

naqueles portadores de varizes esofagianas. Percebe-se que estes conceitos

clássicos levam a algumas imprecisões, sendo as sondas vesicais um outro

exemplo, apesar de serem considerados semi-críticos, são utilizadas exclusivamente

estéreis. Então propomos alterações nestes conceitos passando a definir como

artigos críticos aqueles que têm contato direto ou indireto com áreas estéreis do

corpo, independente de serem mucosas ou tecidos epiteliais. Classificamos como

artigos semi-críticos os que entram em contato direto ou indireto com mucosa com

flora própria ou com lesões superficiais de pele. Por este conceito a sonda vesical

passa ser considerada artigo crítico e utilizada estéril.

 

Pergunta 1: Porque os artigos críticos devem ser esterilizados e os semicríticos,

apenas sofrer processo de desinfecção?

 

 

Pergunta 2: Correlacione respectivamente os artigos críticos, semi-críticos ou

não críticos, assinalando a alternativa de acordo com as letras C, SC ou NC.

 

( ) Seringas e agulhas

( ) Mesa de exame

( ) Mamadeiras e bicos

( ) Fios cirúrgicos

( ) Comadres e papagaios

( ) Dieta enteral

( ) Pias e vasos sanitários

( ) Sonda vesical

( ) Medicamentos orais

( ) Máscara de inalação

( ) Instrumentais cirúrgicos

 

Limpeza e descontaminação de artigos médico-hospitalares

 

Limpeza

 

É o procedimento de remoção de sujidade e detritos para manter em estado de

asseio os artigos, reduzindo a população microbiana. Constitui o núcleo de todas as

ações referentes aos cuidados de higiene com os artigos hospitalares. A limpeza

deve preceder os procedimentos de desinfecção ou de esterilização, pois reduz a

carga microbiana através remoção da sujidade e da matéria orgânica presentes nos

materiais. Estudos têm demonstrado que a limpeza manual ou mecânica, com água

e detergente ou produtos enzimáticos reduz aproximadamente 105 do bioburden.

 

O excesso de matéria orgânica aumenta não só a duração do processo de

esterilização, como altera os parâmetros para este processo. O avanço tecnológico

tem lançado no mercado equipamentos complexos dotados de estreitos lúmens que

tornam a limpeza um verdadeiro desafio. Assim, é lícito afirmar que a limpeza

rigorosa é condição básica para qualquer processo de desinfeção ou esterilização.

“É possível limpar sem esterilizar, mas não é possível garantir a esterilização sem

limpar”.

 

 

Descontaminação de Artigos

 

Descontaminação e desinfecção não são sinônimos. A descontaminação tem

por finalidade reduzir o número de microorganismos presentes nos artigos sujos, de

forma a torná-los seguros para manuseá-los, isto é, ofereçam menor risco

ocupacional. O uso de agentes químicos desinfetantes como glutaraldeído,

formaldeído, hipoclorito de sódio e outros no processo de descontaminação, prática

largamente utilizada, não tem fundamentação. O agente químico é impedido de

penetrar nos microorganismos pois há tendência das soluções químicas ligarem-se

com as moléculas de proteínas presentes na matéria orgânica, não ficando livres

para ligarem-se aos microorganismos nas proporções necessárias dando uma “falsa

segurança” no manuseio do material como descontaminado. Além disso o uso

desses agentes na prática da descontaminação causa uma aderência de precipitado

de matéria orgânica no artigo, prejudicando sobremaneira a posterior limpeza.

 

Pergunta 3: Qual o conceito de limpeza e porque ela deve preceder os

procedimentos de desinfecção e esterilização dos artigos?

 

Desinfecção

 

O termo desinfecção deverá ser entendido como um processo de eliminação

ou destruição de todos os microrganismos na forma vegetativa, independente de

serem patogênicos ou não, presentes nos artigos e objetos inanimados. A destruição

de algumas bactérias na forma esporulada também pode acorrer, mas não se tem o

controle e a garantia desse resultado.

 

No seu espectro de ação, a desinfecção de alto nível deve incluir a eliminação

de alguns esporos, o bacilo da tuberculose, todas as bactérias vegetativas, fungos e

todos os vírus. A desinfecção de alto nível é indicada para ítens semi-críticos como

 

 

lâminas de laringoscópios, equipamento de terapia respiratória, anestesia e

endoscópio de fibra ótica flexível. O agente mais comumente utilizado para

desinfecção de alto nível é o glutaraldeído. Na desinfecção de nível intermediário

não é esperada ação sobre os esporos bacterianos e ação média sobre vírus não

lipídicos, mas que seja tuberculicida, elimine a maioria dos fungos e atue sobre

todas as células vegetativas bacterianas. Cloro, iodóforos, fenólicos e álcoois

pertencem a este grupo. Os desinfetantes desta classificação, juntamente com os de

baixo nível, são tipicamente usados para artigos que entrarão em contato somente

com a pele íntegra ou para desinfecção de superfícies. Na desinfecção de baixo

nível não há ação sobre os esporos ou bacilo da tuberculose, podendo ter ou não

ação sobre vírus não lipídicos e com atividade relativa sobre fungos, mas capaz de

eliminar a maioria das bactérias em forma vegetativa. Compostos com quaternário

de amônia são exemplos de desinfetantes de baixo nível.

 

Quando se fala em processo de desinfecção, subentende-se o uso de agentes

químicos, cujos princípios ativos permitidos pelo Ministério da Saúde, através da

Portaria número 15 de 1988 são: os aldeídos, fenólicos, quaternário de amônia,

compostos orgânicos liberados de cloro ativo, iodo e derivados, álcoois e glicóis,

biguanidas e outros, desde que atendam à legislação específica.

 

Apesar da grande oferta de produtos químicos no mercado, a escolha do mais

adequado não é uma tarefa fácil. Várias características devem ser consideradas

nesta seleção: amplo espectro de ação antimicrobiana; inativar rapidamente os

microorganismos; não ser corrosivo para metais; não danificar artigos ou acessórios

de borracha, plásticos ou equipamento ótico; sofrer pouca interferência, na sua

atividade, de matéria orgânica; não ser irritante para a pele e mucosas; possuir baixa

toxicidade; tolerar pequenas variações de temperatura e de pH; ter ação residual

sobre superfícies quando aplicado no ambiente; manter sua atividade mesmo

sofrendo pequenas diluições; ser um bom agente umectante; ser de fácil uso; ser

inodoro, ou ter odor agradável; ter baixo custo; ser compatível com sabões e

detergentes; ser estável quando concentrado ou diluído.

 

Pergunta 4: Quais são os aspectos fundamentais a serem considerados no

processo de desinfecção?

 

 

Princípios ativos usados como desinfetantes

 

Aldeídos

 

O glutaraldeído é o agente mais utilizado na desinfecção, na concentração de

2% e por um período de exposição de 30 minutos. Não danifica metais, borracha,

lentes e outros materiais, podendo ser utilizado na desinfecção de endoscópios e

aparelhos com lentes. O enxágüe do material pode ser feito em água corrente

potável, a secagem com uma compressa ou toalha macia, ou com ar comprimido,

acondicionado em recipiente desinfetado e guardado até o próximo uso. Ao

manipular o glutaraldeído, o funcionário deve usar luva de borracha, óculos e

máscara. O uso mais difundido do glutaraldeído é na desinfecção de artigos semicríticos

e instrumentos sensíveis ao calor. Não deve ser usado na limpeza de

superfícies pelo seu teor tóxico e fator econômico. Há relatos de hipersensibilidade

de funcionários ao manipular o glutaraldeído, como a sensibilidade na pele, irritação

ocular e das vias aéreas, principalmente se utilizado em áreas pouco ventiladas.

 

O formaldeído é usado em estado líquido e gasoso. Como desinfetante é mais

utilizado a formalina, solução em água a 10% ou em álcool a 8%, sendo bactericida,

tuberculicida, fungicida e viruscida após exposição de 30 minutos e esporicida após

18 horas. É corrosivo, tóxico, irritante de vias aéreas, pele e olhos. É indicado para a

desinfecção de vidraria e capilares do sistema dialisador do mesmo paciente, na

concentração de 4% por 24 horas. Há estudos que indicam o uso de formaldeído

com restrições.

 

 

Compostos fenólicos

 

O seu uso é recomendável para desinfecção de nível médio ou intermediário,

sendo o período de exposição de 10 minutos para superfície e de 30 minutos para

artigos. Tem como vantagens a sua ação residual e a pouca reatividade na presença

de matéria orgânica. Por penetrar em materiais porosos e ter ação residual, não é

indicado para artigos que entrem em contato com vias respiratórias e alimentos,

objetos de borracha, látex e acrílico. Ao manipular a solução, devem ser tomados os

cuidados de utilizar o avental impermeável, luvas de borracha, óculos protetores e

máscara. Há pesquisas relatando despigmentação da pele se não forem observadas

essas recomendações.

 

Quaternário de amônia

 

Geralmente são utilizados em associação com outros desinfetantes. Têm como

vantagem a baixa toxicidade. Quando utilizados isoladamente não tem ação

micobactericida. Os compostos de quaternário de amônia são usados para

desinfecção de baixo nível por um período de 30 minutos, em superfícies,

equipamentos e áreas onde se manipule alimentos.

 

Cloro

 

O hipoclorito está indicado para desinfecção e descontaminação de superfícies

e de artigos plásticos e borracha como máscaras de inalação, nebulizadores,

cânulas de Guedel, banheiras infantis e outros. Também é utilizado em superfícies

de áreas como lavanderia, lactário, copa, cozinha, banheiras de hidromassagem,

balcões de laboratório, banco de sangue, pisos, berços e incubadoras de acrílico,

cadeiras de áreas especiais e caixa de água. Deve-se ressaltar que na manipulação

de compostos clorados é necessário o uso de equipamento de proteção individual.

 

A matéria orgânica consome a quantidade de cloro livre, diminuindo sua ação

biocida, especialmente quando a concentração de cloro livre é baixa. Habitualmente

este halogênio reage com proteínas, formando cloraminas, retendo alguma atividade

germicida, mas reduzindo consideravelmente a quantidade de cloro livre.

 

 

É um agente desinfetante de amplo espectro, barato, não tóxico dentro de suas

especificações. Relata-se o uso de hipoclorito em hospitais, escolas, prédios de

acesso público; no controle bacteriano de restaurantes, fontes, processamento de

alimentos; no tratamento da água, dejetos e resíduos de esgoto.

 

O cloro pode ser utilizado em várias concentrações, as vezes referida em

partes por milhão (ppm) e outras em porcentagem (%), trazendo muita possibilidade

de uso inadequado do produto, ou ineficaz por baixa dosagem ou corrosivo devido

sua alta concentração. Geralmente partimos de uma solução mais concentrada para

realizarmos as mais variadas diluições. Necessitamos saber quanto da solução

original deve ser diluído em água para obtermos a concentração desejada.

 

O primeiro passo é estabelecermos a correlação entre uma medida em

porcentagem com uma em ppm. Um por cento significa uma parte em cem, logo dez

em mil, portanto dez mil em um milhão. Assim sendo, um porcento equivale a dez

mil partes por milhão. Concluindo, para transformar um valor de porcentagem para

ppm é só multiplicarmos por 10.000; e para transformarmos ppm em porcentagem é

só dividirmos o valor por 10.000. Exemplificando: hipoclorito a 2% é o mesmo que a

 

20.000 ppm.

Realizada esta etapa temos que determinar a quantidade de cloro que

precisaremos, que pode ser obtido pela seguinte regra de três:

ppm final (Cf) ----------------------------------- 10.000

quantidade de cloro------------------------ Volume final da solução (Vf)

 

Vamos agora determinar em que volume da solução inicial encontramos a

quantidade de cloro requerida. Isto pode ser obtido por uma nova regra de três:

ppm inicial (Ci) ----------------------------------10.000

quantidade de cloro-------------------------- Volume retirado (Vr)

 

A fórmula pode ser tratada matematicamente, sendo simplificada:

Da primeira equação, temos: Cf X Vf = Quantidade de cloro X 10.000

Da segunda equação, temos: Ci X Vr = Quantidade de cloro X 10.000

Substituindo-se as igualdades nas duas equações, teremos:

Cf X Vf = Ci X Vr

 

 

Donde concluímos:

 

Vr = (Cf X Vf) dividido por Ci

 

Onde:

 

Vr volume retirado

 

Cf concentração final desejada

 

Vf volume final

 

Ci concentração inicial

 

Exemplificando, se partimos de uma solução com 5,25% de cloro e quisermos

ter um galão de 20 litros com 250 ppm, para sabermos quanto devemos retirar do

produto original, basta primeiramente multiplicar 2,25 por 10.000, obtendo o

equivalente em ppm da solução original (52.500). Aplicando-se a fórmula, para

cálculo em ml, temos: 250 X 20.000 dividido por 52.500. Fazendo-se as contas

chegaremos a 95 ml.

 

Rutala et al estudaram a estabilidade e a atividade germicida das soluções

cloradas obtidas a partir da diluição da água sanitária em hospitais americanos. Foi

empregado o método da diluição em uso elaborado pela Association of Official

Analytical Chemists (AOAC) em soluções recentemente preparadas e as estocadas

em temperatura ambiente, durante 30 dias em recipientes translúcidos e opacos. As

bactérias de teste foram Pseudomonas aeruginosa, S. aureus e Salmonella

choleraesuis. Após 30 dias, praticamente não houve alteração na concentração de

cloro quando estava estocado em frasco opaco, enquanto que era encontrado 47%

da concentração original, quando armazenado nos recipientes translúcidos. A menor

concentração ativa contra os microrganismos testados foi 100 ppm, portanto se a

solução diluída inicial continha concentração acima de 200 ppm, a sua atividade

germicida contra estas bactérias vegetativas estava mantida após 1 mês de

estocagem.

 

Iodo

 

Além do uso como anti-séptico pode ser usado na desinfecção de vidros,

ampolas, estetoscópio, otoscópio, termômetros, endoscópios, metais resistentes à

oxidação e bancadas. A formulação pode ser de álcool iodado, contendo 0,5 e 1,0 %

de iodo livre em álcool etílico de 77% (v/v), que corresponde a 70% em peso ou

iodóforos na concentração de 30 a 50 mg/l de iodo livre.

 

 

Álcool

 

O álcool é amplamente usado como desinfetante no âmbito hospitalar, tanto o

álcool etílico, 70% (p/v), como o isopropílico, 92% (p/v), por terem atividade

germicida, menor custo e pouca toxicidade, sendo que o álcool etílico tem

propriedades germicidas superiores ao isopropílico. O seu uso é restrito pela falta de

atividade esporicida, rápida evaporação e inabilidade em penetrar na matéria

proteica. É recomendável para desinfecção de nível médio de artigos e superfícies,

com tempo de exposição de 10 minutos, sendo recomendáveis 3 aplicações

intercaladas pela secagem natural. Não é recomendado para borracha, plásticos e

cimento de lentes.

