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Big Bags Ráfia tem crescimento anual acentuado em relação as demais embalagens.

Esse crescimento é o resultado da versatilidade e economia, veja os pontos:

  • Ganhos reais em logística.
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Modelos disponíveis:
  • One Way
  • Multy Way
Existem modelos específicos para cada aplicação, veja os modelos abaixo:
C1 = Boca aberta e fundo chato.
C2 = Saia de enchimento e fundo chato.
C3 = Boca aberta e válvula de descarga.
C4 = Saia de enchimento e válvula de descarga.
C5 = Válvula de enchimento e fundo chato.
C6 = Válvula de enchimento e válvula de descarga.

Amplo limite de carga (de 100 a 2.000 kg), variando a gramatura de forma econômica e segura. São produzidos com a necessidade do cliente.


Big Bags são utilizados nos seguintes segmentos:
  • Farinha
  • Açucar
  • Ração
  • Semente
  • Fertilizante
  • Sal
  • Suplemento
  • Conexão
  • Frigorífico
  • Produto Agrícola
  • Cereal
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  • Gêlo
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Respeitando a qualidade, temos o melhor preço do mercado. Produtos importados altamente competitivos.

 

 

 

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Microbiologia Aplicada ao Controle Infeccão Hospitalar

Microbiologia Aplicada ao Controlde de Infecção Hospitalar .

Provida Provendo Soluções Preservando Vidas. Eficiente Contra Bactérias, Vírus e Fungos. Prevenção deveria ser Obrigação!

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA

Curso Básico de Controle de Infecção Hospitalar

 

 

 

Caderno D

Microbiologia Aplicada ao Controle de

Infecção Hospitalar

 

 

AGÊNCIA NACIONAL DE

VIGILÂNCIA SANITÁRIA

 

 

 

Diretor-Presidente

 

Gonzalo Vecina Neto

 

Diretores

 

Luiz Carlos Wanderley Lima

Luiz Felipe Moreira Lima

Luiz Milton Veloso Costa

Ricardo Oliva

 

Adjunto:

 

Claudio Maierovitch P. Henriques

 

Gerente-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde

 

Lucila Pedroso da Cruz

 

Chefe da Unidade de Controle de Infecção em Serviços de Saúde

 

Glória Maria Andrade

 

 

Equipe Técnica:

 

Eni Rosa Borba Mesiano

Maria do Carmo Freitas da Costa

Maria do Carmo Ramalho Rodrigues de Almeida

 

Coordenação geral:

Consultor em Controle de Infecção Hospitalar

 

 

Antonio Tadeu Fernandes

 

Colaboradores:

 

Adolfo Edison Manrique

Ana Paola Castagnari

Anna Sara Levyn

Carlos Emílio Levy

Esperança Santos de Abreu

Fernando Aurélio Calligaris Galvanese

Kazuko Uchikawa Graziano

Lara Gurgel Fernandes Tavora

Lígia Bueno Assumpção

Luis Carlos Barradas Barata

Maria Cristina Gabrielloni

Maria Olivia Vaz Fernandes

Martha Oliveira Ramalho

Mônica Velhote

Rúbia Aparecida Lacerda

Talib Moysés Moussallem

 

Edição de Design Gráfico

Gerência de Comunicação Multimídia

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Site: www.anvisa.gov.br

Copyright@ ANVISA, 2000

 

 

Apresentação

 

Historicamente, no Brasil, o Controle das Infecções Hospitalares teve seu marco

referencial com a Portaria MS nº 196, de 24 de junho de 1993, que instituiu a implantação de

Comissões de Controle de Infecções Hospitalares em todos os hospitais do país,

independente de sua natureza jurídica .

 

Na ocasião, o Ministério da Saúde optou por treinar os profissionais de saúde

credenciando Centros de Treinamento (CTs) para ministrar o Curso de Introdução ao

Controle de Infecção Hospitalar.

 

Atualmente, as diretrizes gerais para o Controle das Infecções em Serviços de Saúde

são delineadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), na Gerência Geral

de Tecnologia em Serviços de Saúde , através da Unidade de Controle de Infecções em

Serviços de Saúde (UCISA), e novo impulso tem sido dado no sentido de enfrentar a

problemática das infecções relacionadas à assistência .

 

Com a finalidade de capacitar profissionais de saúde para o controle das infecções em

serviços de saúde, a Anvisa está apresentando o Curso Básico de Controle de Infecção

Hospitalar, elaborado conforme orientações das legislações pertinentes à matéria.

 

O curso é composto de uma série de 5 cadernos e um manual do monitor, constando

de uma parte teórica e outra de exercícios de reforço, com carga horária total de 40

horas/aula.

 

O objetivo é oferecer subsídios aos profissionais da área da saúde que garantam o

desenvolvimento das atividades voltadas para o Controle das Infecções Hospitalares,

beneficiando a sociedade através do uso de medidas de proteção e promoção à saúde.

 

Sugerimos que os temas desenvolvidos sejam aprofundados, complementados e

adequados a cada realidade local. Esse constitui nosso maior esforço.

 

É importante que nessa trajetória, em busca do avanço nos conhecimentos sobre o

assunto, sejam estabelecidas parcerias visando uma cooperação técnica e a

interdisciplinaridade nas ações.

 

Gonzalo Vecina Neto

 

 

Curso Básico de Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno A: Epidemiologia para o Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno A 1: Conceitos e Cadeia Epidemiológica das Infecções Hospitalares

Caderno A 2: Vigilância Epidemiológica das Infecções Hospitalares

Caderno A 3: Controle e Investigação de Surtos de Infecção Hospitalar

Caderno A 4: Conceitos e Critérios Diagnósticos das Infecções Hospitalares

 

Caderno B: Principais Síndromes Infecciosas Hospitalares

 

Caderno B 1: Infecção do trato urinário, sítio cirúrgico e pneumonia

Caderno B 2: Infecção do acesso vascular, corrente sangüínea. Infecção em pacientes

especiais (queimados, renais crônicos e neonatos)

 

Caderno C: Métodos de Proteção Anti-infecciosa

 

Caderno C 1: Limpeza, Esterilização e Desinfecção de Artigos e Anti-sepsia

Caderno C 2: Precauções Padrão, Isolamento e Saúde Ocupacional

 

Caderno D: Microbiologia Aplicada ao Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno D 1: Antimicrobianos e o controle de infecção

Caderno D 2: Laboratório de Microbiologia

 

Caderno E: Programa do Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno E 1: Setores de Apoio e o Controle de Infecção Hospitalar

Caderno E 2: Organização do Controle de Infecção Hospitalar

 

Manual do Monitor

 

Pré teste de Avaliação/Gabarito

 

 

Sumário

 

Caderno D: Microbiologia Aplicada ao Controle de Infecção Hospitalar

 

Caderno D 1

Antimicrobianos e o controle de infecção 07

Caderno de Respostas 44

Caderno D 2:

Laboratório de Microbiologia 47

Caderno de Respostas 62

Bibliografia 66

 

 

Caderno D1

 

 

Antimicrobianos e o Controle de Infecção

 

 

 

Antimicrobianos

 

Princípios Gerais

 

Com o início do uso clínico dos antimicrobianos, no final da década de 40, estes

agentes têm uma participação cada vez maior na prescrição médica. É inegável a

importância do desenvolvimento de drogas antimicrobianas na melhoria da qualidade de

assistência à saúde na humanidade. Entretanto, os recursos utilizados com antibióticos em

todo o mundo atingem proporções vultuosas e sua parcela nos custos da assistência à saúde

tende a aumentar. Somente nos Estados Unidos, estima-se que mais de 2 bilhões de dólares

sejam gastos atualmente com pacientes internados. O custo dos antimicrobianos representa

de 30 a 50% do total gasto pelos hospitais com medicamentos.

 

Princípios Básicos

 

Ação antimicrobiana - a ação antimicrobiana acontece a partir da ligação do antibiótico

a um sítio alvo na bactéria, interrompendo uma função bacteriana essencial. O mecanismo

específico mediante o qual os antibióticos provocam a morte celular pode variar para cada

grupo de antimicrobianos. O antimicrobiano para agir deverá atingir uma concentração ideal

no local de infecção, ser capaz de atravessar, de forma passiva ou ativa, a parede celular,

apresentar afinidade pelo seu sítio de ligação no interior da bactéria e permanecer um tempo

suficiente para exercer seu efeito inibitório.

 

Farmacocinética -analisa o comportamento do organismo em relação aos medicamentos.

Para sua ação, os fármacos necessitam estar em concentrações satisfatórias no seu local de

ação. Em geral, a farmacocinética estuda a maneira como os medicamentos se dispõem no

organismo, a partir do conhecimento dos parâmetros da extensão e velocidade de absorção,

distribuição e eliminação deles e também de seus metabólitos pelo organismo, e envolvem o

entendimento de como ocorre a passagem através de membranas celulares.

Volume de distribuição -é uma medida fictícia, que indica o volume em que uma

quantidade específica do medicamento administrada parece se distribuir. e é extremamente

dependente das propriedades físico-químicas do agente, em especial do grau de ligação às

proteínas.

 

 

Biodisponibilidade -define a quantidade do medicamento que chega a corrente circulatória,

na forma ativa, com efeito biológico. Pode haver, por exemplo absorção completa da droga

administrada por via oral, mas sendo destruída quase totalmente no fígado, com pequena

biodisponibilidade. Uma droga que é pouco absorvida apresenta pequena biodisponibilidade.

Ligação às proteínas -os antibióticos ligam-se de maneira variada às proteínas presentes

no plasma, tais como a albumina, alfa-1-glicoproteína ácida e lipoproteínas. O laboratório

clínico refere-se à concentração do medicamento como sendo a concentração total da droga,

tanto a parte ligada à proteína, quanto aquela livre no plasma. A parte livre ou não ligada às

proteínas é a farmacologicamente ativa, responsável pela atividade microbiológica do

antibiótico.

Meia-vida – O termo meia-vida em geral se refere ao tempo necessário para a eliminação

de 50% da dose da droga pelo organismo. É um parâmetro que depende fundamentalmente

das modificações do volume de distribuição ou de depuração, sendo útil quando há

necessidade de se determinar questões referentes ao grau de equilíbrio ou qual o tempo

necessário para a retirada de toda a medicação do organismo. Também tem importância

para determinar os intervalos das doses dos antibióticos.

 

Depuração (ou clearance) - este parâmetro farmacocinético é definido como o volume de

líquido depurado do medicamento por unidade de tempo, geralmente ocorrendo de forma

constante e não dependente da sua concentração. Alguns fatores, como metabolismo e

secreção tubular renal, podem modificar essa relação. A eliminação das drogas no

organismo é realizada principalmente através dos rins e do fígado, embora algumas possam

ser eliminadas pelo pulmão, trato gastrointestinal ou pele.

Farmacodinâmica -as propriedades farmacodinâmicas ou a correlação entre a

concentração do agente e efeito antimicrobiano de determinado grupo de antibióticos

depende da integração de duas áreas relacionadas: sua atividade microbiológica e a

farmacocinética. Já que não é possível determinar as concentrações dos medicamentos no

local onde atuam, utilizamos três variáveis, para poder avaliar a atividade antimicrobiana da

droga:

 

-Concentração Inibitória Mínima (CIM), que representa a menor concentração de um

composto capaz de inibir atividade de um microrganismo sob condições conhecidas.

 

-Concentração Bactericida Mínima (CBM), traduzida pela concentração mínima de um

medicamento, que reduz em quase 100% a contagem bacteriana inicial, sob condições

próprias de incubação e de tempo.

-Efeito pós-antibiótico (EPA), que se refere à capacidade de uma droga, após exposição

limitada do microrganismo à concentração inibitória, manter a supressão persistente e

significativa do seu crescimento, mesmo havendo uma concentração subinibitória no local da

infecção, isto é, é o tempo necessário para que uma bactéria sobrevivente a uma breve

exposição a um antibiótico retome seu crescimento. Este efeito é bem descrito para os

aminoglicosídeos e as quinolonas.

-Efeito colateral dos antibióticos - a utilização dos antibióticos em medicina, apesar dos

extraordinários efeitos curativos, pode causar efeitos indesejáveis, que por vezes colocam a

vida do paciente em risco ou determinam seqüelas orgânicas. A iatrogenia decorrente da

antibioticoterapia é com freqüência inevitável, já que resulta das ações tóxicas ou irritantes

inerentes ao medicamento ou de manifestações de hipersensibilidade do hospedeiro, ou

ainda alterações metabólicas e biológicas que se operam no paciente devidas a ação do

antibiótico em uso.

-Efeitos colaterais de natureza irritativa - Praticamente todos os antibióticos podem provocar

reações indesejáveis no local da administração da droga em uso, em função da

apresentação farmacêutica, da dose, do tempo de uso e do indivíduo. Estes efeitos são

divididos em três grupos, de acordo com a via de administração:

-Efeitos irritativos gastrointestinais: O emprego de antibióticos por via oral pode provocar

efeitos irritantes primários na mucosa gastrointestinal, que se manifestam por dor abdominal,

sensação de queimação gástrica, náuseas, vômitos, flatulência, hipóxia e diarréia. Estes

efeitos são particularmente observados com o uso de eritromicina, penicilina V, tetraciclina,

lincomicinas, ampicilina e cloranfenicol.

-Efeitos irritativos para o músculo: A administração de antibióticos intramuscular provoca dor

e induração local da injeção e até mesmo a formação de necrose e abscessos frios. Entre os

antibióticos que causam fenômenos dolorosos estão a penicilina G benzatina, fosfomicina,

kanamicina, cefalosporinas e eritromicina.

-Efeitos irritativos para a veia: A administração intravenosa de certos antibióticos provoca

dor e flebites, devido ao efeito cáustico sobre o endotélio. Entre eles citam-se a anfotericina

B, vancomicina, tetraciclina, penicilina G cristalina e as penicilinas semi-sintéticas.

 

-Efeitos colaterais de natureza alérgica- Como toda substância para uso terapêutico, os

antibióticos são capazes também de provocar o aparecimento de reações de

hipersensibilidade das mais variada natureza e gravidade, às vezes fatais. Estas reações

pode ser imediatas ou tardias. As reações imediatas, aquelas que se manifestam em seguida

ou algumas horas após a exposição ao antígeno, têm no choque anafilático a expressão

mais severa. Entre os efeitos tardios, que aparecem horas ou dias após a exposição

podemos citar as erupções urticariformes e síndrome de Stevens-Johnson.

-Efeitos colaterais de natureza tóxica - Assim como os antibióticos agem sobre a célula

bacteriana, podem agir também sobre a célula humana e provocar lesões. A toxicidade

depende da substância, da dose utilizada e da duração do tratamento, ocorrendo certa

variação individual no que concerne ao tempo de aparecimento e à intensidade da

manifestação tóxica. Tal variação está relacionada à idade e estado de funcionamento das

vias de metabolização e eliminação das drogas. São exemplos de reações de natureza

tóxica:

Reações neurotóxicas:

 

Bloqueio neuromuscular: Foram descritos com o uso de aminoglicosídeos intratecais e

intraperitoneais, seguido do uso de anestésicos voláteis. Efeito colateral infreqüente.

Ototoxicidade: Classicamente descrito com o uso de aminoglicosídeos, este efeito ocorre

mais frequentemente em situações de uso de doses elevadas, longa duração do tratamento,

uso de diuréticos de alça, desidratação, insuficiência renal preexistente e associação com

outras drogas nefro e ototóxicas.

Reações nefrotóxicas: São freqüentes com determinados antibióticos e seu aparecimento

depende muitas vezes da dose administrada e do tempo de utilização, quando os nefrons

são expostos a elevadas concentrações. Entre as alterações específicas que podem ser

provocadas pelos antibióticos, destacam-se como principais: necrose tubular proximal,

síndrome de Fanconi e nefrite intersticial. Neste grupo estão incluídos os aminoglicosídeos,

anfotericina B e as tetraciclinas.

Reações gastrointestinais: Ocorre com mais freqüência secundariamente às alterações da

ecologia bacteriana, relacionadas à rotura do equilíbrio entre germe e hospedeiro. A

manifestação mais grave deste fato é representada pela colite pseudomembranosa,

ocasionada pelo crescimento do Clostridium difficile, ligado ao uso de qualquer antibiótico,

principalmente cefalosporinas de terceira geração, penicilinas, clindamicina e

 

 

vancomicina.Os antibióticos são capazes, ainda, de comprometer o fígado. Reações

hepáticas têm sido citadas constantemente, principalmente com uso de macrolídeos,

tetraciclinas, anfotericina B, novobiocina, rifampicina, penicilinas semi-sintéticas e

cefalosporinas.

Reações hematológicas: Entre as várias drogas de ação tóxica para a hematopoese,

destacam-se o cloranfenicol, a anfotericina B e o ganciclovir.

Reações metabólicas: Os antibióticos podem interferir com o metabolismo do hospedeiro,

inibindo a síntese protéica, bloqueando parcialmente a produção de anticorpos, a função

fagocitária e a quimiotáxica dos leucócitos. Destacam-se as tetraciclinas, que levam a efeitos

deletérios para o feto durante o período de gestação.

 

Pergunta 1

Relacione os principais efeitos adversos relacionados à administração de

antimicrobianos. Estabeleça uma correlação entre a via de administração e o tipo de

efeito adverso que pode ser encontrado.

 

Resistência bacteriana aos antibióticos

 

Como resultado dos mecanismos de resistência desenvolvidos por praticamente todos

os germes, muitos antibióticos, que facilmente inibiam microrganismos, estão tornando-se

inefetivos. O reconhecimento de que microrganismos são capazes de resistir a agentes

físicos e químicos data do início da era antimicrobiana. Inicialmente o problema da

resistência foi parcialmente resolvido com a descoberta e lançamento de novas drogas e

modificação das já existentes, porém a capacidade de adquirir resistência e transmiti-la é

superior à velocidade de lançamento de novas formulações. Também é preocupante a quase

ausência de antibióticos com novos mecanismos de ação, que poderiam dificultar o

surgimento de resistência, sendo que os novos lançamentos quase que exclusivamente

compreendem pequenas modificações em grupos de antibióticos já amplamente utilizados. O

 

 

alto custo para o desenvolvimento e comercialização de um único produto, calculado nos

EUA ser de US$100 a US$ 350 milhões é um fator limitante fundamental para o

desenvolvimento de novas drogas. O entendimento de como a bactéria desenvolve

resistência e sua epidemiologia é da maior importância para a síntese de novas drogas e

para o desenvolvimento de outras formas de combate aos agentes infecciosos.

 

Existem descritos seis mecanismos para aparecimento e disseminação de bactérias

resistentes:

 

-através da introdução, por pacientes, por profissionais ou por produtos comerciais

contaminados, de alguns organismos resistentes, procedentes da comunidade ou de outra

instituição;

-através da aquisição de resistência por mutação genética por cepas previamente

susceptíveis;

-através da aquisição de resistência por material genético transferível;

-através da emergência de resistência induzível já presente em algumas cepas na

população;

-através da seleção de subpopulações resistentes;

-através da disseminação de organismos inerentemente resistentes.

Vários são os mecanismos que as bactérias apresentam para desenvolver resistência

às drogas. . Uma bactéria pode tornar-se resistente por um ou por uma associação destes

mecanismos. A resistência de germes gram negativos a antibióticos b-lactâmicos, por

exemplo, é uma combinação de diminuição da entrada, produção de b-lactamase e

diminuição de afinidade pelos sítios de ligação. Os principais mecanismos de resistência são:

 

-alteração no sítio de ligação;

-inativação ou destruição enzimática;

-diminuição da entrada ou aumento retirada do antibiótico

Estratégias preventivas na disseminação de resistência são fundamentais e devem ser

aplicadas em todos os hospitais. Entre elas, destacam-se:

 

-Medidas de vigilância e isolamento de pacientes com cepas multirresistentes: A adoção de

medidas visando identificação precoce de pacientes portadores ou infectados com cepas de

germes multirresistentes, adotando os procedimentos apropriados para o seu isolamento é

 

capaz de minimizar a transferência para outros pacientes, assim como a colonização de

pessoal de atendimento com esta cepas.

 

-Medidas para diminuir a mutação e a transferência genética: Quando há uma grande

concentração de microrganismos, existe um risco aumentado de surgimento de resistência

por mutação ou por transferência de material genético. A erradicação de reservatórios de

microrganismos com grande capacidade de apresentar resistência pode ser uma estratégia

para o controle de sua disseminação.

-Medidas para diminuir a pressão seletiva através do uso correto de antimicrobianos: Dentre

as várias condições que alteram o ambiente determinando uma seleção dos germes mais

aptos a sobreviver e proliferar, destaca-se o uso de antimicrobianos. Várias evidências

demonstram uma relação direta entre o uso de antimicrobianos e o aumento de resistência,

particularmente com compostos mais recentes e com maior espectro de ação

Pergunta 2

Quais os principais mecanismos de aparecimento e disseminação de bactérias

resistentes em um hospital?

 

Uso Profilático de Antibióticos em Clínica e Cirurgia

 

Quimioprofilaxia para doenças infecciosas refere-se ao uso de uma droga por um

paciente com risco aumentado para o desenvolvimento de infecção, tendo por objetivo

reduzir a incidência de doença e morte. O cálculo deste risco deve ser baseado,

especialmente, em levantamentos epidemiológicos e decorre de exposição não rotineira a

um agente infeccioso, a uma diminuição das defesas naturais ou à doença de base do

paciente. Profilaxia, portanto, não se aplica a situações em que já existe uma doença

infecciosa instalada.

 

 

Para sucesso da quimioprofilaxia, algumas condições básicas devem ser observados os

seguintes aspectos:

-o antimicrobiano utilizado deve agir contra o(s) agente(s) responsável ou mais

freqüentemente responsável pelo tipo de infecção em questão, de forma a impedir ou abortar

a manifestação de doença;

-o risco de infecção deve ser significante, tanto em relação à sua incidência quanto à sua

gravidade;

-a segurança da utilização do antimicrobiano, com relação aos seus efeitos colaterais, deve

superar as complicações esperadas ou supostas da infecção;

-as concentrações teciduais do antimicrobiano devem ser adequadas no momento e durante

todo o período de risco.