 

Os vários estudos, utilizando diversas metodologias revelam importantes fatos

curiosos e particularidades do álcool etílico como germicida: as concentrações por

peso guardam uma ação mais eficaz que concentrações por volume e além disso o

álcool etílico é provavelmente o único agente químico onde a ação germicida é maior

na sua formulação mais diluída. O porquê exatamente da formulação a 70%

peso/volume ser mais tóxica para as bactérias que outras concentrações de álcool

etílico, deve-se à importante desordem bioquímica na célula microbiana que tem

uma relação com a evaporação mais lenta do álcool etílico nesta concentração que

aumenta o poder bactericida deste agente químico em contato com os

microorganismos. Quando usado adequadamente, o álcool etílico apresenta

excelente ação germicida, especialmente sobre bactérias na forma vegetativa.

Esterilização

 

Pela conceituação clássica, entende-se que esterilização é o processo de

destruição de todas as formas de vida microbiana, ou seja, bactérias na forma

vegetativa e esporuladas, fungos e vírus, mediante a aplicação de agentes físicos e

químicos. Entretanto, considerando o comportamento dos microorganismos num

meio de cultura e sob ação de um agente esterilizante (morte em curva logarítmica),

 

o processo de esterilização assume um entendimento mais complexo. Sendo assim,

esterilização é o processo pelo qual os microorganismos são mortos a tal ponto que

não seja mais possível detectá-los no meio de cultura padrão no qual previamente

haviam proliferado. Convencionalmente, considera-se um artigo estéril quando a

probabilidade de sobrevivência dos microorganismos que o contamina é menor do

 

que 1:1.000.000 (10-6). Esse critério é o princípio básico dos testes biológicos

usualmente utilizados para controlar os processos de esterilização.

Os métodos de esterilização podem ser físicos e químicos. Dentre os físicos há o

calor, sob a forma úmida e seca, a radiação e a filtração. Dentre os métodos

químicos, há os agentes químicos sob a forma líquida e gasosa. Nas instituições de

saúde, os métodos de esterilização disponíveis rotineiramente são o calor, sob a

forma úmida e seca, e os agentes químicos.

 

Vapor Saturado Sob Pressão

 

O calor úmido na forma de vapor saturado sob pressão é o processo de

esterilização mais seguro, eficiente, rápido e econômico disponível. O mecanismo de

esterilização pelo vapor saturado sob pressão está relacionado com o calor latente e

 

o contato direto com o vapor, promovendo a coagulação das proteínas. Calor latente

é o calor que um corpo “recebe” sem variação de temperatura e sim de estado físico.

É o calor necessário para converter uma umidade de água em vapor. O vapor sob

pressão, ao entrar em contato com a superfície fria dos materiais colocados na

autoclave, se condensa liberando o calor latente, que é o responsável pela

desnaturação dos microrganismos. A esterilização está fundamentada nessa troca

de calor entre o meio e o objeto a ser esterilizado.

É necessário o estabelecimento de padrões no preparo e no acondicionamento

dos artigos a serem esterilizados, além do perfeito funcionamento do equipamento.

O acondicionamento dos artigos deve ser feito com embalagens permeáveis ao

vapor, além de resistentes a condições úmidas e secas, flexíveis e que não

permitam a penetração do microorganismo após o processo de autoclavação. Não

devem conter na sua composição produtos tóxicos, corantes ou liberar resíduos.

Devem favorecer o fechamento ou selagem e apresentarem facilidade na abertura

sem ocasionar risco de contaminação do seu conteúdo.

 

Para que ocorra o contato do vapor com o material, há necessidade da

remoção do ar presente na câmara, pois sendo o ar um bom isolante térmico,

impedirá a penetração do vapor nos materiais, reduzindo a eficácia ou

impossibilitando o processo de esterilização. A remoção do ar da autoclave pode ser

prejudicada pelo tamanho e posição dos pacotes, das embalagens muito apertadas

e pela carga excessiva.

 

 

A combinação tempo de exposição-temperatura adotados nos ciclos de

esterilização, são condições essenciais para a garantia da eficácia desse processo.

O tempo de exposição abrange três componentes: o tempo de penetração do vapor,

 

o tempo de esterilização e o intervalo de confiança. O tempo de penetração do

vapor é “o intervalo necessário para que a carga atinja a temperatura da câmara”, o

que varia com o tipo de autoclave e a natureza do material a ser esterilizado. O

tempo de esterilização é “o menor intervalo necessário para a destruição de todas

as formas de vida microbiana”, variando com a temperatura empregada e o

bioburden do artigo; intervalo de confiança é o período adicional, geralmente igual

à metade do tempo de esterilização, adotado na autoclavação de artigos”.

Calor Seco

 

A esterilização pelo calor seco é feita em estufas elétricas equipadas com

termostato e ventilador, a fim de promover um aquecimento mais rápido, controlado

e uniforme dentro da câmara. A circulação de ar quente e o aquecimento dos

materiais se faz de forma lenta e irregular, requerendo longos períodos de exposição

e temperatura mais elevada do que o vapor saturado sob pressão para se alcançar a

esterilização.

 

Este processo deve se restringir a artigos que não possam ser esterilizados

pelo vapor saturado sob pressão, pelo dano que a umidade pode lhes causar ou

quando são impermeáveis, como vaselina, óleos e pós. A utilização do calor seco

tem também por objetivo a despirogenação, quando realizada numa temperatura de

2000 C a 2200 C, por um período de exposição não inferior a 2 horas.

 

A inativação dos microorganismos pelo calor seco é resultante da oxidação e

dessecação. O processo de esterilização pelo calor seco, embora seja simples,

exige cuidados como propiciar a livre circulação do ar por toda a estufa e entre as

caixas e observar rigorosamente a relação tempo de exposição e temperatura, a fim

de assegurar a sua eficácia. O tempo de exposição deve ser considerado apenas

quando a temperatura determinada for alcançada, sem incluir o tempo gasto para o

aquecimento. O estabelecimento de parâmetros de tempo de exposição e

temperatura tem sido uma preocupação constante entre os profissionais

responsáveis pela esterilização, pela diversidade de informações disponíveis.

 

 

Radiação

 

A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis, por

atuar em baixas temperaturas. É um método disponível em escala industrial devido

aos elevados custos de implantação e controle. Além do uso na esterilização de

seringas, agulhas hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos e outros artigos médico-

hospitalares, é empregada também em determinados tipos de alimentos visando

aumentar a vida de prateleira dos mesmos e no tratamento de resíduos. É utilizada

também pela indústria farmacêutica na esterilização de medicamentos. A radiação é

“a emissão e propagação de energia através de um meio material, sob a forma de

ondas eletro-magnéticas, sonoras ou por partículas”.

 

Filtração

 

A filtração tem por finalidade eliminar, mecanicamente, os microorganismos

e/ou partículas através da passagem por filtro microbiológico. A eficácia da

esterilização por filtração depende do uso de elementos filtrantes com poros de

dimensões adequadas e das condições de assepsia observadas durante o

procedimento. Esta técnica não é considerada infalível, sendo recomendada apenas

quando não é possível aplicar métodos mais eficazes. Este processo é empregado

em esterilização de fluídos farmacêuticos, como medicamentos endovenosos,

drogas, vacinas e esterilização de ar em áreas onde esteja envolvida produção

asséptica de produtos farmacêuticos, em salas cirúrgicas, salas para pacientes

imunodeprimidos, etc. A filtração de ar incorpora o princípio de fluxo laminar, definido

como um “fluxo unidirecional de ar dentro de uma área confinada com velocidade

uniforme e turbulência mínima”.

 

Agentes químicos

 

Os esterilizantes químicos, cujos princípios ativos são autorizados pela Portaria

no 930/92 do Ministério da Saúde, são aldeídos, óxido de etileno e outros, desde que

atendam a legislação específica.

 

 

Aldeído: o agente químico mais utilizado na esterilização é o glutaraldeído a

2% por um período de exposição de 8 a 12 horas dependendo da formulação

química. É associado a uma solução antioxidante para não dissolver o cimento de

lentes. É indicado para a esterilização de artigos críticos termossensíveis como

acrílicos, catéteres, drenos, nylon, silicone, teflon, PVC, laringoscópios e outros.

 

Deve ser usado em recipiente fechado, na imersão completa do material a ser

esterilizado, com preenchimento de lúmen e outras superfícies externas e internas.

O material deve ser enxaguado em água destilada esterilizada e o pessoal, ao

realizar esse procedimento, deve estar devidamente paramentado com gorro,

máscara, luvas e aventais esterilizados. A possibilidade de recontaminação do

material é grande à medida que a manipulação é muito maior. É recomendável a

secagem do material com compressa estéril e o seu uso imediato pois a guarda

desse material, sob o rótulo “esterilizado” é praticamente impossível.

 

O formaldeído pode ser usado como esterilizante tanto no estado líquido,

como gasoso. Usualmente, o tempo mínimo de esterilização é de 18 horas, tanto

para a solução alcoólica a 8% quanto para solução aquosa a 10%. O seu uso é

limitado pelos vapores irritantes, carcinogenicidade em potencial, odor característico

desagradável, mesmo em baixa concentração (1 ppm). A utilização desse agente

químico exige uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI).

 

O ácido peracético é um agente químico que está sendo utilizado como

esterilizante para alguns materiais termossensíveis como, por exemplo os cateteres.

 

o

 

A Portaria n 15 de 23 de agosto de 1988 inclui no subanexo 1, alínea I, este

princípio ativo para uso com finalidade desinfetante e esterilizante. É reconhecido

como esporicida em baixas concentrações e tem como principal vantagem os

produtos de sua decomposição, que não são tóxicos, a saber: ácido acético, água,

oxigênio e peróxido de hidrogênio. Em altas concentrações, o ácido peracético é

volátil, tem odor pungente e riscos de explosão e incêndio.

 

Esta inovação tecnológica oferece um tempo recorde de ciclo de esterilização

para artigos termossensíveis, é totalmente automatizada sem o contato do operador

com o agente químico e o seu resíduo tóxico é nulo sobre o artigo, o operador e o

ambiente. A sua aplicabilidade é restrita apenas para ítens passíveis de imersão em

meio líquido. O ácido peracético é inativado na presença de sangue e não se dispõe

ainda de monitor biológico para controlar o processo.

 

 

O peróxido de hidrogênio é outro agente químico esterilizante tanto na sua

forma líquida, gasosa e plasma, esta última, com perspectivas de substituir o uso do

gás óxido de etileno para esterilização de artigos termossensíveis. É altamente

oxidante, podendo ser ativo em presença de matéria orgânica, sendo tóxico, irritante

de pele e olhos, mas facilmente manipulado. Como o glutaraldeído, falhas no

enxágüe podem provocar no paciente uma enterite ou colite semelhante à

pseudomembranosa.

 

O óxido de etileno é um gás inflamável, explosivo, carcinogênico e quando

misturado com gás inerte e sob determinadas condições, tem sido uma das

principais opções para esterilização de materiais termossensíveis. Na legislação

brasileira há vários documentos que tratam das instalações do óxido de etileno e do

controle de saúde dos funcionários que ali trabalham. O seu mecanismo de ação é a

alquilação das cadeias protéicas microbianas, impedindo a multiplicação celular. O

seu uso está indicado para materiais termossensíveis, desde que obedecidos alguns

parâmetros relacionados a: concentração de gás, temperatura, umidade e tempo de

exposição. É imprescindível a fase de aeração do material processado.

 

A portaria interministerial 482/99 dos Ministério da Saúde e do Trabalho e

Emprego, em relação a aeração dos artigos esterilizados por óxido de etileno, não

determina tempo e outras condições pré-estabelecidas mas sim que o executante do

processo de esterilização valide todas as suas etapas, inclusive a aeração, devendo

os resíduos não ultrapassarem os limites estabelecidos nesta portaria.

 

Como em todo processo, a monitorização da efetividade da esterilização deve

ser executada. Entretanto, a da esterilização por agentes químicos é de difícil

execução, com exceção dos processos realizados em câmara como o formaldeído, o

óxido de etileno e mais recentemente o plasma de hidrogênio.

 

Pergunta 5: quais os meios de esterilização utilizados na sua instituição?

 

 

Controle da eficácia da esterilização

 

O controle da segurança do processo de esterilização depende do tipo do

equipamento, a natureza do artigo processado, do seu acondicionamento e do

carregamento do material no equipamento. Parâmetros físicos e testes químicos e

biológicos podem monitorar o processo. Por exemplo, a observação e o registro de

temperatura, pressão, vácuo e temporizadores monitoram o funcionamento de

autoclaves e esterilizadores a gás.

 

Os testes químicos podem indicar uma potencial falha no processo de

esterilização, por meio da mudança na sua coloração. A grande variedade,

comercialmente disponível, oferece subsídios diferenciados: alguns são capazes de

avaliar a temperatura atingida pelo equipamento sem se alterar com o tempo de

exposição; outros respondem ao resultado da associação do tempo com a

temperatura. A vantagem do uso dos testes químicos é a leitura imediata após o

processamento do material. Além disso, o uso do teste químico na parte externa dos

pacotes, permite a distinção dos materiais submetidos ao processo de esterilização

dos não submetidos. Existem diferentes tipos para autoclaves, estufas e óxido de

etileno.

 

O teste químico de Bowie-Dick é especialmente útil para observar a remoção

do ar nas autoclaves de alto-vácuo e assim garantir a penetração uniforme do vapor

nos materiais. Este teste deve ser realizado diariamente no primeiro ciclo do

aparelho e consiste na utilização de um indicador químico comercialmente disponível

pelo tempo indicado pelo fabricante ou pode ser improvisado com o uso de fita para

autoclave colado em X sobre uma folha de papel não encerado (24x30 cm) e

colocado no centro geométrico de uma pilha de 28 toalhas de algodão dobradas em

quatro, resultando num pacote de 24x30 cm de dimensão. Este deve ser colocado

na autoclave onde o acesso do vapor é mais difícil, ou seja na parte inferior e na

frente, efetuar a operação de pré-vácuo da câmara, de acordo com as

especificações do fabricante e autoclavar o teste a 134-137oC durante exatamente 3

minutos e meio. A mudança de coloração uniforme da fita indicadora, assegura um

completo e eficiente contato do vapor nos materiais.

 

Os indicadores biológicos são reconhecidos como os que melhor retratam o

processo de esterilização, pois são os únicos que consideram todos os parâmetros

e, portanto, garantem a sua segurança. São utilizados um grande número de

 

 

esporos bacterianos. Para autoclaves, Bacillus stearothermophilus e para óxido de

etileno, Balillus subtilis var niger. Atualmente, o avanço tecnológico permite uma

resposta biológica da segurança do processo dentro de 1-3 horas.

 

Os integradores são definidos como um monitor de esterilização que permite

uma leitura definida e instantânea por acessarem todas as variáveis imprescindíveis

para a segurança da esterilização. Recomenda-se a colocação do teste no centro

geométrico dos pacotes densos e observar o resultado antes da liberação da carga

do material esterilizado. Convém esclarecer que os integradores não substituem os

testes biológicos por não lidar com as múltiplas variáveis da morte microbiana,

porém, por integrarem todos os requisitos aos processos de esterilização, são

importantes recursos adicionais no controle da sua segurança.

 

Pergunta 6: cite qual(is) o(s) tipo(s) e a periodicidade dos testes utilizados na

sua instituição como controle da eficácia da esterilização?

 

Processamento de endoscópios

 

Os endoscópios são equipamentos de conformações complexas, dotados de

lúmens muito estreitos, com estruturas termossensíveis (componentes ópticos e

cabos elétricos), de alto custo e grande rotatividade de uso. A variedade de

endoscópios pode ser classificada, segundo o risco potencial de transmissão de

infecção, em duas categorias:

 

Alto risco ou crítico: aqueles que entram em contato com sítios do corpo

humano estéreis. São eles: laparoscópios, artroscópios, ventriculoscópios,

coleidoscópios e cistoscópios, requerendo esterilização a baixa temperatura para

uso, por meio do gás óxido de etileno, peróxido de hidrogênio vaporizado ou sistema

gás-plasma, vapor de ácido peracético associado ao de peróxido de hidrogênio,

glutaraldeído e outros.

 

 

Médio risco ou semi-crítico: aqueles que entram em contato com sítios do

corpo humano colonizados. São eles: broncoscópios, gastrocópios, duodenoscópios,

colonoscópios, retoscópios, requerendo apenas desinfecção sendo o agente

químico glutaraldeído 2% a solução mais utilizada.

 

Se fosse possível esterilizar todos os endoscópios, o processamento deixaria

de ser um problema na prática, pois, a distinção entre estes dois níveis de risco não

é clara uma vez que os endoscópios de risco intermediário podem freqüentemente

entrar em contato com lesões de membrana mucosa ou causar danos por acidentes,

como perfuração durante o procedimento, atingindo sítios estéreis. No entanto, a

viabilização da esterilização de todos os equipamentos endoscópicos depende

fundamentalmente do número disponível dos equipamentos, o que direciona a busca

de processos rápidos como a desinfecção de alto nível por meio de glutaraldeído a

2%.

 

O processamento do endoscópio envolve basicamente 6 etapas: limpeza

mecânica da superfície externa e canais internos, com água e detergente neutro ou

enzimático; enxágüe e drenagem dos canais; desinfecção por meio da imersão do

endoscópio em desinfetantes de alto nível por 20 minutos; enxágüe com água estéril

(endoscópios de alto risco) ou água potável (endoscópios de médio risco) seguida

de enxágüe com álcool a 70%; secagem dos canais com ar comprimido

(endoscópios de médio risco); estocagem dos endoscópios de médio risco em local

protegido de recontaminação. Os endoscópios de alto risco devem ser processados

no local da sua utilização e usados imediatamente.

 

Pergunta 7: Descreva as etapas que compreendem o processo de limpeza e

desinfecção dos endoscópios.

 

 

Processamento de hemodialisadores

 

Um típico sistema de hemodiálise consiste de suprimento de água, sistema

para misturar a água do fluido concentrado de diálise e a máquina que bombeia o

líquido dialisador para banhar o rim artificial, comumente chamado de

hemodialisador.

 

A hemodiálise é o processo de depuração sangüínea mais usado no mundo

para a manutenção de pacientes portadores de insuficiência renal crônica em fase

terminal. O procedimento dialítico é feito por uma máquina especial que impulsiona o

sangue por um circuito e uma solução balanceada por outro, fazendo com que

circulem em lados opostos da membrana do hemodialisador. Os acessos

vasculares, para a obtenção desse fluxo, podem ser feitos através de cateteres

(duplo-lumen) passados em veias jugulares, subclávias e femorais ou através de um

Shunt arterio-venoso com prótese especial (Quinton-Scribner) ou ainda, pelo

desenvolvimento da veia cefálica do antebraço não dominante, realizando-se uma

anastomose entre ela e a artéria radial (fístula de Brescia-Cimino).

 

Pacientes submetidos a hemodiálise, além de apresentarem desordens do

sistema imunológico, são frequentemente invadidos por punções ou colocação de

cateteres e próteses, que os tornam mais susceptíveis a processos infecciosos. As

principais complicações infecciosas são: infecções no acesso vascular (a fístula

arterio-venosa pode ser acometida por processos infecciosos locais e ser fonte de

bacteremia, sepse e infecções à distância); infecções virais transmitidas por sangue

contaminado (hepatites dos tipos B, não-A não-B, C, delta e o HIV); infecções

relacionadas com a contaminação dos fluidos de diálise.

 

Os patógenos veiculados pelo sangue podem ser transmitidos tanto para

pacientes como para os profissionais da saúde por várias rotas de

transmissão: transfusões de sangue e derivados; transmissão acidental por

punções com materiais contaminados ou contato do sangue do paciente com

mucosas do profissional; equipamentos de diálise contaminados, tais como

medidores de pressão venosa, isoladores e filtros de sangue (usados para

prevenir o refluxo para dentro dos medidores) que podem transmitir o vírus da

hepatite B, desde que não sejam rotineiramente trocados e desinfetados após

cada uso; os profissionais da saúde também podem veicular os vírus pelas

mãos ou luvas contaminadas.

 

 

Devem ser incentivados programas educativos para esclarecimento e

conscientização do problema para profissionais de saúde e pacientes, incluindo

orientações simples como evitar de levar as mãos à boca, roer unhas, comer e beber

no ambiente da diálise, lavar freqüentemente as mãos (inclusive antes de fumar),

usar óculos protetores, luvas e evitar todos os tipos de acidentes através da atenção

constante aos procedimentos.

 

Adicionalmente, a prática para prevenir a transmissão do vírus da Hepatite B

inclui a segregação dos pacientes HBS Ag (+) e seus equipamentos, além de

constante vigilância para detectar precocemente os pacientes cujos soros são

convertidos para antígenos HBs. Pacientes e profissionais susceptíveis, ou seja,

aqueles com sorologia HBs Ag e Anti-HBs negativos, devem ser vacinados com três

doses. O mesmo deve ser feito para todos os casos novos e profissionais recém-

admitidos. Testes sorológicos periódicos devem ser realizados tão mais freqüente

quanto maior for a possibilidade de se adquirir o vírus.

 

Em relação aos patógenos transmitidos pela água, vários estudos mostraram

uma relação direta entre o número de reações pirogênicas em centros de

hemodiálise e o nível de bactérias encontradas na água e nas soluções de diálise.

Baseados nesses estudos a AAMI (Association for the Advancement of Medical

Instrumentation) propôs que uma contagem de bactérias seja aceitável quando

menor do que 200 células/ml para a água e menor do que 2000 células/ml para o

líquido de diálise preparado. Além disso, acredita-se que números superiores a estes

podem facilitar a produção da película biológica (biofilme) que protege a bactéria na

membrana do dialisador e nos tubos que transportam os fluidos nos centros de

diálise. Assim, Um sistema de tratamento da água é necessário para remover

contaminantes químicos e biológicos (bactérias e endotoxinas). O tratamento da

água inclui dispositivos de troca iônica (suavizadores e deionizadores), filtros,

irradiação ultravioleta e osmose reversa.

 

Apesar dos hemodialisadores serem dispositivos de uso único, fatores

econômicos têm induzido, em todos os centros de hemodiálise do mundo, a sua

reutilização para um mesmo paciente.

 

Os fatores que podem estar relacionados com a contaminação microbiana nos

sistemas de hemodiálise são: abastecimento, tratamento e distribuição da água,

tanques de estocagem, máquinas dialisadoras (passagem única ou de recirculação

dos banhos) e filtros hemodialisadores.

 

 

A maioria das doenças infecciosas e complicações tóxicas relacionadas a

hemodialisadores são atribuídas a germes presentes na água causando septicemias

e endotoxemias que podem provocar reações pirogênicas. A qualidade da água a

ser utilizada nos banhos de hemodiálise deve ser garantida por vários recursos

como adequada filtração com trocas periódicas devidas, uso de filtros de carvão

ativado, irradiação da água através dos raios ultra-violeta, cloração, aplicação da

osmose reversa ou deionização da água e procedimentos adequados de

desinfecção dos condutores e reservatórios da água.

 

O procedimento utilizado em centros de diálise para o reprocessamento dos

hemodialisadores, não pode ser classificado como sendo de esterilização, mas de

desinfecção de alto nível. Para a desinfecção de ambiente das unidades de diálise e

hemodiálise, recomenda-se o uso de hipoclorito de sódio.

 

Para as máquinas de hemodiálise, desinfetantes à base de cloro como o

hipoclorito de sódio são freqüentemente recomendados pelos fabricantes. Devido à

natureza corrosiva do cloro, este desinfetante deve ser removido da máquina após

20 ou 30 minutos de contato com abundante enxágüe. Este procedimento

normalmente acaba anulando o resultado da desinfecção por permitir que bactérias

Gram negativas eventualmente presentes na água do enxágüe se multipliquem na

máquina. Caso a máquina fique parada por uma noite, o nível da contaminação

pode ser significativamente alto.

 

Existe uma portaria do Ministério da Saúde que regulamenta os serviços de

hemodiálise no país, definindo responsabilidades, determinando padrões para o

controle de infecção neste setor e a necessidade de se notificar as intercorrências

infecciosas às autoridades sanitárias, a partir de indicadores epidemiológicos

específicos.

 

Pergunta 8: cite os fatores que podem estar diretamente relacionados com a

contaminação dos sistemas de hemodiálise.

 

 

Anti-sepsia

 

Anti-sépticos são substâncias providas de ação letal ou inibitória da reprodução

microbiana, de baixa causticidade e hipoalergênicas, destinados a aplicações em

pele e mucosa. Os microorganismos encontrados na pele e nas mucosas são

classificados em flora residente ou transitória.

 

A flora residente é composta por microrganismos que vivem e se multiplicam

nas camadas mais profundas da pele, glândulas sebáceas, folículos pilosos, feridas

ou trajetos fistulosos.

 

A flora transitória compreende os microrganismos adquiridos por contato

direto com o meio ambiente, contaminam a pele temporariamente e não são

considerados colonizantes. Estes microrganismos podem ser facilmente removidos

com o uso de água e sabão. No entanto, adquirem particular importância em

ambientes hospitalares devido à facilidade de transmissão de um indivíduo à outro.

 

Pergunta 9: Comente que tipo de flora pode-se encontrar nas mãos dos

profissionais de saúde?

 

Os anti-sépticos devem atender aos seguintes requisitos: amplo espectro de

ação antimicrobiana; ação rápida; efeito residual cumulativo; não absorção

sistêmica; não causar hipersensibilidade e outros efeitos indesejáveis, como

ressecamento, irritação e fissuras; odor agradável ou ausente; boa aceitação pelo

usuário; baixo custo e veiculação funcional em dispensadores ou embalagens de

pronto uso.

 

O Ministério da Saúde, no sentido de equacionar o grave problema das

infecções hospitalares no Brasil, considerou, na Portaria nº 930/92 como princípios

ativos adequados para os anti-sépticos: soluções alcoólicas (álcool etílico e

isopropílico); soluções iodadas (iodo em álcool); iodóforos (polivinilpirrolidona I

 

 

 

PVPI); clorohexidina (biguanida); solução aquosa de Permanganato de Potássio;

soluções aquosas à base de sais de prata e outros princípios com comprovada

eficácia frente S. aureus, S. choleraesuis e P. aeruginosa.

 

Triclosan

 

Apresenta ação contra bactérias Gram positivas e a maioria das Gram

negativas, exceto para a Pseudomonas aeruginosa, e apresenta pouca ação contra

fungos.

 

O triclosan pode ser absorvido através da pele íntegra, mas sem

conseqüências sistêmicas relevantes. A sua ação antimicrobiana se faz num

período intermediário e tem uma excelente ação residual. Sua atividade é

minimamente afetada pela presença de matéria orgânica.

Álcool (etílico e isopropílico)

 

O álcool possui muitas qualidades desejáveis dos anti-sépticos: barato,

facilmente obtido e tem rápida ação contra bactérias e é também tuberculicida e

fungicida. Estudos "in vitro" demonstraram ação virucida, incluindo os vírus sinciciais

respiratórios, o HBV e HIV. O nível ótimo de atividade microbicida acontece com

álcool etílico na concentração 70% (p/v) pois, a desnaturação das proteínas dos

microorganismos faz-se mais rapidamente na presença da água. Nesta

concentração, o álcool etílico é viruscida. A concentração recomendada do álcool

isopropílico é de 92% (p/v) e inativa a maioria dos picornavírus. Estudos em vivo

demonstraram a redução de 99% da flora da pele, sendo de baixa irritabilidade

cutânea, principalmente quando utilizado com um emoliente (1% de glicerol) e é

irritante de mucosa. Está indicado como anti-séptico de pele em procedimentos de

baixo e médio risco e degermação das mãos da equipe entre os procedimentos

quando da impossibilidade da lavagem das mãos. Neste caso, o álcool deve ser

friccionado vigorosamente nas mãos até secar. O álcool não remove sujeira ou

matéria orgânica.

 

Iodo e iodóforos

 

O iodo tem imediata ação contra bactérias e vírus entéricos e contra cistos

de protozoários. Micobactérias e esporos de bacilos e de clostrídios podem também

serem eliminados pelo iodo. Além disso, foi observada atividade fungicida e

tricomonicida do iodo.

 

 

O iodóforo mais conhecido é a polivinilpirrolidona um composto de 1 vinil-2polímero

pirrolidona com iodo (PVPI). Em nosso meio as formulações disponíveis

até o momento são: PVPI degermante para degermação das mãos e antebraços da

equipe cirúrgica; PVPI alcoólico indicado para aplicação em pele íntegra e PVPI

aquoso para curativos e aplicação sobre mucosas por exemplo na anti-sepsia antes

da sondagem vesical. Todas estas formulações são tamponadas para pH da pele.

 

O efeito residual das soluções à base de iodo, considerado como uma

propriedade importante dos anti-sépticos depende, dentre outras coisas, da

absorção do iodo pela pele sem contudo atingir níveis sistêmicos. O efeito residual

dos compostos iodados traz significativas vantagens sobre outros tipos de antisépticos

convencionais, especialmente como meio que pode reduzir a flora residente

num nível muito maior que, por exemplo, o uso do álcool isopropílico.

 

Clorexidina

 

A atividade microbicida da clorexidina é principalmente contra bactérias

vegetativas G+ e G-. Não age sobre formas esporuladas exceto a temperaturas

elevadas. Alguns virus lipofílicos (por ex: influenza, virus da herpes, HIV) são

rapidamente inativados. Sua ação fungicida varia com a espécie.

 

A imediata ação bactericida da clorexidina (15”) supera com vantagem as

soluções à base de polionilpinolidona iodo e triclosan (irgasan). O seu uso regular

resulta num efeito cumulativo. O produto mantém atividade, mesmo na presença de

sangue, e é menos irritante que o PVPI, o que o coloca em vantagem quando

comparado.

 

Dentre as suas principais aplicações, destacamos: degermação das mãos e

antebraço da equipe; preparo da pele (pré operatório e procedimentos invasivos);

lavagem simples das mãos.

 

Trabalho em grupo: visando a conscientização dos profissionais e a prevenção

das infecções hospitalares, elabore uma estratégia para uma grande campanha de

lavagem das mãos.