 

Pode-se, portanto, estabelecer previamente quais as condições que são aptas para a

quimioprofilaxia e padronizar quais as drogas que devem ser empregadas. Mudanças podem

ocorrer, baseadas no avanço dos conhecimentos, em alterações na etiologia e na

susceptibilidade aos agentes antimicrobianos. A escolha do melhor esquema deve ser

amparada em trabalhos publicados e em dados fornecidos pelo laboratório de microbiologia

local.

 

Faz-se necessário pontuar que não há consenso em relação aos protocolos, com

diferenças de orientação entre diversas insttituições, devendo a escolha ser feita, sempre

que possível, após ampla discussão com os profissionais responsáveis pela sua indicação.

 

Antibioticoprofilaxia clínica

 

Serão listadas as principais situações e as drogas mais freqüentemente indicadas,

apesar de haver inúmeras dúvidas em relação à eficácia.

Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae tipo b, Corynebacterium diphtheriea e

Mycobacterium tuberculosis - a quimioprofilaxia contra estas bactérias é de grande

importância em saúde pública. Suas indicações deverão seguir as normas emanadas dos

serviços públicos de saúde.

Streptococcus do grupo A -Casos de erisipela ou celulite recorrentes, causadas por

Streptococcus pyogenes em pacientes com linfedema, podem ser prevenidos com o uso

mensal de penicilina benzatina.

 

 

Streptococcus do grupo B -Pode-se prevenir a colonização e a doença neonatal pelo S.

agalactiae através da administração no período intraparto de penicilina ou ampicilina à

mulher de risco aumentado de transmissão (trabalho de parto prematuro, ruptura prematura

de membrana, febre intraparto, multípara, ruptura de membrana maior que 18 horas) ou para

com colonização reconhecida.

Streptococcus ?-hemolítico do grupo A – Pacientes com história de febre reumática

apresentam maior risco de recorrência se desenvolverem infecção estreptocócica

sintomática ou assintomática, estando indicada profilaxia contínua.

Endocardite bacteriana - Em geral, recomenda-se a profilaxia para endocardite nas seguintes

situações: válvulas cardíacas prostéticas; endocardite bacteriana prévia, mesmo na ausência

de doença cardíaca; a maioria das malformações cardíacas congênitas; disfunção valvar

adquirida, reumática ou de outra etiologia, mesmo após cirurgia valvar; cardiomiopatia

hipertrófica; e prolapso de valva mitral com regurgitação valvular. A profilaxia está indicada

para aqueles procedimentos que causem bacteremia que mais freqüentemente determinem

endocardite (procedimentos odontológicos que causem sangramento gengival ou de mucosa,

incluindo limpeza; tonsilectomia e adenoidectomia; procedimentos ou cirurgias que envolvam

mucosa intestinal e respiratória; broncoscopia com broncoscópio rígido, entre outros).

Oftalmia neonatal -A oftalmia neonatal, freqüentemente causada por clamídea ou por

gonococo, acomete crianças nas primeiras 2 semanas de vida. O uso tópico de nitrato de

prata, tetraciclina ou eritromicina diminui a ocorrência de infecção pela N. gonorrheae, mas

altera pouco a infecção por clamídea.

 

Pergunta 3

Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):

( ) Os hospitais devem desenvolver políticas internas independentes para

quimioprofilaxia contra Neisseria meningitidis.

( ) A oftalmia neonatal é um problema do passado, não havendo vantagens atuais na

aplicação de colírios nos RN.

( ) Pacientes com endocardite prévia se beneficiam de antibioticoprofilaxia quando

submetidos a procedimentos que geram bacteremia.

 

 

 

Antibioticoprofilaxia cirúrgica

 

A antibioticoprofilaxia permanece sendo uma das principais responsáveis pelo uso

incorreto de antimicrobianos no hospital e a sua realização de forma discutida e padronizada

um dos pontos mais importantes do programa de controle de antibióticos.

 

A prevenção da infecção de sítio cirúrgico (ISC) é constituída por medidas muitas vezes

complexas e de difícil aplicação, envolvendo múltiplos profissionais, revisão de rotinas e

mudanças de atitude e comportamento. Por esta razão, uma simplificação, através de uma

abordagem farmacológica para prevenção de ISC é bastante atrativa. Entretanto, depositar

toda a responsabilidade da prevenção de infecções no uso de um fármaco, embora possa

ser uma conduta simples e prática para o cirurgião, pode se tornar um risco, caso as demais

atitudes de prevenção forem negligenciadas.

 

Para se obter um efeito benéfico com o emprego da antibioticoprofilaxia na prevenção

da ISC, alguns conceitos devem ser previamente estabelecidos:

Os princípios farmacodinâmicos e farmacocinéticos específicos das drogas devem ser

respeitados.

 

A indicação e a escolha de antimicrobianos deve ser baseada na literatura e em dados

laboratoriais locais.

 

A profilaxia visa a prevenção de ISC, não tendo eficácia comprovada na prevenção de

outras complicações infecciosas, como pneumonia, infecção do trato urinário e infecção de

cateteres.

 

Por ser de eficácia limitada, a profilaxia com antimicrobianos não substitui as demais

medidas de prevenção.

 

A eficácia ou ineficácia de um esquema profilático não é perceptível na prática diária.

Assim, torna-se necessária uma vigilância sistemática e a observação de grande número de

casos para se avaliar o real valor do esquema. Portanto, casos isolados de ISC ou mesmo

taxas elevadas de infecção não podem justificar o uso de profilaxia ou ser controladas com a

mesma, a não ser que tenha sido realizada uma avaliação metodologicamente rigorosa.

 

Princípios farmacodinâmicos e farmacocinéticos:

Início da profilaxia antimicrobiana:Um dos mais importantes princípios para a prescrição

de profilaxia antimicrobiana é o momento em que a primeira dose é indicada. A

 

 

contaminação da ferida operatória ocorre quando há exposição de órgãos e tecidos internos.

Portanto, é importante ressaltar que o antimicrobiano deve estar presente em concentrações

terapêuticas nos tecidos manipulados, no momento em que há exposição aos

microrganismos. Por décadas, os antibióticos utilizados para profilaxia eram administrados

na sala de recuperação anestésica e mantidos por períodos de 7 a 10 dias, prática que

infelizmente alguns médicos insistem em manter. De uma maneira prática, recomenda-se

que aplicação seja feita no momento da indução anestésica. A dose do antimicrobiano a ser

utilizada deve ser a habitual.

Repetição do antibiótico no intra-operatório: Um parâmetro importante é a concentração

tecidual do antimicrobiano. Durante a cirurgia, devido ao traumatismo, ocorrem diversas

alterações hemodinâmicas na região do sítio operatório. Por esta razão, o antimicrobiano

pode ainda estar presente no soro, mas não nos tecidos manipulados. Sugere-se a

administração de uma nova dose do antimicrobiano em períodos fixos ou em caso de perda

maciça de sangue.

Duração da profilaxia: Após o término da cirurgia, a contaminação do sítio operatório torna-

se rara, embora não impossível. Muitos sustentam a efetividade de dose única para a

profilaxia. Existem, entretanto, algumas exceções. Por exemplo, cirurgias nas quais baixos

inóculos bacterianos são suficientes para o desenvolvimento de ISC merecem administração

de antimicrobianos por um período total de 48 a 72 horas. É o caso do implante de próteses

de grande porte. A aderência de bactérias à superfície de materiais inertes, como próteses

ou shunts, é o ponto crítico para o desenvolvimento de infecção.

Critérios gerais para a escolha do antimicrobiano:A seleção de antibióticos para profilaxia

cirúrgica depende de sua eficácia e segurança. O antibiótico deve:

 

-ter apresentação parenteral;

-possuir mínima toxicidade;

-ter baixo custo;

-ser fraco indutor de resistência;

-possuir farmacocinética adequada;

-ser dotado de atividade contra a maior parte dos patógenos causadores de ISC na

instituição

-não ser usado no tratamento de infecções nosocomiais graves.

 

O benefício deve ser avaliado comparativamente aos danos possíveis de causar. Por

esta razão, drogas de baixa toxicidade como as cefalosporinas e as penicilinas são, muitas

vezes, as drogas de primeira escolha.

 

Critérios para indicação da profilaxia:No momento da confecção de rotinas para um

serviço ou instituição, revisão bibliográfica cuidadosa deve ser realizada. Há literatura

disponível indicando quais os principais critérios de utilização e adequação de profilaxia

cirúrgica.

 

Indicação baseada no potencial de contaminação: Tradicionalmente, a profilaxia tem

sido indicada de acordo com a classificação da ferida operatória. A principal indicação inclui

 

o grupo das cirurgias potencialmente contaminadas ou contaminadas. A profilaxia pode ser,

então, indicada nas seguintes condições:

-Risco de desenvolvimento de ISC é alto, como nas cirurgias de cólon.

-Risco de desenvolvimento de ISC é baixo, mas se a infecção ocorre, suas conseqüências

são potencialmente desastrosas. É o caso de implante de próteses e de cirurgia cardíaca.

Embora o risco de ISC seja baixo, o paciente tem uma grande propensão à infecção.

Os critérios para se determinar a propensão não estão bem definidos, embora possam ser

citados o diabetes descompensado, o uso prolongado de corticosteróides, a desnutrição ou

obesidade extremos.

 

Baseada na operação: Na impossibilidade da discussão da indicação da profilaxia em

todos os procedimentos, exemplificamos o uso de antibióticos no anexo 1.

 

Riscos da profilaxia

 

A administração de um antimicrobiano não é desprovida de riscos, embora muitos

cirurgiões desconheçam ou não levem em consideração estes potenciais danos. Os

prejuízos causados pelos antimicrobianos podem ser divididos em três tipos:

Prejuízos individuais: o paciente pode desenvolver reações adversas aos antimicrobianos,

as quais geralmente são dose-dependentes; no entanto, reações de hipersensibilidade

também podem ocorrer; há, ainda, possibilidade de mudança da microbiota normal do

paciente.

Prejuízos “ecológicos”: o uso de antimicrobianos pode estar associado a um aumento do

nível de resistência de toda a instituição, podendo haver transmissão de bactérias resistentes

para pacientes que não fizeram uso dos antibióticos.

 

 

Prejuízos institucionais: o uso de antibióticos profiláticos é oneroso e só será custo-eficaz

se utilizada alternativa barata por períodos curtos.

 

Pergunta 4

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso):

( ) O início da administração do quimioprofilaxia deve ocorrer no momento da indução

anestésica e a dose pode ser repetida a intervalos regulares, conforme padronização

do serviço.

( ) Em poucas situações há benefício da extensão da antibioticoprofilaxia por período

superior a 24 horas.

( ) Quanto maior for o espectro do antimicrobiano escolhido para profilaxia cirúrgica,

tanto menores serão as taxas de infecção de sítio cirúrgico.