 

Nitrato de Prata

 

A solução de nitrato de prata a 1% é utilizada no método de Crede para a

profilaxia da conjuntivite gonocócica do recém-nascido. Como não atua sobre

 

 

Clamídias, tem sido substituída em alguns hospitais por PVPI em solução ocular a

2,5% ou colírio de eritromicina a 0,5% ou colírio de tetraciclina a 1,0%. Há relatos do

seu uso também no tratamento de queimaduras. Seu espectro de ação inclui

bactérias Gram postivos, Gram negativos, e fungos.

 

 

Caderno de Respostas C1

 

Limpeza, Esterilização e Desinfecção de Artigos

e Anti-Sepsia

 

 

Pergunta 1:

 

Artigos críticos são aqueles que têm contato direto ou indireto com áreas estéreis do

corpo, independente de serem mucosas ou tecidos epiteliais. Classificamos como

artigos semi-críticos os que entram em contato direto ou indireto com mucosa com

flora própria ou com lesões superficiais de pele. Resumidamente, as áreas estéreis

oferecem menor resistência à colonização microbiana exógena, desempenhando a

flora autóctone um importante papel defensivo. Além disso, por suas características

anátomo-fisiológicas, a pele apresenta maior resistência à invasão microbiana que

as mucosas.

 

Pertunta 2:

 

( C ) Seringas e agulhas

( NC ) Mesa de exame

( SC ) Mamadeiras e bicos

( C ) Fios cirúrgicos

( NC ) Comadres e papagaios

( SC ) Dieta enteral

( NC ) Pias e vasos sanitários

( C ) Sonda vesical

( SC ) Medicamentos orais

( SC ) Máscara de inalação

( C ) Instrumentais cirúrgicos

Pergunta 3

 

É o procedimento de remoção de sujidade e detritos para manter em estado de

asseio os artigos reduzindo a população microbiana. A limpeza deve preceder os

procedimentos de desinfecção ou de esterilização, pois reduz a carga microbiana

pela remoção da sujidade e matéria orgânica presentes nos materiais.

 

Pergunta 4

 

Penetração do agente: o contato exigido ocorre com a submersão do material limpo

no agente químico, preenchendo a luz de tubulações, superfícies internas e externas

do material. Muitas vezes pela densidade do artigo ser menor que a da solução

química, haverá necessidade de cobrir o material com uma compressa de gase para

garantir a sua imersão total.

Tempo de exposição: é o período em que o material necessita permanecer em

contato efetivo com o agente químico para que ocorra a destruição microbiana. Após

imergir o material no produto químico escolhido, não acrescentar outros materiais

até que se complete o tempo de exposição, pois perde-se o controle e

inadvertidamente pode-se usar um material sem ter sido exposto ao agente químico

pelo período recomendado pelo fabricante.

Enxágüe e secagem: após o tempo de exposição, o material deve ser enxaguado

em água corrente potável, se for processo de desinfecção de nível baixo ou

intermediário. Se for processo de desinfecção de alto nível ou esterilização, utilizar

água esterilizada, utilizando técnica asséptica. A garantia da completa remoção do

agente químico é de extrema importância. Há na literatura vários registros de

iatrogenias atribuídas a irritação causada por resíduos de agentes químicos nos

artigos como queimaduras na pele, diarréia, processos inflamatórios entre outros. A

secagem também deve obedecer algumas regras diferentes para a desinfecção e

esterilização.

Armazenamento: é a etapa de maior discussão e dificuldade na utilização dos

agentes químicos, sendo recomendável que os materiais sejam prontamente

utilizados. Exceção é feita para os materiais semi-críticos e não críticos desinfetados

que podem ser secos e guardados em embalagens, sem necessidade de maiores

cuidados do que os padronizados para os demais artigos médico-hospitalares.

Nesse caso, deve-se estar atento a secagem rigorosa pois os fungos e algumas

bactérias vegetativas proliferam rapidamente em ambientes abafados e úmidos.

 

Pergunta 5

 

Resposta baseada na resposta na experiência do treinando ou no conhecimento das

práticas realizadas em cada instituição.

 

Pergunta 6

 

Resposta baseada na resposta na experiência do treinando ou no conhecimento das

práticas realizadas em cada instituição.

 

 

Pergunta 7

 

limpeza mecânica da superfície externa e canais internos neutro ou enzimático;

enxágüe e drenagem dos canais com água corrente;

desinfecção por meio da imersão do endoscópio em desinfetante de alto nível por 20

minutos;

enxágüe com água estéril (endoscópios de alto risco) ou água potável (endoscópios

de médio risco)

enxágüe com álcool a 70%;

secagem dos canais com ar comprimido (endoscópios de médio risco);

estocagem em local protegido de recontaminação.

 

 

Pergunta 8

 

É fundamental que as instituições que possuem serviços de hemodiálise

estabeleçam rotinas rigorosas, levando-se em consideração o sistema de

abastecimento, tratamento e distribuição da água. Também deve-se enfatizar a

importância dos tanques de estocagem, das máquinas dialisadoras (passagem única

ou de recirculação dos banhos) e filtros hemodialisadores.

 

Pergunta 9

 

Podemos encontrar a flora residente que se caracteriza por germes que conseguem

aderir, sobreviver e colonizar a superfície das células epiteliais e também a flora

transitória. Esta não coloniza a pele, resultando do contato com o meio ambiente,

objetos e pessoas, sendo variável e não aderente ao epitélio. Portanto é facilmente

transferida para indivíduos e fômites, daí a importância da lavagem das mãos como

prevenção das infecções hospitalares.

 

 

Caderno C2

 

 

Precauções Padrão, Isolamento e

Saúde Ocupacional

 

37

 

 

Bases Teóricas das Precauções Padrão e Precauções por Modo de

Transmissão

 

A partir da epidemia de HIV/AIDS, do aparecimento de cepas de bactérias

multirresistentes (como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina, bacilos Gram

negativos não fermentadores, Enterococcus sp. resistente à vancomicina), do

ressurgimento da tuberculose na população mundial e do risco aumentado para a

aquisição de microrganismos de transmissão sangüínea (hepatite viral B e C, por

exemplo) entre os profissionais de saúde, as normas de biossegurança e isolamento

ganharam atenção especial.

 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta, EUA (CDC (Center for

Disease Control and Prevention), sintetizou os conceitos até então utilizados –

Precauções Universais e Isolamento de Substâncias Corporais – em um novo modelo

denominado de CDC Guidelines for Isolation Practices.

 

Para entender os mecanismos de disseminação de um microorganismo dentro de

um hospital, é necessário que se conheça pelo menos três elementos: a fonte, o

mecanismo de transmissão e o hospedeiro susceptível.

 

Fonte

 

As fontes ou reservatórios de microorganismos, geralmente, são os profissionais de

saúde, pacientes, ocasionalmente visitantes e fômites ou materiais e equipamentos

infectados ou colonizados por microorganismos patogênicos.

 

Transmissão

 

A transmissão de microorganismos em hospitais pode se dar por diferentes vias. Os

principais mecanismos de transmissão são:

Transmissão aérea por gotículas: ocorre pela disseminação por gotículas maiores do

que 5mm. Podem ser geradas durante tosse, espirro, conversação ou realização de

 

diversos procedimentos (broncoscopia, inalação, etc.). Por serem partículas pesadas e

não permanecerem suspensas no ar, não são necessários sistemas especiais de

circulação e purificação do ar. As precauções devem ser tomadas por aqueles que se

aproximam a menos de 1 metro da fonte.

Transmissão aérea por aerossol: quando ocorre pela disseminação de partículas, cujo

tamanho é de 5mm ou menos. Tais partículas permanecem suspensas no ar por longos

 

 

períodos e podem ser dispersas a longas distâncias. Medidas especiais para se impedir a

recirculação do ar contaminado e para se alcançar a sua descontaminação são

desejáveis. Consistem em exemplos os agentes de varicela, sarampo e tuberculose.

Transmissão por contato: é o modo mais comum de transmissão de infecções

hospitalares. Envolve o contato direto (pessoa-pessoa) ou indireto (objetos contaminados,

superfícies ambientais, itens de uso do paciente, roupas, etc.) promovendo a

transferência física de microorganismos epidemiologicamente importantes para um

hospedeiro susceptível.

 

Hospedeiro

 

Pacientes expostos a um mesmo agente patogênico podem desenvolver doença

clínica ou simplesmente estabelecer uma relação comensal com o microorganismo,

tornando-se pacientes colonizados. Fatores como idade, doença de base, uso de

corticosteróides, antimicrobianos ou drogas imunossupressoras e procedimentos

cirúrgicos ou invasivos podem tornar os pacientes mais susceptíveis às infecções.

 

Precauções de Isolamento

 

As Precauções de Isolamento se destinam a prevenir a propagação de patógenos

em hospitais, fundamentadas em seu modo de transmissão.

Lavagem das mãos – constitui na medida mais importante que existe para a redução dos

riscos de transmissão de microorganismos; deve ser realizada antes e depois de contatos

com pacientes, com sangue, fluidos corpóreos, secreções, excreções, equipamentos e

objetos contaminados por eles. É o simples ato de lavar as mãos com água e sabão,

visando a remoção das bactérias transitórias e residentes, células descamativas, pêlos,

suor, sujidades e oleosidade da pele. O profissional de saúde deve fazer deste

procedimento um hábito, seguindo as recomendações e etapas abaixo descritas:

 

-fique em posição confortável, sem tocar na pia, e abra a torneira, de preferência com a

mão não dominante (se for destro, com a esquerda; se for canhoto, com a mão direita);

-mantenha a água em temperatura agradável, já que a água quente ou muito fria resseca

a pele. Use, de preferência 2 ml de sabão líquido;

-ensaboe as mãos e friccione-as por cerca de 15 segundos, em todas as suas faces,

espaços interdigitais, articulações, unhas e extremidades dos dedos;

-enxágüe as mãos, retirando totalmente a espuma e os resíduos de sabão;

-enxugue-as com papel-toalha descartável;

 

-feche a torneira utilizando o papel-toalha descartável (evite encostar-se à mesma ou na

pia);

tempo aproximado = 15 segundos.

Uso de luvas –as luvas funcionam como barreira protetora prevenindo a contaminação

grosseira das mãos; reduzem a probabilidade de os profissionais de saúde transmitirem

aos pacientes, patógenos que podem estar suas mãos, reduzem o risco de transmissão

de um patógeno de um paciente a outro por intermédio das mãos dos profissionais de

saúde. É importante salientar que o uso de luvas não elimina a necessidade de lavagem

das mãos.

Alocação dos pacientes – o local, no qual o paciente é internado, possui grande

importância na prevenção da transmissão de patógenos entre os pacientes, quer esta

transmissão se faça por contato ou por via respiratória.

Transporte de pacientes infectados – os pacientes infectados ou colonizados por

microorganismos transmissíveis por contato ou por via respiratória devem deixar seus

quartos somente por motivos especiais. Nestas ocasiões, é importante que sejam

mantidas medidas de barreira (p.e., máscaras); que sejam orientados os funcionários da

área para a qual o paciente se dirige; que o próprio paciente seja informado sobre as

maneiras como pode auxiliar na prevenção da disseminação de seus microorganismos.

Uso de máscaras, protetores dos olhos e protetores de face – o uso de máscaras de

vários tipos, bem como de protetores oculares e de face é necessário em situações nas

quais possam ocorrer respingos e espirros de sangue ou secreções nos funcionários.

Uso de aventais – os aventais devem ser usados como parte dos equipamentos de

proteção e também quando do cuidado de pacientes infectados ou colonizados com

microrganismos transmissíveis por contato direto ou indireto.

Equipamentos e objetos de cuidados dos pacientes – deverão ser avaliados de

acordo com sua possibilidade de contaminação com material infectante, sua capacidade

de causar lesões a quem o manipula etc.

Roupas e lavanderia – o risco de transmissão de microrganismos por roupas poderá ser

muito pequeno se sua manipulação for adequada.

Pratos, copos e talheres – pode-se usar pratos e utensílios descartáveis para pacientes

em isolamento. Utensílios reutilizáveis devem ser descontaminados com água quente e

detergentes.

Limpeza concorrente e terminal – a limpeza do quarto do paciente em isolamento deve

ser feita da mesma maneira que a do quarto do paciente que não está sob isolamento.

 

 

Recomenda-se o uso de desinfetantes na limpeza concorrente dos quartos e a

desinfecção do equipamento de cabeceira, de cama e de superfícies ambientais para a

prevenção de alguns patógenos de sobrevivência mais prolongada e de patógenos

multirresistentes.

 

Precauções padrão

 

As Precauções Padrão são um conjunto de medidas utilizadas para diminuir os

riscos de transmissão de microorganismos nos hospitais e constituem-se basicamente

em:

 

1.Lavagem das mãos:

 

Após realização de procedimentos que envolvem presença de sangue, fluidos corpóreos,

secreções, excreções e itens contaminados.

Após a retirada das luvas.

Antes e após contato com paciente e entre um e outro procedimento ou em ocasiões

onde existe risco de transferência de patógenos para pacientes ou ambiente.

Entre procedimentos no mesmo paciente quando houver risco de infecção cruzada de

diferentes sítios anatômicos.

Nota: O uso de sabão comum líquido é suficiente para lavagem de rotina das mãos,

exceto em situações especiais definidas pelas Comissões de Controle de Infecção

Hospitalar - CCIH (como nos surtos ou em infecções hiperendêmicas).

 

 

2. Luvas:

Usar luvas limpas, não estéreis, quando existir possibilidade de contato com sangue,

fluidos corpóreos, secreções e excreções, membranas mucosas, pele não íntegra e

qualquer item contaminado.

Mudar de luvas entre duas tarefas e entre procedimentos no mesmo paciente.

Retirar e descartar as luvas depois do uso, entre um paciente e outro e antes de tocar

itens não contaminados e superfícies ambientais. A lavagem das mãos após a retirada

das luvas é obrigatória.

 

 

3. Máscara, Protetor de Olhos, Protetor de Face:

é necessário em situações nas quais possam ocorrer respingos e espirros de sangue ou

secreções nos funcionários.

 

 

4. Avental:

Usar avental limpo, não estéril, para proteger roupas e superfícies corporais sempre que

houver possibilidade de ocorrer contaminação por líquidos corporais e sangue.

Escolher o avental apropriado para atividade e a quantidade de fluido ou sangue

encontrado.

A retirada do avental deve ser feita o mais breve possível com posterior lavagem das

mãos.

 

 

5. Equipamentos de Cuidados ao Paciente:

Devem ser manuseados com proteção se sujos de sangue ou fluidos corpóreos,

secreções e excreções e sua reutilização em outros pacientes deve ser precedida de

limpeza e ou desinfecção.

Assegurar-se que os itens de uso único sejam descartados em local apropriado.

 

 

6. Controle Ambiental:

Estabelecer e garantir procedimentos de rotina adequados para a limpeza e desinfecção

das superfícies ambientais, camas, equipamentos de cabeceira e outras superfícies

tocadas freqüentemente.

 

7. Roupas:

Manipular, transportar e processar as roupas usadas, sujas de sangue, fluidos corpóreos,

secreções e excreções de forma a prevenir a exposição da pele e mucosa, e a

contaminação de roupas pessoais, evitando a transferência de microorganismos para

outros pacientes e para o ambiente.

 

8. Saúde Ocupacional e Patógenos Veiculados por Sangue:

Prevenção de acidentes pérfuro-cortantes: Atenção com o uso, manipulação, limpeza e

descarte de agulhas, bisturis e outros materiais pérfuro-cortantes. Não retirar agulhas

usadas das seringas descartáveis, não dobrá-las e não reencapá-las. O descarte desses

materiais deve ser feito em caixas apropriadas e de paredes resistentes.

Usar dispositivos bucais, conjunto de ressuscitação e outros dispositivos de ventilação

quando houver necessidade de ressuscitação.

 

 

9. Local de Internação do Paciente:

A alocação do paciente é um componente importante da precaução de isolamento.

Quando possível, pacientes com microorganismos altamente transmissíveis e/ou

epidemiologicamente importantes devem ser colocados em quartos privativos com

banheiro e pia próprios.

Quando um quarto privativo não estiver disponível, pacientes infectados devem ser

alocados com companheiros de quarto infectados com o mesmo microorganismo e com

possibilidade mínima de infecção.

 

Pergunta 1:

 

Um residente de infectologia de outra instituição, ao fazer um levantamento a

respeito de uso de EPI, em uma UTI neonatal de um Hospital geral, detectou que

menos de 30% das auxiliares de enfermagem realizavam punção venosa nos RN

com luva. A explicação dada por estas profissionais, foi que tais pacientes não

representavam risco de contaminação, por serem seres recém nascidos e portanto

"puros". Comente este fato e trace um plano para resolver esta situação.

 

Pergunta 2:

O mesmo residente fez um levantamento sobre o conteúdo das caixas de descarte

pérfuro-cortantes na UTI de pneumologia do mesmo hospital, e neste levantamento

foi observado que 60% das agulhas estavam reencapadas; destas 24%

apresentavam sangue visível na agulha e/ou seringa. Comente esta situação e

proponha uma solução.

 

 

 

Precauções por modo de transmissão

 

No ambiente hospitalar, a transmissão de microrganismos ocorre na maioria das

vezes por contato, por via aérea e pela exposição a sangue e líquidos corporais ou

indiretamente, através de um vetor ou fômite.

 

Visto que a maior parte das infecções nosocomiais tem origem endógena, é

importante ressaltar que o emprego do isolamento reverso ou protetor, cujo objetivo é a

prevenção da aquisição de microrganismos provenientes do meio inanimado, é

considerado de valor duvidoso.

 

Precauções para transmissão através de contato

 

Os microrganismos podem ser transmitidos de uma pessoa a outra através do

contato com a pele ou mucosa. Podemos classificar este modo de transmissão em duas

categorias:

Contato direto:

 

Ocorre quando um microrganismo é transmitido de um paciente a outro, através do

contato direto da pele, sem que haja a participação de um veículo inanimado ou fômite

como por exemplo, Herpes simples, Herpes zoster não disseminado em

imunocompetente, feridas com secreção abundante não contida, diarréia infecciosa em

paciente incontinente.

Contato indireto:

 

Quando a transmissão ocorre pelo contato da pele e mucosas com superfícies

ambientais e nos artigos e equipamentos de cuidados aos pacientes contaminados por

microrganismos, como por exemplo, Enterococo resistente a vancomicina.

 

QUARTO Privativo ou comum para o mesmo

microrganismo.

LUVAS E AVENTAL Deverão ser utilizadas ao contato com o paciente

ou material infectante.

TRANSPORTE DO PACIENTE Deverá ser evitado; quando necessário, o material

infectante deverá estar contido com curativo,

avental ou lençol, para evitar a contaminação de

superfícies.

ARTIGOS E EQUIPAMENTOS Deverão ser de uso exclusivo para cada paciente.

 

 

Precauções para transmissão por via aérea ou respiratória

 

A transmissão de microrganismos por via aérea ou respiratória é dividida em

transmissão por gotículas ou por aerossóis.

Diferenças entre a transmissão por via aérea e a transmissão por partículas

aerossolizadas.

 

CARACTERÍSTICA GOTÍCULAS AEROSSÓIS

Tamanho da partícula >5m <5m

Distância que percorre a

partícula a partir do

paciente fonte

Até um metro Metros (pode atingir outros quartos)

Tempo de permanência da

partícula no ar

Segundos Horas

Eficiência da máscara

cirúrgica na redução da

eliminação de partículas

pelo paciente fonte

Sim Sim

Eficiência da máscara

cirúrgica para contactantes

Sim Não

 

Transmissão por gotículas:

 

Ocorre através do contato próximo com o paciente, por gotículas eliminadas pela fala,

tosse, espirros e realização de procedimentos como a aspiração de secreções. As

gotículas de tamanho considerado grande (>5m), atingem até um metro de distância e

rapidamente se depositam no chão. Exemplos: Doença meningocócica, Gripe,

Coqueluche, Difteria, Caxumba e Rubéola.

 

 

Precauções Respiratórias para Gotículas

 

QUARTO Obrigatório, privativo ou comum para o mesmo

microrganismo, mantendo a porta fechada.

MÁSCARA É obrigatório o uso de máscara comum, durante o

período de transmissibilidade de cada doença, e para

todas as pessoas que entrarem no quarto.

TRANSPORTE DO

PACIENTE

Deverá ser evitado; quando necessário, o paciente

deverá sair do quarto de máscara comum.

ARTIGOS E

EQUIPAMENTOS

Deverão ser exclusivos para o paciente ou comum

para pacientes com o mesmo microrganismo.

 

Transmissão por aerossóis:

 

Ocorre por partículas eliminadas durante a respiração, fala , tosse ou espirro que

quando ressecados permanecem suspensos no ar, podendo permanecer por horas,

atigindo outros ambientes, inclusive áreas adjacentes, pois podem ser carreadas por

correntes de ar. Como exemplos temos: M. tuberculosis, Sarampo e Varicela.

 

Precauções Respiratórias para Aerossóis

 

QUARTO Obrigatório, com porta fechada; idealmente, o quarto

deverá dispor de sistema de ventilação com pressão

negativa e 6 trocas de ar por hora, com o uso do filtro

HEPA.

MÁSCARA È obrigatório o uso de máscara tipo N95 (possui

capacidade de filtrar partículas < 3mm de diâmetro),

por todo o profissional que prestar assistência ou

realizar procedimento a pacientes com suspeita ou

confirmação das doenças supracitadas. Deverá ser

colocada antes de entrar no quarto e retirada somente

após a saída do mesmo.

TRANSPORTE DO

PACIENTE

Deverá ser evitado; quando necessário o paciente

deverá sair do quarto utilizando máscara comum.

 

 

ARTIGOS E Deverão ser exclusivos para o paciente ou comum

EQUIPAMENTOS para pacientes acometidos com o mesmo

microrganismo.

 

Transmissão por exposição a sangue e outros fluídos corpóreos:

 

Ocorre pela exposição de pele não íntegra ou mucosa a estes líquidos, na presença

de agente infectante. Como exemplo temos: HIV, Vírus da hepatite B, Vírus da hepatite C,

Malária, HTLV I e II, Treponema pallidum e Trypanossoma cruzii. É importante ressaltar

que o risco de infecção varia de acordo com características próprias do microrganismo e

com o tipo de gravidade da exposição.

 

Pergunta 3:

 

Quais as precauções a serem adotadas em pacientes com:

Tuberculose:_______________________________________________________

Colonização por Pseudomonas multirresistente, sem infecção: _______________

Meningite por Haemophilus influenzae: _________________________________

Sarampo:__________________________________________________________

Sarampo + diarréia: _________________________________________________

AIDS com sangramento: _____________________________________________

Hepatite B com hepatite delta: ________________________________________

Suspeita de raiva:___________________________________________________

Paciente neutropênico (< 500 neutrófilos), afebril: ________________________

 

Uso Empírico das Precauções

 

Em muitas ocasiões, o risco de transmissão dos microorganismos existe antes que o

diagnóstico final da doença possa ser definido. Para cobrir estas situações, sugere-se que

sejam seguidas empiricamente as precauções de acordo com a síndrome clínica

apresentada pelo paciente.

 

Síndromes Clínicas ou Condições que Requerem Precauções Empíricas Adicionais,

na Prevenção de Patógenos Epidemiologicamente Importantes que Aguardam

Confirmação Diagnóstica*.

 

 

Síndrome Clínica ou Condição** Patógenos

Potenciais***

Precauções

Empíricas

Diarréia

diarréia aguda com provável causa ínfecciosa

em paciente incontinente ou com ‘fraldas”

Patógenos

entéricos****

Contato

diarréia em adulto com história de uso recente

de antibióticos

Clostridium

difficile

Contato

Meningites Neisseria

meningitidis

Gotícula

Exantema ou ‘rash’ generalizado, de causa

desconhecida:

febre com petéquias ou equimoses

Neisseria

meningitidis

Gotícula

vesicular Varicela Aerossol Contato

febre com exantema macropapular e coriza Rubéola Aerossol

Infecções respiratórias

tosse / febre / infiltrado pulmonar em lobo

superior em paciente HIV negativo (ou com

baixo risco de infecção pelo HIV)

Mycobacterium

tuberculosis

Aerossol

tosse / febre / infiltrado pulmonar em qualquer

topografia em paciente HIV positivo (ou com

alto risco de infecção pelo HIV)

Mycobacterium

tuberculosis

Aerossol

tosse persistente ou paroxismos durante

infecção por pertussis

Bordetella

pertusis

Gotícula

infecções pulmonares , particularmente

bronquiolite e ‘crupe’, em crianças

Vírus sincicial

respiratório,

vírus

parainfluenzae

Contato

Risco de microorganismos resistentes a

multiplas drogas

história de infecção ou colonização Bactéria

resistente

Contato

pele, soluções de continuidade, ou infecção do

trato urinário em paciente procedente de

Bactéria

resistente

Contato

 

 

Serviço de Saúde com prevalência de

microorganismos resistentes à múltiplas drogas

Pele ou ferida contaminada

abscesso ou ferida drenando que não pode ser

coberta

Staphylococcus

aureus,

Streptococcus

Grupo A

Contato

 

* = Os profissionais do controle de infecção são encorajados à modificar ou adaptar este

quadro de acordo com as condições locais. Para garantir que as precauções empíricas

apropriadas sejam implementadas sempre, os hospitais devem contar com sistemas de

avaliação rotineira dos pacientes, de acordo com estes critérios, como parte dos cuidados

pré e admissionais.

** = Os pacientes com as síndromes ou condições listadas acima, podem se apresentar

com sinais e/ou sintomas atípicos. A suspeita clínica deve ser guiada pela prevalência de

condições especificas na comunidade, assim como pelo julgamento clínico.

*** = Os microorganismos listados sob a coluna “Patógenos Potenciais”, apesar de não

representar a totalidade dos patógenos teoricamente implicados, representam os agentes

mais prevalentes. Estas medidas devem ser adicionais às PP.

**** = Estes patógenos incluem E. coli enterohemorrágica O 157: H 7, Shigella, Hepatite A

e Rotavírus.

Distribuições das Precauções recomendadas segundo a infecção ou agente

etiológico, tipo e duração.

 

Precauções Precauções

Infecção/Agente etiológico Tipo* Duração** Infecção/Agente

etiológico

Tipo* Duração

Abscesso Herpes simplex

\ com grande drenagem1 C DD \ mucocutâneo

recorrente ou

encefalite

P

\ com pouca drenagem ou

contido2

P \ mucocutâneo

disseminado, ou

primário

C DD

 

 

extenso11

AIDS3 P \ neonatal C DD

Actinomicose P Herpes zoster

Adenovirose em lactente e

pré-escolar

R,C DD \ localizado, em

paciente

imunocompetente

P

Amebíase P \ localizado, em

paciente

imunocomprometi

do / disseminado

A

C

F5

Ancilostomíase e

necatoríase

P Histoplasmose P

Angina de Vincent P Impetigo C T24H

Antrax cutâneo ou

pulmonar

P Infecção em

cavidade fechada

(com ou sem

drenagem)

P

Arbovirose

(encefalite, Dengue, febre

amarela)

P4 Infecção de ferida

Ascaridíase P \ extensa1 C DD

Aspergilose P \ pequena ou

limitada2

P

Babesiose P Infecção pelo HIV P

Blastomicose norte-

americana

P Infecção

respiratória aguda

(se não

abordada em

outro item)

Botulismo P \ adulto P

Bronquiolite (vide

Infecções

\ criança3 C DD

 

 

respiratórias na criança)

Brucelose P Infecção urinária,

com ou sem

sonda

P

Candidíase P Influenza R DD

Cancro Mole P Infecção alimentar

(botulismo,

C.perfringens ou

welchii,

estafilocóccica)

P

Caxumba R F15 Legionelose P

Celulite (extensa, secreção

incontida)

C DD Leptospirose P

Cisticercose P Listeriose P

Citomegalovirose P Linfogranuloma

venéreo

P

Clostridium perfringens ou

Clostridium

botulinum

P Malária P

Clostridium difficile C DH Micoplasma

(pneumonia)

R

1

2

DD

Clamydia trachomatis

(todas as formas)

P Micobacteriose

atítipica

P

Coccidiosemicose P Mieloidose P

Conjuntivite P Meningite

Conjuntivite hemorrágica

aguda

C DD \ asséptica P

Coqueluche R F \ bacteriana

(Gram-negativos,

em neonatos)

P

Coriomeningite linfocitária P \ por

H.influenzae

R T

24H

 

 

(comprovada ou

suspeita)

Coxsackie (vide

Enterovirose)

P \ por Listeria P

Criptococose P \ por

Meningococo

(comprovada ou

suspeita)

R T

24H

Criptosporidíase (vide

Diarréia)

P \ por

Pneumococo

P

Crupe (vide doenças

respiratórias na infância)

P \ tuberculosa P

Dengue P4 \ outras

bactérias

P

Dermatomicoses P \ fúngica P

Diarréia Meningococo R T24H

\ Campilobacter sp. P9 Molusco

contagioso

P

\ cólera P9 Mononucleose (e

outras infecções

pelo Epstein-Barr

vírus)

P

\ colite associada a

antibiótico

(vide C. difficile)

P9 Murcomicose P

\ criptosporidiose P9 Organismos

Multirresistentes

(infecção ou

colonização)

E. coli ênterohemorrágica

O157:H7

P9 \ trato

gastrintestinal

C CN

E. coli com incontinência C DD \ trato

respiratório

C CN

 

 

E. coli - outras situações P9 \ pneumococo R CN

\ giardíase P9 \ pele ou

solução de

continuidade

C CN

\ rotavírus P9 Nocardiose P

\ rotavírus - incontinente C DD Parainfluenza (em

crianças)

C DD

\ salmonelose P9 Parvovírus B19 R F

\ shiguelose P9

\ shiguelose -

incontinente

C DD

\ vibrio prahemolyticus P9 Pediculose C T24H

\ viral P9 Peste

\Yersinia enterocolitica P9 \ bubônica P

Difteria \ pneumônica R T72H

\ Cutânea C CN8 Pleurodínia (vide

Enteroviroses)