 

 

Controle do uso de antimicrobianos

 

 

Os antimicrobianos constituem uma categoria única de medicamentos, pois afetam não

somente o paciente que faz uso, mas também, de maneira mais ampla, o ambiente

microbiológico, interferindo com a flora de outros pacientes e das pessoas que direta ou

indiretamente entram em contato. Um grande número de trabalhos documentam a relação

entre a emergência de resistência de bactérias e o uso de antimicrobianos. Os médicos, de

uma maneira geral, colocam o foco de atendimento no paciente individualmente, sem pesar

as conseqüências ecológicas, sobre outros pacientes, para o hospital, para a comunidade.

 

O aumento de resistência dos germes aos antimicrobianos e a maior prevalência destas

cepas no hospital, resultando em prolongamento na permanência, maior consumo de

antimicrobianos, aumento na morbidade, mortalidade e custo, tem acarretado um problema

para os médicos assistentes, para o pessoal de controle de infecção nosocomial e para os

administradores hospitalares. A presença de um número cada vez maior de pacientes com

diminuição de suas defesas, o uso de novos procedimentos invasivos e de instrumentação, o

reconhecimento de novos organismos responsáveis por infecção, são algumas das razões

para que os germes multirresistentes tornem-se cada vez mais importantes. O controle ou a

erradicação de germes resistentes após tornarem-se endêmicos pode ser bastante difícil.

 

O controle do uso de antimicrobianos, por tudo isso, não é uma opção, mas uma

necessidade de toda a comunidade que usufrui ou que trabalha nas instituições de saúde e

 

 

que não deveria permanecer restrita a estas, mas ser realizado em todos os locais,

impedindo ou limitando o consumo e uso incorreto e sem indicação, como a venda sem

prescrição, o uso para tratamento de infecções virais, a utilização de subdoses, a promoção

abusiva do produto por companhias inescrupulosas, impedindo a prescrição por médicos

ansiosos visando a “cobertura de todos os agentes possíveis”. Em poucas palavras, é

necessária educação.

 

Princípios do uso correto de antimicrobianos

 

O critério de uso correto de antimicrobianos nem sempre é fácil de ser estabelecido,

podendo sofrer grandes alterações em ambientes com realidades diferentes ou mesmo para

um mesmo lugar no decorrer do tempo.

 

Todo profissional deveria estabelecer uma conduta para o tratamento das situações

infecciosas mais freqüentes, se possível baseado no perfil de sensibilidade conhecido, com

alterações e ajustes regulares conforme seja notada alguma mudança. O clínico deveria

trabalhar de forma estreita com o laboratório de microbiologia, para a identificação dos

agentes etiológicos e escolha adequada da droga. As novas formulações devem ser

reservadas para situações específicas, nas quais se demonstre serem realmente superiores

às mais antigas e principalmente no tratamento de germes resistentes. A dose do

antimicrobiano deve ser ajustada à intensidade da infecção, à topografia da doença, ao peso

do paciente e às funções renal e hepática, evitando-se subdoses ou doses excessivas, que

facilitam resistência e aumentam chance de efeitos colaterais.

 

Desde que possível, deve-se escolher a droga com menor espectro de ação,

idealmente, que atue somente naquele tecido e contra aquele germe específico. A via de

administração deve ser a mais fácil, com preferência da oral sobre a parenteral. O tempo

de tratamento deverá ser determinado pela evolução clínica e laboratorial e pela

experiência com casos semelhantes. Deve-se escolher a preparação que apresentar, com os

mesmos resultados, o menor custo. Todo hospital deveria ter uma política de uso de

antimicrobianos, visando facilitar a prescrição, maior racionalidade do uso, assegurando

alguns agentes para o tratamento de infecções potencialmente fatais, diminuindo custos.

 

 

Métodos para o uso racional de antimicrobianos e sua política de implantação

 

Vários são os métodos possíveis de serem utilizados para alcançar um uso racional de

antimicrobianos, mas todos necessitam da participação de vários setores, com ações que

envolvem, além do serviço de controle de infecção hospitalar, o laboratório de microbiologia,

a farmácia hospitalar e a equipe de atendimento à saúde (Anexo 2). Muitas vezes, a melhor

proposta não é a utilização de um único método, mas sim o uso concomitante de mais de um

deles, sempre após uma ampla discussão com todos os profissionais envolvidos. O

programa deve apresentar uma continuidade e estar sempre sendo discutido e reformulado,

já que pode ocorrer uma perda de qualidade quando as medidas são relaxadas ou quando

há descontinuidade do programa.

 

Divulgação de taxas de resistência e sensibilidade dos microrganismos aos

antimicrobianos periodicamente: O serviço de controle de infecção hospitalar, em conjunto

com o laboratório de microbiologia, deve elaborar o perfil de sensibilidade dos germes da

instituição, separando, quando possível, aqueles responsáveis por infecções comunitárias

daqueles causadores de doença hospitalar. A ampla divulgação dos achados colabora para

uma melhor prescrição por parte do corpo clínico, pois permite uma melhor escolha, tanto no

uso terapêutico quanto no empírico. Os dados devem ser idealmente consolidados

periodicamente, sendo possível estabelecer um perfil da evolução da resistência,

comparando-se os diversos períodos verificados. O SCIH deve elaborar relatórios

simplificados com os germes mais freqüentes e os principais antimicrobianos testados e

estabelecer as melhores estratégias para a sua divulgação.

 

Formulário de prescrição de antibióticos com justificativa do seu emprego: Esta forma

de controle baseia-se na obrigatoriedade de preenchimento de um formulário pelo médico

quando da prescrição de um antimicrobiano. Os hospitais podem optar por incluir todos os

antimicrobianos ou apenas alguns deles (baseando-se em espectro, custos, tempo de

existência no mercado etc.) no seu formulário de prescrição.

 

Liberação de antimicrobiano pela farmácia somente após autorização por um membro

da CCIH: A farmácia hospitalar somente dispensa o antimicrobiano após análise do caso por

um médico membro da CCIH. Alguns hospitais optam pela elaboração de uma lista na qual

os antimicrobianos são classificados, quanto ao seu uso, em: liberados, controlados e

restritos, sendo estes dois últimos supervisionados diretamente pela CCIH. Resolução do

 

 

Conselho Federal de Medicina considera ética a liberação de antimicrobianos pela CCIH, em

hospitais que têm programa de uso racional de antimicrobianos.

 

Promover rodízio de antibióticos disponíveis no hospital: Esta forma de controle está

baseada em trabalhos, não amplamente aceitos, de que pode haver uma melhora da

sensibilidade de germes a alguns antimicrobianos se estes não forem utilizados durante um

determinado período.

 

Estabelecimento de um programa de utilização de antimicrobianos: Em conjunto com o

corpo clínico do hospital, a CCIH deve elaborar rotinas para uso terapêutico e profilático de

antimicrobianos, antecipando e padronizando a utilização destas drogas, pelo menos, para

as situações mais freqüentes. Deve-se divulgar amplamente a todas as equipes, antes de

iniciar o programa de controle. A padronização deve permanecer em local de fácil acesso

para consulta pelos profissionais, sempre que necessário. A forma escolhida para o controle,

sua execução e os resultados obtidos devem ser periodicamente avaliados e criticados, no

intuito de melhorar o programa. A padronização porém, uma vez instituída, deve permanecer

durante algum tempo sem sofrer alterações, ou com muito poucas mudanças. A intervalos

maiores, 2 ou 3 anos, em geral, deve-se realizar uma revisão completa da padronização

instituída.

 

Avaliação do consumo de antimicrobianos: Deve-se estudar da maneira mais ampla

possível as características de consumo na instituição, visando estabelecer as prioridades de

atuação. Os dados apurados servirão como padrão inicial para comparação posterior da

evolução do programa de controle de consumo de antimicrobianos na instituição.

 

Discussão com a gerência médica sobre a estratégia de implantação da padronização:

Um programa de controle de antimicrobianos somente poderá ter bons resultados se houver

um efetivo apoio da administração hospitalar, com clareza das propostas e cientes das

possibilidades de resultados esperados.

 

Avaliação do programa de uso correto de antimicrobianos

 

Como já previamente comentado, o programa deve ser periodicamente reavaliado, de

uma maneira mais ampla, não somente em relação a diminuição dos custos, mas também

em relação aos ganhos indiretos, como na susceptibilidade dos germes.

 

 

Pergunta 5

No Hospital Geral da Beira-Mar, o Diretor Clínico, Dr. Miguel, solicitou à CCIH que

trabalhasse sobre a redução de custos com uso de antimicrobianos, preservando o

bom relacionamento com o Corpo Clínico. Quais as estratégias que devem ser

adotadas na implantação deste plano de trabalho?

 

 

Anexo 1 – EXEMPLO DE PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Cardíaca Prótese valvar S. epidermidis Cefazolina Vancomicina Cefazolina (48 hs) Reforço intraoperatório a

Revascularização S. aureus 2,0 g 500 mg 1,0 g 8/8 hs cada 3 horas de cirurgia

Cardiotomia Corynebacterium 40,0 mg/kg 15 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 hs Discutível necessidade de

Implante: Enterobactérias Indicação: (cada 12 hs em reforço ao final da CEC

marca passo

desfibrilador

Observação:

não indicado em

alergia a

cefalosporinas

alta resistência

às

criançaa até 7 anos)

Vancomicina (24hs)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6 hs

cateterismo

cardíaco, exceto

em crianças

abaixo de 1 ano

cefalosporinas

associar a

cefazolina se

incisão inguinal

Torácica Lobectomia S. aureus Cefazolina Vancomicina Cefazolina (48 hs) Não indicado em inserção

Pneumectomia S. epidermidis 2 g 500 mg 1,0 g 8/8 hs de drenos torácicos

Estreptococos 40 mg/kg 15 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 hs Esquema terapêutico se

Enterobactérias Indicação: (cada 12 hs em empiema ou pneumonia

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

criançaa até 7 anos)

Vancomicina (24hs)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6 hs

Gastrointestinal Esofágica Enterobactérias Cefazolina Cefoxitina Cefazolina (48 hs) Indicação: obesidade

Gastrodoudenal Cocos Gram + 2,0 g 2,0 g 1,0 g 8/8 mórbida diminuição acidez

Gastrostomia 40,0 mg/kg 40,0 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 hs gástrica (obstrução,

endoscópica Indicação: (cada 12 hs em bloqueador H2, inibidor da

percutânea intestino delgado criançaa até 7 anos)

Cefoxitina (48 hs)

1,0 g 8/8 hs

20 mg/kg/dose 8/8 hs

bomba de prótons)

Hemorragia neoplasias

úlcera gástrica

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Gastrointestinal Trato biliar Enterobactérias Cefazolina Cefoxitina Cefazolina (48 hs) 1. Indicação:

Clostrídios

Enterococos

2,0 g

40,0 mg/kg

2,0 g

40,0 mg/kg

1,0 g 8/8

20 mg/kg/dose 8/8

idade > 70 anos

colecistite aguda

hs (cada 12 hs em cálculo em ducto

Observação: criançaa até 7 comum

Colangiopancreat

ografia

anos)