\ Faríngea R CN8 Pneumonia

Doença da arranhadura do

gato

P \ adenovírus R

,

C

DD

Doença de Creutzfeldt-

Jacob

P7 \ outras

bactérias

P

Doença de Kawasaki P \ clamídia P

Doença de Lyme P \ fúngica P

Encefalite (vide agentes

específicos)

P H. influenzae

Endometrite P \ adultos P

Enterovirose \ crianças R T24H

\ Adultos P \ legionela P

\ Crianças C DD \ meningococo R T24H

Enterobíase P \ micoplasma R DD

Enterococcus sp. (se \ P

 

 

multirresistente -vide

Organismos

multirresistentes)

pneumocóccica

Enterocolite necrotizante P Pneumocystis

carinii

P

Epiglotite por H. influenzae R DD Pseudomonas

cepacea em

pacientes com

fibrose cística

(incluindo

colonização do

trato respiratório)

C DH

Equinococose P Staphylococcus

aureus

P

Eritema infeccioso P estreptocócica

(grupo A)

Escabiose C T24H \ adultos P

Esquistossomose P \ crianças R T24H

Esporotricose P viral

Estafilococcias \ adultos P

\ diarréia P \ crianças

(vide doenças

respiratórias da

infância)

\ enterocolite P Poliomielite P

\ furunculose em

crianças

C DD Psitacose

(ornitose)

P

\ pele Raiva P

\ ferida extensa1 e

grande queimado

C T24H Riquetsiose

(forma vesicular

inclusive)

P

\ ferida pequena2 e

queimados

P Rotavírus (vide

Diarréias)

 

 

\ pneumonia P Rubéola

\ síndrome do choque

tóxico

P \ congênita C F

\ síndrome da pele

escaldada

C20 DD \ outras formas R F

\ resistente a múltiplos

antimicrobianos (vide

organismos

multirresistentes)

Salmonelose (vide

Diarréias)

Estreptococcias Sarampo (todas

as apresentações)

A DD

\ endometrite (febre

puerperal)

P Síndrome do

choque tóxico

P

\ furunculose em

crianças

C DD Síndrome de

Guillain-Barré

P

\ pele Síndrome mãopé-

boca (vide

Enteroviroses)

\ ferida extensa1 e

grande queimado

C T24H Síndrome de

Reye

P

\ ferida pequena2 e

queimados

P Sífilis (qualquer

forma)

P

\ pneumonia, faringite

ou escarlatina

em crianças

R T24H Tétano P

\ sepse neonatal (S.

agalactiae)

P Tifo (endêmico ou

epidêmico)

P

Estrongiloidíase P Tínea P

Exantema súbito P Toxoplasmose P

Febre hemorrágica (Lassa,

Sabiá)

C DD Tracoma P

Febre da mordedura de

rato

P Tricomoníase P

 

 

Febre Q P Tuberculose

Febre recorrente P \ extrapulmonar

(com ou sem

drenagem)

P

Febre reumática P \ pulmonar A F

Gangrena gasosa P \ PPD reator

sem doença

pulmonar ou

laríngea

P

Giardíase (vide diarréia) Tularemia P

Gonococo (inclusive

oftalmia neonatal)

P Úlcera de

decúbito

Granuloma venéreo /

donovanose

P \ extensa, com

secreção não

contida

C DD

Hanseníase P \ pequena ou

com secreção

contida

P

Hepatite viral Varicela A

,

C

F

\ tipo A P Verminoses P

\ tipo A, paciente

incontinente

C F10 Vírus Marburg C DD

\tipo B, C, e demais,

incluindo

não especificada

P Vírus sincicial

respiratório

(crianças e

pacientes

imunocomprometi

dos)

C DD

Herpangina (vide

Enterovirose)

Zigomicose

(murcomicose,

fucomicose)

P

 

 

* Tipos de precauções:

P. Precauções-padrão

R: Precauções respiratórias (devem ser somadas às precauções-padrão)

C: Precauções de contato (devem ser somadas às precauções-padrão)

A: Precauções com aerossóis (devem ser somadas às precauções-padrão)

**Duração das precauções:

DD: Durante toda a duração da doença (em feridas, até o desaparecimento da secreção)

F: Ver notas adicionais

T: Até o tempo especificado, após o início da terapêutica apropriada

CN: Até que a cultura seja negativa

DH: Durante todo o período de hospitalização

Notas adicionais:

 

-Sem curativo ou curativo que não contém a drenagem.

-Curativos que adequadamente contém a drenagem.

-Ver também capítulo específico.

-Instalar telas em portas e janelas em áreas endêmicas.

-Manter precauções até que todas as lesões estejam na fase de crosta.

-Usar imunoglobulina (VZIG) quando apropriado e procurar dar alta hospitalar para

expostos suscetíveis antes do 10° dia e até 21 dias após o contato, sendo prorrogado até

28 dias em caso de VZIG. Pessoas suscetíveis não devem entrar em quarto de

contactantes.

-Aplicar precauções em lactentes de 1 ano de idade, a não ser que a cultura viral seja

negativa aos 3 meses de idade.

-Precauções adicionais são necessárias para manipulação e descontaminação de

sangue, líquidos corporais, tecidos e itens contaminados.

-Até que duas culturas coletadas com intervalo de 24 horas se mostrem negativas.

 

 

-Usar precauções de contato para pacientes cujas excreções não possam ser contidas

ou crianças incontinentes com idade inferior a 6 anos durante toda a duração da doença.

-Manter precauções para crianças menores de 3 anos durante a hospitalização. Em

crianças de 3-14 anos, até 14 dias após início dos sintomas. Para os demais, até 7 dias

após.

-Para recém-nascidos de parto normal, ou cesárea, esta última no caso de ruptura

prematura de membrana por período superior a 4-6 horas.

 

Esta recomendação possui dificuldades práticas para aplicação, especialmente em

épocas de epidemia. Coorte nestas situações deve ser preferida, e contato com pacientes

de alto risco evitado.

-Tuberculose pulmonar deve ser pesquisada. Se presente, precauções adicionais são

necessárias.

-Patógenos multirresistentes devem ser definidos de acordo com critérios epidemiológicos

de cada região ou hospital.

-Até nove dias após o início da parotidite.

-Manter precauções durante toda a hospitalização quando doença crônica em paciente

imunocomprometido.

-Manter por cinco dias após o início de terapêutica adequada.

-Evitar compartilhar quarto com imunocomprometido.

-Evitar Coorte ou internação em mesmo quarto que paciente portador de fibrose cística

não-colonizado ou infectado por P. cepacea.

-Bolhas são causadas por toxinas, e não pela bactéria. No entanto, muitas vezes o

paciente é maciçamente colonizado por S. aureus.

-Até sete dias após início do exantema.

 

 

-Consultar capítulo específico. Suspender precauções quando o paciente estiver

recebendo terapêutica adequada, com melhora clínica e com três baciloscopias

negativas, desde que coletadas em dias consecutivos, ou se for tuberculose.

 

 

Saúde Ocupacional

 

Controle de Infecção e o Profissional da Área da Saúde

 

O Profissional da área da saúde (PAS) pode adquirir ou transmitir infecções para os

pacientes, para outros profissionais no ambiente de trabalho e para comunicantes

domiciliares e da comunidade. Deste modo, os programas de controle de infecção

hospitalar devem também contemplar ações de controle de infecção entre os PAS.

 

As ações do Serviço de Saúde Ocupacional, no que diz respeito ao controle de

infecção, têm como objetivos:

a) educar o PAS acerca dos princípios do controle de infecção, ressaltando a importância

da participação individual neste controle;

b) colaborar com a CCIH na monitorização e investigação de exposições a agentes

infecciosos e surtos;

 

 

c) dar assistência ao PAS em caso de exposições ou doenças relacionadas ao trabalho;

d) identificar riscos e instituir medidas de prevenção;

e) reduzir custos, através da prevenção de doenças infecciosas que resultem em faltas ao

trabalho e incapacidade.

 

 

Ações do serviço de saúde ocupacional:

 

Para atingir os objetivos descritos anteriormente é necessário que o serviço de

saúde ocupacional atue nas seguintes áreas:

 

Integração com outros serviços: as ações do serviço de saúde ocupacional devem

ser coordenadas com o serviço de infecção hospitalar e outros departamentos que se

façam necessários.

 

Avaliações médicas:

 

-admissional, com histórico de saúde, estado vacinal, condições que possam predispor o

profissional a adquirir ou transmitir infecções no ambiente de trabalho;

-exames periódicos para avaliação de problemas relacionados ao trabalho ou seguimento

de exposição de risco (p. ex. triagem para tuberculose, exposição a fluidos biológicos).

Atividades educativas: a adesão a um programa de controle de infecção é facilitada pelo

entendimento de suas bases. Todo pessoal precisa ser treinado acerca da política e

procedimentos de controle de infecção da instituição. A elaboração de manuais para

procedimentos garante uniformidade e eficiência. O material deve ser direcionado em

linguagem e conteúdo para o nível educacional de cada categoria de profissional. Grande

parte dos esforços deve estar dirigida para a conscientização sobre o uso do equipamento

de proteção individual (EPI).

 

Programas de vacinação: garantir que o PAS esteja protegido contra as doenças

preveníveis por vacinas é parte essencial do programa de saúde ocupacional. Os

programas de vacinação devem incluir tanto os recém-contratados quanto os funcionários

antigos. Os programas de vacinação obrigatória são mais efetivos que os voluntários.

 

Manejo de doenças e exposições relacionadas ao trabalho: fornecer profilaxia pós-

exposição apropriada nos casos aplicáveis (p. ex.: exposição ocupacional ao HIV), além

 

 

de providenciar o diagnóstico e o tratamento adequados das doenças relacionadas ao

trabalho. Estabelecer medidas para evitar a ocorrência da transmissão de infecção para

outros profissionais, através do afastamento do profissional doente (p. ex.: pacientes com

tuberculose bacilífera ou varicela).

 

Aconselhamento em saúde: fornecer informação individualizada com relação a risco e

prevenção de doenças adquiridas no ambiente hospitalar; riscos e benefícios de

esquemas de profilaxia pós-exposição e conseqüências de doenças e exposições para o

profissional, seus familiares e membros da comunidade.

 

Manutenção de registro, controle de dados e sigilo: a manutenção de registros de

avaliações médicas, exames, imunizações e profilaxias é obrigatória e permite a

monitorização do estado de saúde do PAS. Devem ser mantidos registros individuais, em

condições que garantam a confidencialidade das informações, que não podem ser

abertas ou divulgadas, exceto se requerido por lei.

 

Pergunta 4:

Considerando as condições de funcionamento da sua unidade de saúde

(disponibilidade de recursos humanos e materiais), elabore um programa de saúde

ocupacional para o controle de tuberculose entre os PAS.

 

 

Pergunta 5:

O seu hospital não tem um registro confiável da incidência de exposições

ocupacionais a patógenos transmitidos por sangue e fluidos biológicos. Que tipo

de ações devem ser realizadas para melhorar a notificação deste tipo de exposição

e como gerenciar a demanda que será criada ?

 

 

Patógenos Transmitidos por Sangue

 

O profissional de saúde é uma categorias profissional expostas a muitos riscos

ocupacionais, incluindo riscos biológicos, químicos, físicos e psicossociais como o

"stress". Em relação aos riscos biológicos, mais especificamente os veiculados por

sangue, até hoje, quantifica-se em torno de 25 diferentes agentes que podem ser

transmitidos por acidente ocupacional com sangue e seus derivados, porém os de maior

risco são a hepatite B, hepatite C e o HIV, sendo a via mais comum a exposição

percutânea com agulha, onde o agente infeccioso pode estar presente.

 

Hepatite B

 

A Hepatite B, foi a primeira doença transmitida por sangue reconhecida como risco

profissional. Estima-se que em geral o profissional da área da saúde tenha uma

soroprevalência de duas a quatro vezes maior que a população geral, sendo os dentistas,

médicos, laboratoristas, enfermeiros e profissionais de unidades de diálise e limpeza os

mais expostos.

 

O risco de transmissão por uma única picada com agulha pode variar de 6 a 30%,

dependendo da presença do antígeno da fonte. Além da exposição percutânea, a

exposição mucocutânea pode ocorrer porém o risco de soroconversão é menor, mas

ainda não está bem quantificado. Foram também descritos surtos intra-hospitalares de

transmissão de Hepatite B, do profissional de saúde para paciente em ginecologia e

cirurgia cardiotorácica. A vacina para Hepatite B está disponível no mercado desde

1982, e o risco de transmissão diminuiu nos últimos anos devido a vacinação, tendo sido

demonstrado pelo CDC que em 1983 haviam sido documentados 386/100.000 casos de

Hepatite B ocupacional, este número caiu para 9/100.000 em 1995, nos Estados Unidos.

 

HIV

 

O risco de aquisição de HIV ocupacional existe, porém é menor que o risco de

aquisição de Hepatite B e Hepatite C. Após o início da epidemia de AIDS, medidas mais

efetivas foram sugeridas para que se diminuísse o risco de aquisição de patógenos

veiculados por sangue (precauções universais em 1987 e atualmente as precauções

padrão).

 

 

Até dezembro de 1998, foram notificados ao CDC 54 casos documentados de

transmissão ocupacional em profissionais de saúde e 134 casos prováveis. No Brasil, não

temos dados oficiais em relação a aquisição de HIV ocupacional.

 

As vias de exposição ao HIV que estão associadas à transmissão ocupacional

incluem: percutânea, mucosa e pele não íntegra. Em relação ao material biológico

potencialmente infectante, além do sangue, incluem-se: fluido com sangue e outros

fluídos corporais (líquor, sêmen, secreção vaginal, líquido pleural, peritonial, pericardial,

sinovial, e fluído amniótico).

 

O risco estimado de aquisição do HIV pós-acidente com material pérfuro cortante

está quantificado em 0.3% (21 infecções em 6498 exposições) e pós-exposição

mucocutânea em 0.03% (1 infecção em 2885 exposições). Estes dados porém devem ser

avaliados com cautela pois existem outros fatores envolvidos em relação ao tipo de

acidente tais como: quantidade de sangue transferida durante o acidente e estágio

terminal da infecção do paciente fonte.

 

 

GUIA DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE) AO HIV

PARA TRABALHADORES DA SAÚDE

FONTE: MMWR May 15, 1998/ Vol. 47/ n° RR-7

 

1ª ETAPA: DETERMINAÇÃO DO CÓDIGO DE EXPOSIÇÃO (CE)

 

QUE TIPO DE EXPOSIÇÃO OCORREU ?

O MATERIAL BIOLÓGICO IMPLICADO É SANGUE, FLUÍDO CONTENDO

SANGUE, OUTRO MATERIAL POTENCIALMENTE INFECTANTE (OMPI·) OU UM

INSTRUMENTO CONTAMINADO COM UMA DESTAS SUBSTÂNCIAS ?

Mucosa ou pele

não integra

Pele íntegra Exposição

percutânea

SIM NÃO Não

necessita

OMPI§

Sangue ou

fluido

Pequeno

Poucas

gotas e

curta

exposição

Menos

grave

Agulha sólida,

ferimento

superficial

CE - 3

Volume

 

Não

necessita

PPE

 

Gravidade

 

Grande

 

Muitas gotas,

principalmente sangue

e/ou longa exposição

(vários minutos ou mais)

 

Mais grave

 

Agulha de grande calibre,

ferimento profundo,

sangue visível no

instrumento ou agulha

usada previamente em

veia ou artériaª

 

CE - 2

 

 

CE - 2

 

 

CE - 1

 

 

 

· Sêmen ou secreções vaginais; líquor; líquido sinovial; pleural; peritoneal; pericárdico ou amniótico; ou tecidos.

§ Exposições a OMPI devem der avaliadas caso a caso. Em geral estas substâncias corpóreas são

consideradas de baixo risco na transmissão em assistência aos pacientes.

¨ Pele não íntegra: evidências de fissuras, dermatite, abrasão ou ferida aberta

© O contato com a pele íntegra normalmente não é considerado de risco para a transmissão do HIV. Contudo,

 

 

se houve exposição à sangue e as circunstâncias sugerem alto volume de exposição (ex.: uma área extensa da

pele foi exposta ou houve contato prolongado com sangue), o risco de transmissão do HIV deve ser considerado

ª A combinação destes fatores de gravidade (ex.: agulha de grande calibre e ferimento profundo) contribuem

 

 

para um elevado risco de transmissão se o paciente-fonte é HIV +

 

 

GUIA DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE) AO HIV

PARA TRABALHADORES DA SAÚDE (continuação)

 

2ª ETAPA: DETERMINAÇÃO DO STATUS INFECCIOSO (SI)

 

QUAL É O STATUS INFECCIOSO DA FONTE EM RELAÇÃO AO HIV ?

 

 

HIV

HIV

Status

desconhecido

Fonte

desconhecida

Não necessita

PPE

Fonte de alto risco

AIDS avançado, infecção

primária pelo HIV, carga

viral elevada ou

ascendente ou CD4 baixo¨

Fonte de baixo risco

HIV + ou AIDS

assintomático e CD4

alto¨

SI – 1 SI – 2 SI – DESCONHECIDO

· Paciente-fonte HIV negativo: presença documentada laboratorial de sorologia, PCR, ou

antígeno p24 negativos para HIV de uma amostra colhida no momento da exposição e sem

evidência clínica de doença retroviral aguda ou similar.

§ Paciente-fonte HIV positivo: presença documentada laboratorial de sorologia, PCR, ou

antígeno p24 negativos para HIV ou diagnóstico clínico de AIDS.

¨ Os exemplos são utilizados como alternativas para estimar o risco de exposição a uma fonte de

infecção, para considerar a introdução dos regimes de PPE, e não refletem todas as situações

clínicas que podem ser observadas. Apesar de uma exposição a uma fonte de alto risco estar

associada a uma probabilidade maior de transmissão do HIV, a probabilidade de transmissão

através de uma fonte de baixo risco também deve ser considerada.

 

GUIA DE PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PPE) AO HIV

PARA TRABALHADORES DA SAÚDE (continuação)

 

3ª ETAPA: DETERMINAÇÃO DA RECOMENDAÇÃO DE PPE

 

CE SI - HIV RECOMENDAÇÃO DE PPE

1 1 PPE pode não ser necessária.

O tipo de exposição não determina risco conhecido de

transmissão do HIV. Quando o risco de toxicidade das

drogas se sobrepõe ao benefício da PPE, esta deve ser

decidida entre o trabalhador exposto e o médico.

1 2 Considerar REGIME BÁSICOz.

O tipo de exposição determina um risco mínimo de

transmissão do HIV. A fonte de alto risco pode justificar a

PPE. Quando o risco de toxicidade das drogas se sobrepõe

ao benefício da PPE, esta deve ser decidida entre o

trabalhador exposto e o médico.

2 1 Recomendar REGIME BÁSICO.

A maioria das exposições está nesta categoria.

Não se observa alto risco de transmissão do HIV, mas o uso

de PPE é apropriado.

2 2 Recomendar REGIME EXPANDIDO«.

O tipo de transmissão determina alto risco de transmissão

do HIV.

3 1 ou 2 Recomendar REGIME EXPANDIDO.

O tipo de transmissão determina alto risco de transmissão

do HIV.

1,2

ou

3

DESCONHECIDO

Se a o status infeccioso referente ao HIV do paciente-fonte

ou for desconhecida e a situação em que a exposição

ocorreu sugere possível risco de contaminação do HIV (com

CE = 2 ou 3), considerar o REGIME BÁSICOµ de PPE.

 

µDevido à elevada prevalência da infecção pelo HIV na população atendida pelo

IIER, a CCIH-IIER tem optado por introduzir o esquema expandido (AZT + 3TC +

Inibidor de Protease), nestes casos.

 

REGIME BÁSICO:

BIOVIR Ò (Zidovudina/AZT, 300mg +

Lamivudina/3TC, 150 mg): 01 compr. de

12/12 horas, POR QUATRO SEMANAS

REGIME EXPANDIDO (REGIME

BÁSICO acrescido de INDINAVIR ou

NELFINAVIR):

BIOVIR Ò (Zidovudina/AZT, 300mg +

Lamivudina/3TC, 150 mg):

01 compr. de 12/12 horas, POR QUATRO

SEMANAS

+

CRIXIVAN Ò (Indinavir, 400mg): 02 cáps.

de 8/8 horas, POR QUATRO SEMANAS

Ou

VIRACEPTÒ (Nelfinavir, 250mg): 03 compr.

de 8/8 horas, POR QUATRO SEMANAS

 

Pergunta 6

Num hospital geral, um funcionário refere acidente pérfuro-cortante com agulha

calibre 18 de um paciente usuário de drogas endovenosas, HbsAg positivo, ainda

sem resultado da sorologia Anti-HIV. Havia sangue visível na agulha e o acidente foi

profundo. O paciente recebeu somente 01 dose de vacina contra hepatite B há 7

anos atrás, não tendo realizado qualquer sorologia para hepatite B. Discuta a

conduta para este acidente.

 

 

Hepatite C

 

A hepatite C, também se apresenta como um risco de contaminação para o

profissional de saúde, sendo que a possibilidade de transmissão percutânea pode variar

de 3% a 10%, e a exposição de mucosas e pele com solução de continuidade também

representam um risco provável.

Ainda não há recomendação de profilaxia pré e pós-exposição ao vírus da hepatite C,

sendo até o momento a única prevenção o seguimento correto das normas de

"precauções padrão" para que se evite o contato do profissional com o vírus.

 

Pergunta 7:

Cite os principais patógenos transmitidos por sangue e seus respectivos riscos de

infecção.

 

 

Tuberculose como doença ocupacional

 

A tuberculose continua representando na atualidade um grande problema de saúde

pública, tendo sido declarada pela Organização Mundial da Saúde, em 1994, como em

estado de emergência em todo o mundo. Dentre os fatores que contribuem para o

aumento de sua incidência estão a deterioração dos serviços de saúde, da qualidade de

vida e das condições sanitárias; o empobrecimento das populações, o aumento da

densidade demográfica nas regiões metropolitanas e, em especial, nas áreas de periferia;

os movimentos migratórios de pessoas provenientes de países com alta endemicidade e

 

o surgimento da epidemia da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), esta última

determinando um impacto substancial na epidemiologia global da tuberculose.

A tuberculose é uma causa crescente de morbidade entre as pessoas infectadas pelo

HIV. Como os pacientes com AIDS necessitam hospitalizações mais freqüentes, muitas

vezes ocorrem internações de pacientes com tuberculose ainda não diagnosticada,

aumentando o risco de sua disseminação.

 

A transmissão hospitalar do Mycobacterium tuberculosis é conhecida há muito

tempo e ganhou nova atenção nos anos recentes. Vários surtos, inclusive por cepas

multirresistentes, ocorridos nos EUA a partir de fins dos anos 80, envolvendo pacientes e

profissionais da saúde, vêm sendo descritos na literatura.

 

As medidas de prevenção da aquisição de tuberculose no ambiente hospitalar

baseiam-se fundamentalmente no mecanismo de transmissão da doença. Esta ocorre

através de gotículas que são eliminadas por pacientes bacilíferos e, após sofrerem um

processo de desidratação, chegam a medir 1 a 5 mm. Estes núcleos são suficientemente

leves para se manterem em suspensão por longos períodos e são levados por correntes

de ar a longas distâncias.

 

Algumas populações apresentam risco especial de desenvolvimento de tuberculose

após o contato com o bacilo. Entre estes se encontram os pacientes com AIDS, com uso

de corticoterapia sistêmica e outros imunodeprimidos.

 

Em 1994, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta-EUA,

publicou um guia de recomendações para o controle da transmissão da tuberculose em

instituições de saúde. As recomendações preconizam três níveis hierárquicos de medidas

de controle: a) medidas administrativas; b) medidas de engenharia; c) medidas de

proteção individual.

 

As medidas administrativas (ou de primeiro nível) destinam-se principalmente a

reduzir o risco de exposição de pessoas não infectadas àqueles doentes com tuberculose

potencialmente infectante. Estas medidas atingem o maior número de pessoas e incluem

as estratégias relacionadas a seguir:

 

Criação de grupos específicos para controle da infecção tuberculosa – estes grupos

devem elaborar um diagnóstico da situação da infecção tuberculosa em uma dada

unidade de saúde e planejar estratégias de controle da doença, sempre fazendo uso de

“marcadores de eficiência” para sua avaliação; deve atuar de forma integrada com a

Vigilância Epidemiológica para a notificação de casos, investigação de surtos e

seguimento pós-alta; suas atividades poderão estar, de acordo com políticas internas de

cada unidade de saúde, centralizadas nas CCIHs.

 

Educação, treinamento e orientação dos profissionais de saúde sobre a tuberculose

– os profissionais de saúde devem receber treinamento em relação ao controle da

tuberculose e de suas responsabilidades para o êxito do programa. Este treinamento

deverá ser executado quando da admissão do profissional pela instituição e

periodicamente. Neste treinamento deverão ser abordadas questões como a

 

 

epidemiologia da tuberculose, os riscos que os profissionais da saúde sofrem, as normas

de isolamento para tuberculose e os modos de prevenção da doença.

Investigação e identificação de infecção e doença por tuberculose em profissionais de

saúde, através da realização de teste tuberculíneo e aconselhamento acerca da

vacinação com BCG – os profissionais de saúde devem ser avaliados com o teste

tuberculíneo, quando da sua admissão e periodicamente, conforme protocolos prédeterminados.

Os profissionais com risco de exposição ocupacional cujos testes

tuberculíneos resultarem negativos ou reatores fracos poderão ser vacinados com BCG

ou incluídos em programas de realização periódica de teste tuberculíneo (visando

instituição de quimioprofilaxia com isoniazida, caso se tornem reatores fortes); deve-se

ainda manter o máximo empenho para identificar, diagnosticar e tratar rapidamente os

profissionais que adoecerem por tuberculose.

 

As medidas de engenharia (ou de segundo nível) incluem o uso de medidas prevenir

a disseminação e reduzir a concentração de partículas infectantes. Estes controles

englobam os seguintes passos:

-Controle direto da fonte através de sistema de ventilação por exaustão local;

-Controle de direção do fluxo de ar para prevenir a contaminação do ar em áreas

adjacentes à fonte infecciosa;

-Diluição e remoção do ar contaminado por ventilação geral;

-Descontaminação do ar por filtração e/ou por irradiação ultravioleta.

 

As medidas de proteção individual (ou de terceiro nível) consistem no uso de

máscaras com capacidade de reter o bacilo da tuberculose (tipo submicron). Oferecem

proteção a um único indivíduo.

 

Pergunta 5:

Com base no que foi exposto, como se poderia escalonar a amplitude de cada uma

das medidas hierárquicas propostas em termos de proteção ao funcionário e à

coletividade?

 

 

 

Outros Patógenos de Transmissão Aérea

 

– Meningites, Hantavírus, Sarampo e Varicela –

 

Meningites

 

Algumas patologias merecem atenção especial, devido à sua alta contagiosidade e

transmissibilidade intra-hospitalar e pela preocupação e desconforto que porventura

possam gerar na equipe médica assistente.

 

Dentre elas, as meningites seguramente causam maior desconforto e preocupação

na equipe médica assistente. É importante registrar porém que nem todas as meningites

de etiologia bacteriana devem ser mantidas em isolamento respiratório. Apenas as de

etiologia meningocóccica ou por Haemophylus influenzae (confirmadas ou suspeitas)

deverão ser isoladas por até 24 horas, após o início de terapêutica antimicrobiana

adequada.

 

Pacientes com meningite, por apresentarem transmissão aérea por gotículas, isto é,

partículas com tamanho maior que 5mm, poderão, em situações de exceção, permanecer

em mesmo ambiente que pacientes sem esta patologia, se for observada a distância

mínima de 1 metro entre si. Profissionais de saúde poderão, caso mantenham a distância

mínima de 1 metro do paciente-fonte, dispensar o uso de máscara.

 

Hantavírus

 

Embora seja uma patologia extremamente rara no nosso meio, sua

transmissibilidade pessoa-pessoa ainda merece esclarecimentos. O CDC recomenda o

uso de máscaras de alta eficiência para partículas menores que 5mm (H.E.P.A. N100)

para profissionais que trabalhem em zonas rurais infestadas com roedores infectados ou

veterinários, mas não recomenda oficialmente, até o momento, o uso de máscaras N95

para profissionais de saúde que entrarem em contato com pacientes com Hantavírus.

Contudo, existem relatos de profissionais de saúde que adquiriram esta patologia mesmo

com o uso de máscara descartável. Recomendamos que os pacientes com doença

confirmada ou suspeita por Hantavírus permaneçam isolados em quarto privativo e que os

profissionais de saúde utilizem máscaras N95, até que seu mecanismo de transmissão

seja totalmente esclarecido.

 

 

Varicela

 

Destaca-se por se tratar de uma doença extremamente contagiosa. É aconselhável

que se providencie a determinação da imunidade à varicela através de provas sorológicas

por todos os profissionais de saúde, preferencialmente na ocasião da admissão

hospitalar. Recomenda-se que se vacine (vírus vivo atenuado) contra a varicela todo

profissional de saúde susceptível que tenha contato com pacientes imunodeprimidos ou

tenha alto risco de exposição (exceção: profissional gestante ou em amamentação).

 

Por apresentar transmissão aérea por aerossol, recomenda-se que se mantenha o

paciente em quarto privativo, sob isolamento respiratório, com uso obrigatório de máscara

submicron N95 para todas as pessoas que adentrarem seus aposentos. O isolamento só

poderá ser suspenso após o desaparecimento total das vesículas e formação de crostas.

É aconselhável que se disponibilize apenas profissionais de saúde sabidamente imunes

(história indubitável ou comprovação sorológica de varicela) para a realização dos

cuidados de enfermagem e administração de medicamentos.