Cefoxitina (48 hs)

vesícula não

funcionante

retrógrada 1,0 g 8/8 hs icterícia obstrutiva

endoscópica 20 mg/kg/dose 8/8 Observação:

(ERCP) sem

obstrução:

hs com colangite,

utiliza-se esquema

Ciprofloxacina terapêutico:

1,0 g VO 2 horas ticarcilina

antes do clavulanato

procedimento 3,1 g EV 4/4 hs)

ampicilina

subactam

3,0 gr EV 4/4 hs

Coloretal Enterobactérias Eletivas: ( Dia Metronidazol Cefoxitina (48 hs) Utilizar esquema

Apendicite não Anaeróbios anterior) 500 mg 1,0 g 8/8 hs terapêutico:

perfurativa Enterococos Preparo 7,5 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 ruptura de vísceras

mecânico

Neomicina VO

1,0 g 3x dia

Eritromicina VO

Cefazolina

2,0 g

40,0 mg/kg

hs

Metronidazol (48

hs)

500 mg EV 8/8 hs

necrose

secreção purulenta

Obs: Ampliar

esquema para no

 

 

1,0 g 3x dia

Todas:

Cefoxitina

2,0 g

40,0 mg/kg

7,5 mg/kg/dose

12/12 hs

Cefazolina (48 hs)

1,0 g 8/8

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

mínimo 5 dias

Alternativas:

cefoxitina

metronidazol +

cefazolina

clindamicina +

aminoglicosídeo

ampliar cobertura

para enterococo

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Oftálmica Todas S. epidermidis Colírios: (2 hs Cefazolina Cefazolina (24 hs) Discutível a

S. aureus p’re a 24 hs pós) 2,0 g 1,0 g 8/8 necessidade de uso

Estreptococos Gentamicina 40,0 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 sistêmico

Enterobactérias OU ASSOCIAR AO hs (cada 12 hs em

Pseudomonas Tobramicina OU

Neomicina +

ESQUEMA

TÓPICO

criançaa até 7

anos)

Polimixina B

ASSOCIAR A:

Cefazolina

100mg

subconjuntival

(final do

procedimento)

Cabeça e Cavidade oral ou S. aureus Cefazolina Clindamicina Cefazolina (24 hs)

pescoço paranasal Estreptococo 2,0 g 600 mg 1,0 g 8/8

Anaeróbios orais 40,0 mg/kg 7,5 mg/kg

Gentamicina

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

80 mg criançaa até 7

 

 

2,0 mg/kg anos)

Clindamicina (24

ha)

600 mg 6/6 hs

7,5 mg/kg/dose 6/6

hs

Gentamicina (24

hs)

80 mg 8/8 hs

1,7 mg/kg/dose 8/8

hs

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Neurocirurgia Derivação

ventricular

S. aureus

S epidermidis

Enterobactérias

Vancomicina:

10mg intraventricular

Não indicado Dose única

Difteróides (raro)

P. acnes (raro)

Gentamicina:

3mg intraventricular

Craniotomia S. aureus Cefazolina Vancomicina Não indicado Dose única

S epidermidis 2 g

40 mg/kg

500 mg

15 mg/kg

Indicação:

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

Laminectomia S. aureus Cefazolina Vancomicina Não indicado Questionável, só

S. epidermidis

Bacilos Gram

negativos

2 g

40 mg/kg

500 mg

15 mg/kg

Indicação:

alergia ou alta

resistência às

indicado para

implantes de

próteses,

artrodeses e

cirurgia com tempo

 

 

cefalosporinasl prolongado (acima

de 2 horas)

Cirurgia trans S. pneumoniae Cefazolina Clindamicina Cefazolina (24 hs) Cefuroxima

esfenoidal (via H. influenzae 2,0 g 900 mg 1,0 g 8/8 1,5 gr EV

nasofaríngea ou Anaeróbios 40,0 mg/kg 7,5 mg/kg20 mg/kg/dose 8/8 40 mg/kg

sinusal) S. aureus OU hs (cada 12 hs em ASSOCIADO A

M. catharralis Amoxa/clavulanat criançaa até 7 Metronidazol

Viroses o anos) 500 mg

1,2 gr EV

20 mg/kg

OU

Clindamicina (24

ha)

600 mg 6/6 hs

7,5 mg/kg

PÓS

OPERATÓRIO

Vide comentários 7,5 mg/kg/dose 6/6 Cefuroxima (24 hs)

hs 1,5 gr EV

Amoxa/clavulanato 40 mg/kg/ dose

(24 hs) 12/12 hs

500 mg 8/8 hs ASSOCIADO A

10 mg/kg/dose 8/8 Metronidazol (24

hs hs)

500 mg

10 mg/kg/dose

8/8 hs

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Ortopedia Artroplastia de

quadril

Fusão espinal

S. aureus

S. epidermidis

Cefazolina

2 g

40 mg/kg

Vancomicina

500 mg

15 mg/kg

Indicação:

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

Cefazolina (48 hs)

1,0 g 8/8 hs

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

Vancomicina

(24hs)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6

hs

Dicutível a

indicação em

artroscopia

Próteses com

cimento

impregnado com

gentamicina em

fusão espinal

Prótese total de S. aureus Cefazolina Vancomicina Cefazolina (48 hs)

articulação S. epidermidis 2 g

40 mg/kg

500 mg

15 mg/kg

Indicação:

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

1,0 g 8/8 hs

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

Vancomicina

(24hs)

 

 

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6

hs

Fratura exposta

Tipo I

S. aureus

S. epidermidis

Enterobactérias

Pseudomonas

Cefazolina

2 g

40 mg/kg

Vancomicina

500 mg

15 mg/kg

Indicação:

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

Cefazolina (10 d)

1,0 g 8/8 hs

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

Vancomicina (10

d)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6

hs

Esquema

terapêutico

Fratura exposta S. aureus Clindamicina Clindamicina (14 Esquema

Tipos II e III S. epidermidis

Enterobactérias

Pseudomonas

600 mg

7,5 mg/kg

Amicacina

500 mg

7,5 mg/kg

d)

600 mg 6/6 hs

40 mg/kg /dia

6/6 hs

Amicacina (14 d)

terapêutico

 

 

500 mg 12/12 hs

15 mg/kg/dia 12/12

hs

Fraturas S. aureus Ceftriaxona Lancet 347:1133,

fechadas S. epidermidis 2,0 gr EV 1996

100 mg/kg

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Ginecoobstetrícia

Histerectomia Enterobactérias

Anaeróbios

Estrepto grupo B

Enterococo

Cefazolina

2,0 g

40,0 mg/kg

Cefoxitina

2,0 g

40,0 mg/kg

Cefazolina (48 hs)

1,0 g 8/8

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

Cefoxitina (48 hs)

1,0 g 8/8 hs

20 mg/kg/dose 8/8

hs

Cesarianas Enterobactérias

Anaeróbios

Estrepto grupo B

Enterococo

Cefazolina

2,0 g

Clampeamento

de cordão

Cefazolina (48 hs)

1,0 g 8/8

Indicação:

trabalho parto

rutura prematura de

membrana

emergência

Aborto

complicado

primeiro trimestre

Enterobactérias

Anaeróbios

Estrepto grupo B

Doxiclina

100 mg (pré)

200 mg (30

Penicilina G

2 milhões U (30

min pré)

Indicação:

Doença inflamatória

pélvica

 

 

Enterococo minutos após) 2 milhões U (3 hs Parceiros múltiplos

após) DST anterior

Aborto Enterobactérias Cefazolina Cefazolina (48 hs)

complicado Anaeróbios 2,0 g 1,0 g 8/8

segundo Estrepto grupo B

trimestre Enterococo

Vascular Arta abdominal

Incisão de virilha

S. aureus

S. epidermidis

Cefazolina

2 g

Vancomicina

500 mg

Cefazolina (48 hs)

1,0 g 8/8 hs

Enterobactérias 40 mg/kg 15 mg/kg

Indicação:

20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

alergia ou alta

resistência às

criançaa até 7

anos)

cefalosporinasl Vancomicina

(24hs)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6

hs

Amputação de S. aureus Cefazolina Vancomicina Cefazolina (48 hs) Anaeróbios: discutir

extremidades S. epidermidis 2 g 500 mg 1,0 g 8/8 hs associação

inferiores por Enterobactérias 40 mg/kg 15 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8 Clindamicina (intra)

 

 

isquemia Clostrídeo Indicação:

alergia ou alta

resistência às

cefalosporinasl

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

anos)

Vancomicina

(24hs)

500 mg 6/6

15 mg/kg/dose 6/6

hs

600 mg

7,5 mg/kg

Clindamicina (48 hs)

600 mg 6/6 hs

7,5 mg/kg/dose 6/6

hs

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Cirurgia Rotura de Enterobactérias Gentamicina Cefoxitina Gentamicina (5 d) Discutir ampliação

contaminada vísceras Anaeróbios 80 mg 2,0 g 80 mg 8/8 hs da cobertura para

Enterococo 2,0 mg/kg 40,0 mg/kg 1,7 mg/kg/dose 8/8 enterococo

ASSOCIADO A OU hs (ampicilina)

ALTERNATIVAS Clindamicina

600 mg

Cefoxitina (5 d)

2,0 g 8/8 hs

7,5 mg/kg 40 mg/kg/dose 8/8

hs

Clindamicina (5 d)

600 mg 6/6 hs

40 mg/kg /dia

6/6 hs

Ferida traumática S. aureus

Estreptococo

Cefazolina

2 g

Ceftriaxona

2,0 gr EV

Cefazolina (5 d)

1,0 g 8/8 hs

grupo A

Clostrídeo

40 mg/kg 100 mg/kg 20 mg/kg/dose 8/8

hs (cada 12 hs em

criançaa até 7

 

 

anos)

Ceftriaxona (5 d)

2,0 g/ dia

50 mg/kg/dia

Mordedura Anaeróbios orais

Eikinella

corrodens

Pasteurella

multocida

Amoxa/clavulanat

o

1,2 gr EV

20 mg/kg

Amp./subactan

2,0 gr EV

30 mg/kg (amp)

Amoxa/clavulanato

(24 hs)

500 mg 8/8 hs

10 mg/kg/dose 8/8

hs

Amp./subactan

(24 hs)

2,0 gr cada 8 hs

100 mg/kg /dia

(amp) 8/8 hs

 

 

PADRONIZAÇÃO DE ANTIBIOTICOPROFILAXIA CIRÚRGICA

 

 

Topografia Cirurgia Patógenos Escolha (1) Alternativa (1) Pós operatório (2) Comentários (3)

Gênito-urinário Prótese peniana Enterobactérias

Enterococo

Cefazolina

2,0 gr EV

Gentamicina

Apenas na indução

anestésica

80 mg EV

Biópsia de Enterobactérias Cipro Outras Cipro

próstata Enterococo 500 mg VO 12 quinolonas 500 mg VO 12

transretal horas antes da horas após a

biópsia biópsia

Outras cirurgias Enterobactérias De acordo com Sempre colher urina

urológicas : Enterococo resultado de I e urocultura antes

Candida urina I e da cirurgia e seguir

Urocultura Microrganismo Antibiograma Antibiograma Esquema Esquema

positiva isolado terapêutico terapêutico, se

possível, prévio à

cirurgia

 

 

Sedimento

normal, sem

sonda prévia

e urocultura

negatica ou não

disponível

Não indicado Não indicado Se receber

resultado de

urocultura positiva,

ver esquema

correspondente

Sedimento

normal com

sonda prévia e

urocultura

negatica ou não

disponível

Cefazolina

1,0 gr EV

Ciprofloxacina

200 mg EV

Cefazolina (48 hs)

1 g EV 8/8 hs

ou

Ciprofloxacina (48

hs)

200 mg EV 12/12

hs

250 mg VO 12/12

hs

Se receber

resultado de

urocultura positiva,

ver esquema

correspondente

 

 

Sedimento

alterado e

urocultura

negativa ou não

disponível

Ciprofloxacina

200 mg EV

Ceftriaxona

1,0 g EV

Ciprofloxacina (48

hs)

200 mg EV 12/12

hs

250 mg VO 12/12

hs

ou

Ceftriaxona (48 hs)

1,0 g EV 12/12 hs

Se receber

resultado de

urocultura positiva,

ver esquema

correspondente

 

 

Anexo 2 : Ações desenvolvidas pelos setores visando a utilização racional de

antimicrobianos

 

Padronizações

Nacional

Internacional

Sociedade especial

Laboratório de microbiologia

Aumentar a capacitação do laboratório

Cuidadosa escolha dos antibióticos utilizados nos testes de sensibilidade

Divulgação dos resultados do perfil de sensibilidade

Análise de mudanças na sensibilidade e investigação de germes

multirresistentes

Farmácia

Seleção dos agentes do formulário

Eliminação de agentes redundantes

Avaliação de dados de custo comparativo (agente, preparação,

administração, reação adversa)

Análise da tendência de uso de antimicrobianos por serviço

Auditoria de antimicrobianos

Seleção de agentes para uso restrito (necessitando de aprovação pelo

serviço de doenças infecciosas)

Revisão sistemática do uso de antimicrobianos

Serviço de Controle de Infecção Hospitalar

Implementar política de uso de antimicrobianos

Otimizar o uso de antimicrobianos

Selecionar agentes para utilização

Educação dos profissionais no uso de agentes antimicrobianos

Equipe de atendimento

Participação na elaboração e modificações de padronização de uso de

antimicrobianos

 

 

Caderno de Respostas D1

 

 

Antimicrobianos e o Controle de Infecção

 

 

 

Pergunta 1:

 

Os principais efeitos edversos relacionados ao uso de antimicrobianos são os de efeito

irritativo [para o trato gastrintestinais (TGI), para o músculo ou para a veia], de efeito

alérgico (precoces ou tardios) e os de natureza tóxica (nefro, oto, hepato, neuro ou

hematotoxicidades).

Os antibióticos administrados por via oral estarão mais relacionados a efeitos colaterais

sobre TGI, cujas manifestações clínicas incluirão náuseas, vômitos, diarréia, entre outros.

Raramente se observa, por exemplo, reações tipo anafilaxia com emprego de

antimicrobianos por via oral. Já com a administração de medicações intravenosas,

verifica-se uma maior incidência de flebites (químicas, mecânicas ou infecciosas) e há a

possibilidade de reações alérgicas do tipo imediato (p.e., choque anafilático).

 

Pergunta 2:

 

São eles:

através da introdução, por pacientes, por profissionais ou por produtos comerciais

contaminados, de alguns organismos resistentes, procedentes da comunidade ou de

outra instituição;

através da aquisição de resistência por mutação genética por cepas previamente

susceptíveis;

através da aquisição de resistência por material genético transferível;

através da emergência de resistência induzível já presente em algumas cepas na

população;

através da seleção de subpopulações resistentes;

através da disseminação de organismos inerentemente resistentes.

 

 

Pergunta 3

 

Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):

 

(F) Os hospitais devem desenvolver políticas internas independentes para quimioprofilaxia

contra Neisseria meningitidis.

(F) A oftalmia neonatal é um problema do passado, não havendo vantagens atuais na

aplicação de colírios nos RN.

(V) Pacientes com endocardite prévia se beneficiam de antibioticoprofilaxia quando

submetidos a procedimentos que geram bacteremia.

 

Pergunta 4

 

(V) O início da administração do quimioprofilaxia deve ocorrer no momento da indução

anestésica e a dose pode ser repetida a intervalos regulares, conforme padronização do

serviço.

(V) Em poucas situações há benefício da extensão da antibioticoprofilaxia por período

superior a 24 horas.

(F) Quanto maior for o espectro do antimicrobiano escolhido para profilaxia cirúrgica, tanto

menores serão as taxas de infecção de sítio cirúrgico.

Pergunta 5

 

Resposta aberta. O monitor deverá estimular o treinando a montar um programa, de

acordo com as realidades locais, que aborde necessaria, porém, não exclusivamente, os

seguintes pontos: citação da resolução do Conselho Federal de Medicina, discussão da

conveniência de se iniciar o programa abrangendo a normatização de quimioprofilaxia

cirúrgica, necessidade de contatos com as equipes clínicas e cirúrgicas para elaboração

das normatizações e avaliação periódica do programa quanto a custos e eficácia.

 

 

Caderno D2

 

 

Laboratório de Microbiologia

 

 

 

A - A IMPORTÂNCIA DO LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

 

O laboratório de microbiologia é considerado suporte fundamental para importantes

ações de controle de infecção hospitalar. Na prática diária de um hospital é impossível

imaginar que o corpo clínico possa dispensar o diagnóstico microbiológico, o respaldo do

antibiograma, bem como a CCIH atuar sem as informações do Laboratório de

Microbiologia. Por outro lado, o que adianta contar com recursos de automação para

agilizar o resultado microbiológico, se não são observadas normas padronizadas de

coleta, podendo-se isolar ou valorizar agentes considerados contaminantes? Um

antibiograma realizado sem controle de qualidade pode ser pior que o uso empírico de

antimicrobianos. Um simples exame bacterioscópico realizado por técnico experiente

pode ser de grande valia para orientar uma conduta terapêutica.

 

Não é possível determinar o diagnóstico etiológico de um processo infeccioso sem

contar com o recurso do Laboratório de Microbiologia.

 

Não é possível fazer uma terapêutica racional sem o antibiograma confiável.

 

É difícil fazer uma mudança de antibiótico sem conhecer o agente (pode ser Gram

positivo, negativo, fungo, etc.) e sem seu padrão de resistência.

 

Uma CCIH ou SCIH não consegue fazer um efetivo controle do uso de

antimicrobianos sem contar com um banco de dados de resistência bacteriana.

 

Sem a participação do Laboratório de Microbiologia não é possível fazer Vigilância

Epidemiológica das infecções hospitalares.

 

Não se pode imaginar uma investigação epidemiológica de surto de infecção

hospitalar sem contar com o Laboratório de Microbiologia na investigação de fontes

potenciais, na revisão de resultados de cultura de pacientes infectados e colonizados, etc.

 

B. RECURSOS PARA O LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

Inicialmente os equipamentos necessários são apenas uma estufa, autoclave,

microscópio, geladeira, bico de Bunsen e um microbiologista.

Automação: equipamentos de automação não são fundamentais, mas podem oferecer

vantagens como:

 

1.-agilidade,

 

2.-realização de exames em grande escala,

 

3.-padronização de reagentes,

 

4.-padronização do antibiograma

 

 

5.-determinação de biotipos pelo emprego de uma série grande de testes

 

6.-conexão com programas de controle de resistência bacteriana, controle de

infecção hospitalar, etc.,

 

Podem apresentar desvantagens:

 

-custo significativo de implantação,

-dependência de kits e reagentes,

-exigem preparo do pessoal na análise e interpretação dos resultados pois existem

deficiências a nível de identificação e do teste de susceptibilidade a algumas bactérias.

-não elimina passos fundamentais como adequada seleção do material a ser colhido,

transporte e conservação , bem como isolamento prévio empregando as técnicas

tradicionais, antes de se colocar a suspensão bacteriana no equipamento.

Pergunta 1. A automação no laboratório de microbiologia é fundamental?

Justifique.

 

C. ATIVIDADES BÁSICAS DO LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA

1- Normas de colheita, conservação e transporte.

 

Estas normas são fundamentais para respaldar a credibilidade do Laboratório, pois

falhas numa destas etapas certamente irão comprometer o resultado final, com

isolamento de contaminantes, perda do agente etiológico, antibiograma que poderá

indicar conduta terapêutica errada, serviço inútil, etc.

Erros comuns:

 

-colheita de secreção purulenta em ferimentos - colheita com swab da superfície, quando

o ideal é remover a secreção superficial lavando com soro fisiológico e colher material em

profundidade.

-urina com isolamento de dois ou mais bactérias, evidenciando falhas na técnica de antisepsia.

 

-hemoculturas que revelam a presença de contaminantes por falha na técnica de colheita.

-culturas de líquor sem isolamento de agente etiológico com evidência de bactéria no

Gram , cuja falha poderá (entre outros) ser falha de transporte ou conservação, ou meio

de cultura inadequado.

-envio de swabs diversos para cultura de anaeróbios, quando estes devem ser colhidos

em meio de transporte.

-conservar líquor na geladeira,

-materiais não colhidos em meio de transporte e que permanecem o final de semana na

geladeira ou estufa.

 

 

2 - Fazer e interpretar uma coloração de Gram

 

É considerado um recurso básico e fundamental em microbiologia (orientação de

meningites, diagnóstico presuntivo da gonorréia, informação primária em hemoculturas

positivas, etc.) uma coloração de Ziehl-Neelsen para micobactérias (tuberculose, lepra e

micobacterioses), coloração de Albert Laybourn ou similar para diagnóstico presuntivo da

difteria .

 

3 - Cultivar e identificar os principais fungos de importância médica.

 

4 -Além da coloração de Ziehl para investigação de micobactérias e Nocardia, deve

pelo menos dispor de meios para cultivar a M. tuberculosis e outras micobactérias

para posteriormente encaminhar para laboratórios especializados

 

5-Testes de susceptibilidade aos antimicrobianos .

 

O antibiograma utilizando discos de papel impregnados com antibióticos (método de

Kirby-Bauer) é considerada a técnica padrão por ser rápida e reprodutível, desde que se

faça o controle de qualidade testando bactérias padronizadas (cepas padrão), para as

quais existe uma tabela de resultados esperados.

 

A técnica do E-test (AB Biodisk Sweden) vem sendo considerada padrão para

determinação da concentração inibitória mínima (CIM) de várias bactérias aeróbias e

anaeróbias e com aplicação também para fungos leveduriformes. Pela facilidade técnica e

de padronização é um teste a ser considerado para situações que seja necessário a

determinação da CIM (p.ex. para o pneumococo resistente à penicilina).