 

Trabalhadores da área de saúde com varicela deverão ser afastados, até que as

lesões estejam secas e com crostas. Aqueles que não tenham imunidade conhecida

(história ou sorologia), deverão ser afastados do 8o dia após o primeiro contato, até o 21o

dia após o último dia de exposição (28 dias se foi utilizada imunoglobulina). Fazer o teste

sorológico para varicela do profissional exposto que não tenha tido varicela ou não seja

vacinado. Naqueles vacinados, porém com nível do anticorpo desconhecido, repetir a

sorologia e, caso negativa, repeti-la cinco a seis dias após a exposição, para verificar

resposta imune. A administração de imunoglobulina ao trabalhador susceptível exposto

deverá ocorrer apenas se este for imunocomprometido.

 

Sarampo

 

O sarampo também apresenta alta contagiosidade, embora costume atingir toda a

comunidade em forma de epidemias. Embora exista a recomendação de que todo

profissional de saúde, nascido após 1957, realize sua sorologia para determinação de seu

estado imune (indivíduos nascidos antes desta data são considerados imunes), estudos

sorológicos indicam que 5 a 9% deles não possuem imunidade ao sarampo

(CDC/MMWR). Sendo assim, em situações de epidemia como a de 1997, que assolou a

maior parte dos estados brasileiros, é recomendado que os indivíduos recebam uma dose

da vacina (MMR).

 

 

O teste sorológico de rotina não deve ser realizado antes de se administrar à vacina.

É recomendável que se vacine profissionais susceptíveis, que tenham tido exposição ao

sarampo após 72 horas do contato.

 

Recomenda-se que se mantenha o paciente em quarto privativo, sob isolamento

respiratório, com uso obrigatório de máscara N95 para todas as pessoas que adentrarem

seus aposentos.

 

Deve-se afastar o trabalhador que não tenha imunidade comprovada, do 5o dia após

a primeira exposição, ao 21o dia após a última exposição, não importando se ele tenha ou

não recebido vacina pós-exposição. Caso o profissional desenvolva sarampo, afastá-lo

por 7 dias após o início do exantema ou durante todo o período da doença, mesmo que

seja mais longo.

 

Tabela 1-Patógenos e doenças de risco para o PAS

 

Condição Patógenos Risco Modo de prevenção Imunização do

PAS

Conjuntivite Bactérias e vírus,

em especial

adenovírus

Surtos

descritos em

clínicas

oftalmológic

as e UTI

neonatais;

transmissão

por contato

ou gotículas

Lavagem das mãos;

desinfecção

adequada de

instrumentais

oftalmológicos; uso

de luvas quando da

manipulação de

paciente infectado.

Preferencialmente,

excluir o PAS

infectado da

assistência direta

Não disponível

Citomegalovirose Citomegalovírus Sem risco

aumentado

para PAS;

sem risco

especial

para PAS

grávidas;

transmissão

Lavagem das mãos;

adoção de

precauções padrão;

PAS com

citomegalovirose

não devem ser

restritos do trabalho

Não disponível

 

 

mais

importante

por contato

com

secreções

ou

excreções

Difteria Corynebacterium

diphtheriae

Risco muito

baixo de

transmissão

para o PAS

vacinado;

transmissão

por contato

ou gotículas

Lavagem das mãos;

aderência às

precauções de

contato e de

gotículas quando da

manipulação de

paciente com

difteria; funcionário

portador deve ser

afastado até final do

tratamento ou 2

culturas negativas

com intervalo > 24h

Dupla adulto

para todos os

funcionários

deve ser

obrigatória;

checar cartão

vacinal na

admissão; se

esquema não

realizado ou

incompleto,

completar

vacinação

Condição Patógenos Risco Modo de prevenção Imunização do

PAS

Infecções Bactérias, vírus e Transmissão Lavagem das mãos; Vacinação contra

gastrintestinais protozoários nosocomial geralmente se faz por consumo de

alimento e/ou líquidos contaminado s; PAS de laboratório tem risco aumentado

desinfecção adequada de equipamentos e superfícies ambientais; PAS

com gastrenterites devem ser afastados de pacientes de alto risco (RN, idosos,

imunodeprimidos) febre tifóide pode ser avaliada para funcionários de

laboratório  para Salmonella typhi até que voltem a ter fezes moldadas

Hepatite A Vírus da hepatite

A (VHA)

Risco baixo para os PAS;

transmissão por rota fecal-oral Lavagem das mãos;

não comer em áreas de assistência a doentes;

não compartilhar alimentos, bebidas ou cigarros com

pacientes, familiares ou outros PAS

Vacinação pode ser recomendada em áreas de alta endemicidade do VHA;

imunoglobulina pode ser indicada em situações de surtos Hepatite B Vírus da hepatite

B (VHB)

Risco de 6 a 30% para PAS após exposição pérfuro cortante;

risco quase inexistente para PAS imunizados, com resposta à

vacina Aderência às precauções padrão;

PAS com VHB devem se abster de realizar procedimentos

invasivos até a negativação do HBeAg Vacinação indicada a todos

os PAS; realizar sorologia (Anti-HBs) 4 a 8 semanas após a

terceira dose da vacina; se PAS não imune, repetir a vacinação;

se  acidente com fonte HbsAg + em PAS não imunizado ou

não respondedor, administrar HBIg Hepatite C Vírus da hepatite

C (VHC)

Risco de 7% para PAS após exposição Aderência às precauções padrão;

PAS com HIV não devem sofrer Não existe vacina disponível;

imunoglobulina  pérfurorestrições ao após exposição cortante trabalho, exceto em

situações especiais (p.e., transmissão a paciente) não oferece proteção

Condição Patógenos Risco Modo de prevenção Imunização do

PAS AIDS Vírus da imunodeficiênci a humana (HIV)

Risco de 0,3% para PAS após exposição pérfurocortante

Aderência às precauções padrão; PAS com HIV não devem

sofrer restrições ao trabalho, a não ser que sejam

envolvidos em episódio de transmissão para paciente

Não existe vacina disponível;

administrar quimioterapia profilática pós-exposição,

quando indicada (ver tabela 2)

Herpes simples Vírus Herpes

Simples Risco baixo para os PAS;

transmissão por contato Lavagem das mãos;

aderência às precauções padrão;

isolamento de contato para herpes congênito ou disseminado;

funcionários com lesões em mãos ou face em atividade

devem ser excluídos do cuidado de pacientes com alto

risco para infecções graves Vacina ainda pouco disponível

 

 

Sarampo Vírus do sarampo

Risco variável para o PAS não imunizado;

praticamente inexistente pra o funcionário imunizado;

transmissão por aerossóis Aderência às precauções de

isolamento (usodo respirador N95); funcionários com sarampo

devem ser excluídos por, pelo menos, 7 dias após início

dos sintomas Devem ser vacinados todos os funcionários sucptíveis,

excluindo-se mulheres grávidas Doença Neisseria Risco para Aderência às Vacina não

meningocócica meningitidis PAS muito baixo;

transmissão por gotículas precauções de isolamento (uso de máscara cirúrgica);

considerar quimioprofilaxia somente para PAS com contato intensivo (tipo exame de

orofaringe) e desprotegido (sem máscara) efetiva contra meningococo do serogrupo B;

pode ser indicada para PAS em algumas situações de surto ou para PAS de laboratório que

manipulem concentrados de meningococos Condição Patógenos Risco Modo de prevenção

Imunização do PAS Caxumba Vírus de Risco Aderência às Indicar vacina caxumba intermediário

para o PAS não imunizado;

transmissão por gotículas precauções de isolamento (uso de máscara cirúrgica);

funcionário com caxumba deve ser afastado por, pelo menos, 9 dias após início da doença

(MMR) para os PAS sem história prévia de caxumba ou com história prévia duvidosa; excluir

PAS grávidas da vacinação Coqueluche Bordetella pertussis Risco desconhecido para PAS,

porém estes podem estar envolvidos em surtos especialmente os que trabalham em unidades

de pediatria Aderência às precauções de isolamento (uso de máscara cirúrgica);

considerar o diagnóstico em PAS com tosse aguda com duração maior que 6 dias; PAS

com coqueluche deve ter atividades restritas até a 3a semana após início do quadro ou 5 dias

após início de tratamento Não aplicar DPT a PAS; uso de vacina acelular ainda controverso

Raiva Vírus da raiva Nenhum caso documentado de transmissão de raiva de pacientes para PAS;

admite-se risco potencial de Aderência às precauções de isolamento (precauções padrão e precauções de

gotículas e de contato) Vacinação préexposição indicada a PAS que trabalhem

com o vírus da raiva ou animais infectados;

profilaxia pós-exposição pode ser considerada para PAS com transmissão exposições a

pacientes com raiva Rubéola Vírus da rubéola Risco intermediário para PAS não imunizados;

transmissão por gotículas Aderência às precauções de isolamento (uso de máscara cirúrgica);

PAS com rubéola devem ser afastados por 5 dias após início do exantema Vacinação (MMR) indicada

a todos os PAS, a menos que tenham sorologia que confirme infecção prévia;

excluir PAS grávidas da vacinação Condição Patógenos Risco Modo de prevenção Imunização do

PAS Escabiose Sarcoptes scabiei Surtos descritos entre PAS;

transmissão por contato Aderência às precauções de contato; PAS com escabiose devem ser afastados do

contato direto com o paciente até o fim do tratamento Sem vacinação Pediculose Pediculus humanus;

Pediculus humanus corporis;

Phthirus pubis Transmissão para PAS improvável;

transmissão por contato físico íntimo

ou sexual Aderência às precauções de contato; PAS com escabiose devem ser afastados do

contato direto com o paciente até o fim do tratamento Sem vacinação

Varicela Vírus da varicela-zoster PAS não- imunes sob risco alto;

transmissão por contato e aerossóis Aderência às precauções de isolamento (contato

e aerossóis); PAS com varicela devem se manter afastados até que lesões estejam em

fase de crosta; PAS sem história prévia ou com história duvidosa não devem cuidar de

pacientes com varicela; se expostos, devem ser avaliados e, se possível, afastados

do 10o ao 21o dia após a exposição Considerar sorologia para varicela como parte do exame

admissional e considerar vacinação para os não imunes;

não vacinar grávidas Influenza Vírus Influenza PAS não imunizados podem

perpetuar surtos em instituições de saúde;

transmissão por gotículas Aderência às precauções de isolamento (uso de

máscara cirúrgica);

PAS com IVAS devem ser afastados do contato direto com o paciente Considerar

vacinação para todos os PAS anualmente, incluindo as grávidas

Condição Patógenos Risco Modo de prevenção Imunização do

PAS

Tuberculose Mycobacterium tuberculosis Risco variável conforme

local de trabalho;

transmissão por aerossóis Aderência às precauções de isolamento (uso de

máscara N95); PAS com tuberculose devem ser afastados do trabalho até que

apresentem 3 baciloscopias negativas Realizar triagem com PPD semestral ou

anual;

indicar quimioprofilaxia com isoniazida quando conversão do PPD recente;

considerar vacinação com BCG para não reatores ou reatores fracos

 

Caderno de Respostas C2

 

 

Precauções Padrão, Isolamento e Saúde Ocupacional

 

 

 

Pergunta 1:

 

Estes funcionários devem receber orientação sobre os princípios básicos de isolamento

salientando que as precauções padrão devem ser aplicadas no atendimento a todos os

pacientes independente de diagnóstico e idade.

 

Pergunta 2:

 

Este levantamento mostra que os profissionais desta unidade não estão conscientizados

sobre a importância do não reencape das agulhas após o uso e o risco de acidentes com

pérfuro-cortantes. A proposta seria um treinamento da equipe sobre a utilização e

descarte desses materiais e precauções padrão.

 

Pergunta 3:

 

a. P. aerossóis / b. P.contato / c. Gotículas/ d Aerossóis/ e. Aerossóis+padrão/ f. Padrão/

g. Padrão/ h. Padrão/ I. Padrão

Pergunta 4:

 

O instrutor deverá orientar o grupo a elaborar o plano utilizando-se das orientações

constantes no item que trata de ações do serviço de saúde ocupacional, voltadas para

tuberculose.

 

Pergunta 5:

 

Elaborar manual de precedimentos que incluam cuidados com materiais pérfuro cortantes.

Assegurar o treinamento e reciclagem do profissional envolvido.

Elaborar um fluxo para notificação do acidente com pérfuro cortante, garantindo sua

execução através da conscientização da força de trabalho do hospital.

Propor um programa de vacinação que abranja o profissional recém admitido e o antigo.

Propor esquema de vacinação para os profissionais acidentados.

Assegurar o acompanhamento do profissional no pós acidente: esquema de profilaxia pós

exposição, orientações sobre consequencia de doenças e exposições ao profissional e

familiares, seguimento laboratorial.

Consolidar e avaliar os dados coletados sobre acidentes e propor medidas adicionais.

 

 

 

Pergunta 6:

 

O funcionário deve ser considerado não imune para hepatite B, deve-se administrar

imunoglobulina contra hepatite B nas primeiras 72-96 horas e completar o esquema

vacinal contra a doença. Em relação ao HIV, deve-se checar a sorologia do paciente. Se

esta realmente não estiver pronta, deve considerar o paciente como de alto risco para HIV

e administrar ARV (esquema expandido) imediatamente após o acidente, de preferência

nas primeiras duas horas após este. Se a sorologia resultar positiva, mantém-se o

esquema por 28 dias. Se resultar negativa, deve-se considerar o risco de o paciente estar

na "janela imunológica"(saber quando foi a última vez que ele injetou drogas na veia) para

se considerar a suspensão da profilaxia. Deve-se ainda realizar a sorologia Anti-HCV do

paciente, apesar de não existir profilaxia para esta infecção.

Deve ser programado o seguimento do funcionário com sorologias coletadas no momento

da notificação do acidente e após 06 semanas, 03 meses e 06 meses. Adicionalmente,

deverão ser colhidos hemograma e TGO, TGP, uréia, creatinina e urina I quinzenalmente,

enquanto o funcionário estiver em uso de antirretrovirais. O funcionário deve ser orientado

a não doar sangue, manter relações sexuais com preservativos e, caso seja mulher, não

engravidar até o fim do seguimento (06 meses).

 

Pergunta 7:

 

HIV – 0,3%

Hepatite B – 6 a 30%

Hepatite C – 3 a 10%

 

 

Pergunta 8:

 

O instrutor deverá orientar o grupo a responder tomando como base as medidas de

controle nos níveis administrativo, de engenharia e de proteção individual.

 

 

Bibliografia Básica Utilizada

 

 

1) Fernandes AT (ed). Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde. São

Paulo, 2001p. Atheneu, 2000.

2) Mayhall CG (ed). Hospital Epidemiology and Infection Control. Philadelphia, 1565p.

Lippincott Williams & Wilkins, 1999.

3) Bennett JV, Brachman PS (ed). Hospital Infections. Philadelphia, 778p. Lippincott

Raven, 1998.

4) Wenzel RP (ed). Prevention and Control of Nosocomial Infections. Baltimore, 1266p.

Williams & Wilkins, 1997.

5) Monografias da APECIH - Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção

Hospitalar

6) Garner JS, Jarvis WR, Emori TG, et al. CDC definitions for nosocomial infections. Am J

Infect Control 16:128-140, 1988.

 

FONTE: Anvisa.

 

 

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