 

 

Pergunta 2. Na sua opinião, quais as atividades mais importantes do laboratório?

 

D. EXAME MICROSCÓPICO

É indicado para todos os materiais enviados para cultura, exceto para hemocultura e

raramente para fezes e urina.

 

Pode revelar o agente rapidamente:

 

-se é bactéria, fungo, protozoário

-se é Gram positivo, negativo, coco, bacilo, etc.

Pode identificar presuntivamente o fungo (P. brasiliensis, H. capsulatum,

Cryptococcus, Candida), bactérias em líquidos nobres (meningococo, pneumococo),

Trichomonas vaginalis, etc.

 

Principais tipos de exame microscópico:

 

-exame a fresco (fungos)

-pesquisa direta em campo escuro (treponema e leptospira)

-coloração de Gram (bacterias e fungos em geral )

-coloração de Ziehl Neelsen (micobactérias)

-coloração de Albert-Layburn (corynebacterias/difteria)

-Giemsa/Grocott ou Azul de toluidina O (fungos [P. carinii, P. brasiliensis, Cryptococcus] e

protozoários

Principais materiais:

 

Aspirados/punções em geral, abscessos, aspirado de cavidade abdominal, gânglios,

intra-ocular, líquidos articular, amniótico, ascítico, diálise, LCR, pleural, pericárdico, swab

de mucosas, etc.

 

 

Como fazer um esfregaço para GRAM?:

 

-Colher swab quando não for possível biópsia, punção, etc.

-Usar swab umedecido em salina estéril, removendo secreção superficial e colhendo da

região cruenta.

-Usar lâmina nova e desengordurada.

-Rolar o swab sobre a superfície da lâmina, distribuindo o material no centro da lâmina.

-Não esfregar o swab pois irá destruir a morfologia celular.

-Fixar no ar ou rapidamente em uma chama.

Pergunta 3. O exame microscópico é um importante recurso microbiológico. Cite

alguns pontos positivos do método e suas limitações.

 

E. COLETA E INTERPRETAÇÃO DE CULTURAS:

E1. HEMOCULTURAS :

 

colher antes da antibioticoterapia

colher na ascensão do pico febril ou durante.

Coletar o máximo volume permitido para cada frasco, cada ml a mais representa cerca

de 3% de chance de isolamento.

 

 

Recomenda-se colher entre 2 e 3 amostras de sangue para aumentar a

positividade e facilitar a interpretação dos resultados.

No caso de sepsis, pneumonia, meningite, paciente neutropênico, colher em seguida 2 a

3 hemoculturas, em 2 locais diferentes e iniciar antibioticoterapia.

Não é recomendada a técnica de coleta através de cateteres para diagnóstico de infecção

sistêmica.

Os métodos automatizados costumam revelar as amostras positivas em 70 a 80% dos

casos nas primeiras 24 horas.

colher hemocultura em frasco anaeróbio quando houver suspeita de infecção envolvendo

trato digestivo, infecção uterina/ pélvica.

 

 

Staphylococcus epidermidis e outros coagulase-negativos

para uma amostra colhida e positiva: em apenas 15% dos casos representa infecção.

quando há clinica de bacteremia a positividade nas duas amostras é de pelo menos 66%.

 

 

Reimer, LG & cols. Update on detection of bacteremia and fungemia. Clin Microbiol Rev

1997, 10:445-65.

 

 

E2. PONTA DE CATETER INTRAVASCULAR CENTRAL

 

Cateteres intravenosos são importantes fontes de:

bacteremia

 

fungemia,

complicações infecciosas no local da inserção.

 

Secreções do local de inserção e partes do cateter podem ser cultivados:

Cultura semi-quantitativa (Método de Maki): A cultura semi-quantitativa (Método de

Maki) da ponta de cateter é o método mais utilizado para determinar a relação entre

colonização do cateter e infecção. Esse exame é feito rolando os 5 cm finais do cateter

sobre uma placa de ágar-sangue.

Interpretação: A presença de um número maior ou igual a 15 colônias de um único tipo

de microorganismo sugere que a ponta de cateter pode ser fonte de infecção (critério de

Maki). Com uma contagem menor, o cateter tem baixa probabilidade de ser fonte de

infecção.

Siegman-Ygra & cols. Diagnosis of vascular catheter-related bloodstream infection: a

meta-analysis. J Clin Microbiol 1997, 35:928-36

 

E3. BOLSA DE SANGUE/ALIMENTAÇÃO PARENTERAL/SOROS

 

Quando houver suspeita de contaminação de bolsas de sangue, concentrado de

plaquetas ou hemoderivados ou qualquer fluido de uso parenteral através de cateter

proceder da seguinte forma:

 

Remover todo o conjunto (frasco/bolsa + equipo de infusão, de maneira asséptica).

Anotar lote, conteúdo e outras informações que identifiquem o produto, fonte, etc.

 

Observar macroscopicamente o conteúdo, fazendo anotações quando detectadas.

Comunicar a CCIH sobre o ocorrido, para providências, caso necessário.

Encaminhar o conjunto o mais rápido possível ao Laboratório de Microbiologia.

 

 

Fazer pedido de exame microbiológico e informar

se paciente apresentou alguma manifestação clínica relacionada à infusão do material em

investigação.

se paciente faz uso de cateter, qual tipo e suas condições (sinais de infecção?)

 

 

E4.TRATO RESPIRATÓRIO

 

Pacientes internados com pneumonia -colher pelo menos duas amostras de

hemocultura antes do início da antibioticoterapia, de preferência de locais diferentes.

Escarro não é considerado adequado para avaliação microbiológica do trato respiratório,

exceto para Tuberculose.

Lavado broncoalveolar e cultura quantitativa estão indicados em: pneumonias

graves, que necessitam suporte ventilatório, de evolução rápida , em

imunocomprometidos ou quando há falha da terapêutica empírica. Para a cultura

quantitativa, considerando-se a diluição inicial de 100ml de salina introduzidas durante a

coleta, a contagem final é significativa quando forem encontradas ³10.000 bactérias por

ml.

 

 

Infiltrado pulmonar focal e refratário aos antimicrobianos em imunocomprometidos,

considerar a possibilidade de: Tuberculose, outras micobacterioses, P. carinii, fungos,

vírus herpes simplex , Citomegalovírus, helmintos, etc.

A cultura de secreção traqueal (aspirado traqueal) pode apenas revelar colonização,

sendo difícil a interpretação.

 

 

E5. UROCULTURA

 

Cuidados na coleta de urina:

A coleta de amostras das mulheres deve ser supervisionada pessoalmente por uma

enfermeira ou auxiliar treinada.

No caso de objeção por parte da paciente, alertar quanto as conseqüências de uma má

coleta (necessidade de retornar para nova amostra, dificuldade do médico interpretar, ou

mesmo interpretação errada, etc.)

médico deverá informar no pedido:

idade, sexo, uso de antimicrobianos, suspeita clínica (cistite, pielonefrite, controle pós-

tratamento, etc.)

internado ou ambulatorial,

 

 

 

gravidez, corrimento vaginal, pós-operatório de trato urinário, imunossupressão,

granulocitopenia, oligúria ou IRC, etc.

urina obtida de jato expontâneo, sonda, punção supra-púbica,

qualquer informação que julgar importante para interpretação.

 

 

processamento laboratorial deve ser feito dentro de 20 minutos ou, se não for possível, as

amostras deverão ser conservadas a temperatura de 4ºC (geladeira), até o momento da

semeadura.

 

 

Coleta de urina para pacientes que não tem controle da micção –

 

como no caso das crianças, fazer uso de saco coletor, masculino ou feminino. Deve-se

fazer higienização prévia do períneo, coxas e nádegas com água e sabão neutro. Caso

não haja micção, o saco coletor deve ser trocado a cada 30 minutos, repetindo-se a

higienização da área períneal e genital.

Para pacientes cateterizados com sistema de drenagem fechada, pode-se colher a urina

clampeando-se o cateter e puncionando-o na proximidade da junção com o tubo de

drenagem. Não se deve colher a urina da bolsa coletora.

 

Parâmetros considerados na interpretação de uma urocultura:

 

Contagem total de colônias (UFC/ml)

Metodologia deve considerar semeadura com 1 ou 10 microlitros

Número de agentes encontrados e sua contagem

Tipo de bactérias (Gram+ ou --) ou fungos

Contagem de leucócitos e hemácias

Presença de sintomas ou outras informações relevantes(gravidez, cirurgia urológica,

insuficiência renal crônica, uso de sonda vesical, uso de antibióticos, etc.

 

 

CONTAGEM RELEVANTE DADOS

 

³ 102 ufc/ml de coliformes mulheres sintomáticas

³ 105 ufc/ml de não coliformes mulheres sintomáticas

³ 103 ufc/ml de coliformes ou não homens sintomáticos

³ 102 ufc/ml de coliformes ou não pacientes cateterizados sintomáticos

³ 105 ufc/ml de coliformes ou não bacteriúria assintomática

Pergunta 4. Quais são os principais fatores que interferem na positividade das

hemoculturas?

 

Pergunta 5. Qual o significado clínico de cultura da ponta de cateter venoso central

(pela técnica de Maki) com isolamento de 30 unidades formadoras de colônia de S.

aureus ?

 

 

Pergunta 6. Em que situação valoriza-se com certeza, o resultado de cultura de

escarro ou secreção traqueal como agente etiológico de infecção pulmonar?

 

Pergunta 7. Um paciente com pneumonia hospitalar sob ventilação mecânica,

começa tratamento antimicrobiano empírico. Evolui ao longo dos próximos 3 dias,

com redução da febre e melhora dos parâmetros ventilatórios. Neste momento, é

colhida uma cultura de secreção traqueal que revela Pseudomonas aeruginosa

resistente ao tratamento em uso. Como você interpreta este resultado? Você

modificaria o tratamento?

 

Pergunta 8. Uma mulher assintomática colhe urina para "check-up". O resultado

revela uma contagem de 104 ufc/ml com E. coli e Staphylococcus spp. O sedimento

urinário apresenta leucócitos aumentados. Quais interpretações podem ser dadas

para estes achados?

 

F. O ANTIBIOGRAMA:

O controle de qualidade em análises clínicas é fundamental para garantia da

credibilidade dos exames realizados, envolvendo controle dos equipamentos, reagentes e

procedimentos. Em microbiologia é necessário controlar diariamente a temperatura das

estufas, geladeiras, usar cepas padrão para controlar meios de cultura, discos de

sensibilidade, testes e provas bioquímicas, corantes, etc.

 

 

Um dos exemplos, que o órgão norte-americano normalizador de técnicas

laboratoriais (NCCLS) recomenda, é testar drogas para as quais existe correlação de

atividade in vitro e in vivo pela técnica de antibiograma de Kirby-Bauer:

para estafilococos:

oxacilina, penicilina, vancomicina, eritromicina, clindamicina, sulfatrim, cloranfenicol,

ciprofloxacina ou ofloxacina ou levofloxacina, gentamicina, rifampicina, tetraciclina e

nitrofurantoina(urina).

O meio de cultura deve ser Mueller-Hinton, a temperatura 35oC durante 16-18 horas e 24

horas para oxacilina e vancomicina.

para enterococos:

penicilina ou ampicilina e vancomicina.

cefalosporinas, aminoglicosídeos, clindamicina e sulfatrim podem ter atividade in vitro mas

não são agem clinicamente.

para infecções graves com sepsis, meningite, etc, a atividade sinérgica de

aminoglicosídeos é verificada testando discos com 120 mcg de gentamicina ou 300 mcg

de estreptomicina.

cepas isoladas na urina podem ser testadas para quinolonas, nitrofurantoina e tetraciclina

meio Mueller-Hinton, a temperatura de incubação é 35oC por 16 a 18 horas e para

vancomicina 24 horas.

para pneumococos:

testar a atividade da penicilina com discos de 1mcg de oxacilina. Cepas Penicilina-

sensíveis apresentam halo>=20mm.

cepas com halo

de referencia pela técnica da concentração inibitória mínima (CIM).

outras drogas padronizadas: eritromicina, sulfatrim, ofloxacina ou novas quinolonas,

tetraciclina, cloranfenicol e vancomicina.

 

o meio de cultura deve ser agar Mueller-Hinton sangue, a temperatura de 35oC durante

20 a 24 horas em 5% de CO2.

NCCLS- M100-S10 - Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing,

January 2000.

 

Pergunta 9. Observe os antibiogramas abaixo e assinale aqueles que são

compatíveis

e aqueles que apresentam incoerências inaceitáveis:

 

9a. Staphylococcus aureus

penicilina =sensível __________________________________________

oxacilina =resistente __________________________________________

ceftriaxona =sensível _________________________________________

imipenem=sensível ___________________________________________

vancomicina=sensível _________________________________________

 

 

9b. Escherichia coli

ampicilina resistente _________________________________________

cefalotina =resistente _________________________________________

ampicilina/sulbactam=sensível __________________________________

cefoxitina=sensível ___________________________________________

ceftriaxona=resistente _________________________________________

ceftazidima=resistente _________________________________________

cefotaxima=sensível ___________________________________________

aztreonam=resistente __________________________________________

imipenem=sensível ____________________________________________

 

 

9c. Enterobacter cloacae

ampicilina=resistente ___________________________________________

cefalotina=resistente ___________________________________________

amicacina=resistente ___________________________________________

cefoxitina=resistente ___________________________________________

ceftriaxona=sensível ___________________________________________

ceftazidima= resistente _________________________________________

cefotaxima=resistente __________________________________________

imipenem=sensível _____________________________________________

 

 

 

9d. Enterococcus faecalis

penicilina =resistente _____________________________________________

ampicilina=sensível _______________________________________________

sulfametoxazol/trimetoprim= sensível ________________________________

cefalotina= sensível _______________________________________________

ceftriaxone=sensível ______________________________________________

vancomicina=sensível _____________________________________________

teicoplanina=resistente ____________________________________________

 

 

9e. Streptococcus pneumoniae

penicilina= sensível ________________________________________________

oxacilina=resistente ________________________________________________

cefalotina=sensível _________________________________________________

vancomicina=sensível ___________________________________________

 

 

Pergunta 10. Os antibiogramas abaixo sugerem quais bactérias:

 

10 a. Coco-bacilo Gram negativo, isolado em cateter: ________________________

cefoxitina=resistente

cefriaxona =resistente

ceftazidima=sensível

aztreonam=resistente

ampicilina/sulbactam=sensível

imipenem=sensível

 

10 b. Bacilo Gram negativo não fermentador isolado em BAL de paciente

da UTI: _____________________________________________________________

sulfametoxazol/trimetoprim=sensível cefoxitina=resistente

cloranfenicol=sensível ceftriaxona=resistente

cefalotina=resistente ceftazidima=sensível

 

imipenem=resistente

 

 

A MICROBIOLOGIA NA INVESTIGAÇÃO DE SURTOS

 

Uma boa investigação epidemiológica de surtos de infecção hospitalar envolve

 

informações básicas como:

a.- distribuição dos casos pelas enfermarias, serviços, faixa etária, sexo, etc.,

b.- agente(s) etiológico(s) envolvido(s),

c.- fatores de risco, associação com procedimentos invasivos, etc,

 

que podem sugerir como possíveis fontes:

fontes inanimadas (respiradores, medicamentos, água, que envolvem em geral bacterias

não fermentadoras do gênero Pseudomonas, Acinetobacter, Flavobacterium sp.A água

pode estar relacionada também com Legionella sp, alimentos com enterobactérias,

Pseudomonas sp, Aeromonas sp, etc)

portadores no staff (S. aureus no nariz ou lesões cutâneas, Streptococcus beta hemolítico

em abscessos, Salmonella em manipuladores de alimentos, viroses (gripe, resfriado,

hepatite A,etc.)

falhas técnicas (cuidados com curativos, com traqueostomias, sondagem vesical, lavagem

das mãos, técnica cirúrgica, etc. e que em geral envolvem a flora endógena ou

colonizante).

 

 

 

Caderno de Respostas D2

 

 

Laboratório de Microbiologia

 

 

 

Pergunta 1

 

Resposta 1. A automação no Laboratório de Microbiologia oferece uma série de

vantagens como padronização da técnica, controle de qualidade, agilidade de resultados,

entre outras, mas representa um investimento em equipamentos e aumenta o custo do

teste.

 

Pergunta 2

 

. Identificação do agente etiológico.

 

Avaliação da sua susceptibilidade aos antimicrobianos.

Oferecer um banco de dados sob resistência bacteriana para orientar a terapêutica

empírica das infecções hospitalares.

 

Pergunta 3

 

. Além do que já foi citado no texto, pode-se salientar que o exame microbiológico é

rápido, com baixo custo, de fácil realização; porém depende de profissional qualificado

para melhor interpretação e depende também da qualidade do material, adequada coleta

e transporte.

 

Pergunta 4

 

Podem interferir na positividade da hemocultura o uso de antibiótico prévio e seu nível

sérico, volume inadequado, presença de bacteremia no momento da coleta, técnica de

coleta e transporte, processamento do material e recursos laboratoriais disponíveis.

 

Pergunta 5

 

Pelo critério de Maki, o isolamento de 30 UFC de S. aureus é sugestivo de colonização do

cateter por este agente, não necessariamente indicando o uso de antibioticoterapia, visto

que, habitualmente o foco foi eliminado com a retirada do cateter.

 

Pergunta 6

 

. No caso de tuberculose.

 

Pergunta 7

 

. Devemos considerar a evolução clínica para manter a terapêutica instituída previamente

e considerar a P. aeruginosa como colonização.

 

 

Pergunta 8

 

Devemos rever as condições de coleta e transporte, pois é comum a contaminação da

coleta em pacientes que não fazem a assepsia correta, ocorrência de corrimento vaginal

ou pelo fato de não desprezar o jato inicial, tempo para o transporte e contaminação do

material no laboratório. A contagem de < 100.000 UFC com 2 agentes em pacientes

assintomáticos é sugestivo de contaminação. Uma nova coleta deve ser feita.

 

Pergunta 9a

 

S. aureus não pode ser sensível à penicilina e resistente à oxacilina. Todo S. aureus

resistente à oxacilina é resistente a todas penicilinas e cefalosporinas de todas gerações,

incluindo aztreonam, carbapenens (imipenem e meropenem ) e inibidores de betalactamases.

Não existe S. aureus resistente à Vancomicina. Pela CIM foram detectados S. aureus com

resistência intermediaria à vancomicina VISA (CIM> ou = a 8), detectado após uso

prolongado de vancomicina, podendo resultar em falha terapêutica

Pergunta 9b

 

Uma E. coli ou Klebsiella apresentando sensibilidade variável às cefalosporinas de 3a.

geração (neste caso resistência a ceftazidima) e sensibilidade à cefoxitina e inibidores de

beta-lactamase sulbactam ou ácido clavulânico, podem ser cepas produtoras de beta

lactamase de espectro estendido (ESBL) existindo testes para a detecção

 

Pergunta 9c

 

Cepas de Enterobacter sp, Pseudomonas aeruginosa, Serratia sp, podem ser produtoras

de beta-lactamases induzíveis, apresentando resultados variáveis de sensibilidade às

cefalosporinas de 3a. geração , que significam resistência a todos os beta-lactamicos,

exceto os carbapenens.

 

Pergunta 9d

 

O antibiograma do Enterococo tem que ser concordante entre penicilina e ampicilina, ou

os dois são sensíveis ou resistentes. Falhas de conservação dos discos (penicilinas e

cefalosporinas devem ser estocadas em freezer - 30oC.) podem ser responsáveis por

estes resultados, ou falha de interpretação. Recomenda-se testar apenas um dos dois

discos e não ambos.

 

 

Não se testa cefalosporinas para enterococos, pois não tem atividade in vivo, mesmo

mostrando sensibilidade in vitro, o mesmo ocorrendo com a sulfa. Enterococos resistentes

`a vancomicina são raros no Brasil e à teicoplanina não detectados. Encaminhar cepas

suspeitas a centros de investigação, certificando-se antes tratar de enterococos.

 

Pergunta 9e

 

Não se testa a penicilina diretamente com discos, mas se avalia a atividade da penicilina

com discos de oxacilina. Quando o halo à oxacilina for menor que 19, deve-se alertar o

médico para possível falha da penicilina e encaminhar a cepa para fazer CIM

 

Pergunta 10a

 

O coco-bacilo oxidase negativo, não fermentador e colonizante do trato respiratório, pele

é comumente encontrado em aspirados traqueais, cateteres venosos e urinários, que

apresenta crescimento a 42oC e tem padrão de resistência à maioria dos antibióticos,

sendo sensível ao sulbactam e imipenem é o Acinetobacter baumannii.

 

Pergunta 10b

 

Esta bactéria não fermentadora, que apresenta um padrão de sensibilidade bem peculiar,

de resistência ao imipenem e sensibilidade à ceftazidima, ciprofloxacina, sulfatrim e

cloranfenicol, comumente encontrada no trato respiratório ou digestivo de pacientes

submetidos à antibioticoterapia de largo espectro é a Stenotrophomonas maltophilia.

 

 

Bibliografia Básica Utilizada

 

 

1) Fernandes AT (ed). Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde. São

Paulo, 2001p. Atheneu, 2000.

2) Mayhall CG (ed). Hospital Epidemiology and Infection Control. Philadelphia, 1565p.

Lippincott Williams & Wilkins, 1999.

3) Bennett JV, Brachman PS (ed). Hospital Infections. Philadelphia, 778p. Lippincott

Raven, 1998.

4) Wenzel RP (ed). Prevention and Control of Nosocomial Infections. Baltimore, 1266p.

Williams & Wilkins, 1997.

5) Monografias da APECIH - Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção

Hospitalar

6) Garner JS, Jarvis WR, Emori TG, et al. CDC definitions for nosocomial infections. Am J

Infect Control 16:128-140, 1988.

 

FONTE: Anvisa.

 

 

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